Espanha

Barcelona: Por que lesão e analgésicos de Yamal ligam alerta preocupante e com precedentes

Treinador pede mais cuidado com jovens atletas. Situação lembra casos de Pedri, Ansu Fati e Gavi

O Barcelona vive um novo embate com a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) envolvendo o uso de uma de suas maiores joias: Lamine Yamal. O atacante de apenas 18 anos foi desfalque na goleada por 6 a 0 sobre o Valencia, no Estadi Johan Cruyff, no domingo (14), por conta de uma lesão sofrida durante a Data Fifa.

Para o técnico Hansi Flick, o episódio era evitável e expôs uma preocupação maior: o cuidado com os jovens jogadores em compromissos da seleção. O alemão até criticou a federação por ter levado e usado o jovem nos últimos jogos.

Preocupação do Barcelona com a seleção tem histórico grave

Em sua coletiva de imprensa pré-jogo, Flick deixou claro que o Barça havia alertado que Yamal já se apresentara com um problema físico e que não participou de treinos completos com a seleção. Mesmo assim, o jovem jogou 73 minutos contra a Bulgária e 79 minutos contra a Turquia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, após tomar analgésicos.

“Estou muito triste com isso. A Espanha tem os melhores jogadores do mundo, não precisa forçar jovens que ainda estão em fase de desenvolvimento. Quando falamos em cuidar dos jogadores, é justamente sobre evitar esse tipo de risco“, disse o técnico na ocasião.

Lamine Yamal pelo Barcelona (Foto: Imago)
Lamine Yamal pelo Barcelona (Foto: Imago)

O alerta de Flick não é isolado. O Barcelona tem um histórico recente de jovens sobrecarregados que sofreram com lesões em sequência. Pedri, por exemplo, disputou 73 jogos na temporada 2020/21, incluindo Eurocopa e Olimpíadas, e perdeu 85 partidas nas três temporadas seguintes por problemas musculares. Só na última temporada o meio-campista voltou a apresentar seu melhor nível, após uma reformulação no departamento médico do clube.

Outro exemplo é Ansu Fati, que teve uma grave lesão no menisco aos 18 anos, passou por cirurgias, foi apressado para voltar e sofreu novas lesões musculares. Hoje, emprestado ao Monaco, ainda não recuperou totalmente a forma física. Gavi, por sua vez, sofreu uma lesão no ligamento cruzado em 2023 e voltou a se machucar no mesmo joelho recentemente.

Esses precedentes tornam o Barcelona ainda mais cauteloso com Yamal, que é peça central no projeto de Flick. O técnico alemão é conhecido por adotar uma política de risco zero com jogadores lesionados.

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Barcelona mantém cautela e debate vai além do clube

Apesar da ausência do atacante, o Barcelona goleou o Valencia, com direito a dois gols de Raphinha, que começou no banco por ter se atrasado para o treino. Marcus Rashford também brilhou, com uma assistência. Mas Yamal assistiu tudo da arquibancada e segue como dúvida para o confronto de quinta-feira (18) contra o Newcastle, pela Champions League.

A RFEF, por outro lado, rebateu as críticas e disse que não foi informada previamente sobre a lesão. Fontes próximas à federação ressaltaram que o fisioterapeuta de Yamal na seleção é o mesmo que trabalha com ele no Barça, e questionaram como o clube poderia alegar desconhecimento do problema.

A discussão abre um debate mais amplo no futebol europeu: como gerenciar a carga de jovens talentos que rapidamente se tornam peças-chave em clubes e seleções. Em um calendário cada vez mais congestionado, técnicos como Flick defendem uma abordagem mais conservadora para evitar que carreiras promissoras sejam encurtadas por lesões crônicas.

“Os jogadores precisam ser honestos sobre como se sentem fisicamente. Prefiro perder um atleta por uma partida do que por uma temporada inteira”, disse Flick, em tom firme.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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