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Bielsa deixa o Athletic dizendo que não soube gerir o sucesso

As características que fazem de Marcelo Bielsa um treinador especial são aquelas que dão o apelido de “Loco” ao argentino. O seu grande número de sucessos como técnico contrasta com fracassos retumbantes, como a Copa do Mundo de 2002, quando a então favorita Argentina caiu na primeira fase. Esse é Bielsa: um técnico capaz de times atraentes e encantadores, ao mesmo tempo que malucamente irresponsáveis.

Em seus dois anos de Athletic Bilbao, conseguiu um momento encantador, que alcançou o seu pico na Liga Europa na temporada passada, mas também foi mal na temporada atual, quando o time ficou muito distante de qualquer pretensão em lutar por vaga na Liga dos Campeões – algo que a rival, Real Sociedad, conseguiu.

O Athletic Bilbao está em 13º lugar na liga espanhola. Longe, muito longe, da Real Sociedad, quinta colocada. Os dois times estão separados por 19 pontos. O que aconteceu com o time que encantou a Europa com um bom futebol e eliminou até o gigante Manchester United nas oitavas de final da Liga Europa? Bielsa puxa a responsabilidade para ele mesmo. Com a sinceridade que lhe é peculiar.

“Não soube gerir o sucesso, mas sim a adversidade”, disse o técnico. “O elenco desta temporada era igual ou melhor do que o do ano passado. Suprimos o melhor jogador da temporada passada, Javi Martínez, pelo melhor da atual temporada, Gurpegui, e além disso, nesta temporada contamos com Aduriz e Llorente, na passada tínhamos só Llorente”, analisou o argentino. “Durante muito tempo, não soube manter uma porcentagem alta durante muito tempo de jogadores como Muniain ou Iturraspe, mas há mais exemplos. Além disso, formei um elenco com 13 ou 15 jogadores a menos que no ano anterior, reduzindo em uns € 20 milhões anuais o curto do elenco”, revelou o técnico.

O envolvente Athletic da temporada passada deu lugar a um time muito menos inventivo e criativo, mais suscetível ao domínio do adversário. O time mais perdeu do que ganhou – dos 37 jogos, foram 12 vitórias, 17 derrotas e oito empates. Se o time da temporada passada tinha a marca de Bielsa positivamente pelo arrojo, pela mobilidade e pela ofensividade, o desta também tem as características de El Loco: frágil defensivamente, que arrisca além da conta e perde muitas vezes.

Bielsa não sabe qual será o futuro e se recusou a falar sobre isso. A escola Bielsa de treinadores tem nomes importantes, como o futuro técnico do Bayern Munique, Pep Guardiola, e o atual técnico do Chile, Jorge Sampaoli, ou mesmo Gerardo Tata Martino, técnico do Newell’s, semifinalista da Libertadores. Não sabemos para onde Bielsa irá, mas já estamos ansiosos para ver o que acontecerá. Porque Bielsa sempre leva algo diferente a suas equipes.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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