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Caso Diego Costa está virando briguinha infantil

Apenas uma burocracia da Fifa separa Diego Costa da seleção espanhola. O jogador já teria dado o “sim” para Vicente del Bosque, mas não pôde ser convocado pelo treinador para os jogos contra Bielorrúsia e Geórgia pelas Eliminatórias porque a CBF precisa emitir um documento para a entidade máxima do futebol comprovando que o atleta não participou de nenhum jogo oficial pela Seleção. E, segundo a imprensa espanhola, os cartolas brasileiros estariam tentando melar a ida do colchonero para a Roja e enrolando o processo.

Aí temos duas perspectivas sobre o caso. Pode ser condenável a Espanha naturalizar um jogador que já participou (mesmo que sem entrar em campo) de um amistoso pela seleção de outro país, mas os regulamentos da Fifa preveem essa situação. A CBF pode contestar a regra, mas não é papel dela fazer justiça com as próprias mãos. Mesmo com a alegação de que, como o Brasil não disputa as Eliminatórias, tem menos oportunidades de fazer partidas oficiais e “segurar” um jogador.

Nesse caso, a entidade brasileira que acaba sendo antiética. Felipão não parece estar próximo de dar uma chance a Diego Costa em seu grupo. O jogador do Atlético de Madrid ficou de fora da Copa das Confederações e não houve críticas sobre sua ausência. No entanto, após seu início fantástico no Campeonato Espanhol desta temporada, a pressão por sua convocação já existe. E, mesmo assim, o atacante continuou de fora das listas. Se a ideia é dar uma chance em breve, que a CBF ou a comissão técnica da Seleção deixem isso claro ao jogador. Se ele não está nos planos, não faz sentido prejudicar o andamento de sua carreir, ainda mais na temporada que antecede uma Copa do Mundo.

O curioso é que, analisando do ponto de vista técnico, faria muito mais sentido para Diego Costa continuar como brasileiro do que se tornar espanhol. O atacante poderia ser muito mais útil ao Brasil que à Espanha. Felipão é conhecido por gostar de um jogador de referência no ataque. O crescimento de Fred na Seleção no último ano comprova isso. O atacante do Fluminense, no entanto, sofre frequentemente com problemas físicos, e confiar plenamente na presença do atleta na Copa do Mundo e não se precaver não seria inteligente por parte de Scolari. Diego Costa tem essa característica marcante do camisa 9 tricolor e, além disso, tem um traço também muito apreciado pelo técnico: é brigador. O colchonero se encaixaria perfeitamente na tática de pressionar a saída de bola dos adversários, um dos grandes trunfos na conquista da Copa das Confederações.

Para a posição, Felipão tem ainda Jô, Pato e Leandro Damião. O primeiro não corre, atualmente, o mínimo risco de ser deixado de fora das convocações. Com cinco gols nos últimos seis jogos que fez pela seleção brasileira, o atleta do Atlético Mineiro aproveitou bem as chances que lhe foram dadas. Pato e Damião não vivem boa fase há um certo tempo e poderiam facilmente ser retirados do grupo para abrir lugar para Diego Costa.

A seleção espanhola, por outro lado, conta atualmente com quatro atacantes de nível igual ou superior ao do brasileiro. Além de Fernando Torres, de gols decisivos pela equipe nacional, e de Llorente, que parece estar no caminho de retomar seu bom futebol na Juventus, os atuais campeões do mundo têm para a posição de centroavante Soldado e Negredo. Os dois tiveram campanhas excelentes no último Campeonato Espanhol, marcando 24 e 25 gols, respectivamente. Agora transferidos para a Premier League, em Tottenham e Manchester City, nesta ordem, os dois também tiveram bom começo, e a adaptação ao estilo diferente de futebol não parece que representará um problema para a dupla.

Como se não bastasse o fato de que opção é o que não falta para Del Bosque escalar seu ataque, a seleção espanhola muitas vezes acaba jogando até mesmo sem centroavante, reflexo do grande contingente de atletas do Barcelona frequentemente convocados. É uma alternativa que já se mostrou interessante para a Roja em diversas oportunidades. Portanto, pensando na maneira como seria utilizado e na frequência com que essa utilização aconteceria nas duas seleções, seria melhor para Diego Costa e para o Brasil se Felipão lhe desse uma chance. Mas, se isso não é o que o treinador pretende, que deixe o atacante seguir seu caminho como achar melhor. Sem operação-tartaruga.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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