‘Treinar o Barcelona faz mal para saúde mental’: Koeman entende a saída de Xavi
Antecessor de Xavi no comando do Barcelona, Koeman, que também foi ídolo do clube, afirmou que ser jogador é muito mais divertido
Fazer parte do Futbol Club Barcelona é estar rodeado de apoio, suporte, mas também de muita pressão por parte da torcida apaixonada ao redor do mundo e também dos meios de comunicação, que cobrem diariamente o clube e o exigem no mais alto nível.
O clube blaugrana é também muito conhecido por repatriar ex-jogadores e usá-los em diferentes funções, seja como embaixador, seja como técnico, como no recente caso de Xavi Hernández e até mesmo como diretor de futebol, cargo ocupado atualmente pelo luso-brasileiro Deco.
Mas ser idolatrado por um passado glorioso não dá carta branca para erros, falta de manejo e críticas por parte da torcida. Campeão da Champions League com o time catalão e ídolo do início dos anos 1990, Ronald Koeman foi o último treinador do Barcelona antes de Xavi, e sofreu com toda essa pressão, seja dentro e fora dos gramados.
Porém, o início conturbado na temporada 2021/2022 e as desavenças com o presidente Joan Laporta encurtaram a passagem do holandês como técnico da equipe, que durou de agosto de 2020 a outubro de 2021, após sua demissão.
Em entrevista ao programa Good Morning Eredivisie, o holandês explicou que compreende perfeitamente a decisão de Xavi Hernández, que há duas semanas anunciou que essa será a sua última temporada como técnico do time culé.
– Ser técnico do Barcelona é um ataque à saúde mental. Ser jogador do clube é muito mais divertido do que ser treinador. O Xavi, que é catalão, conhece bem clube e com certeza notou essa diferença.
De acordo com Koeman, que atuou como jogador do Barcelona entre 1989 e 1995, sendo o defensor com mais gols de todos os tempos e o segundo maior artilheiro em cobranças de faltas da história da equipe azul-grená (atrás apenas de Lionel Messi), a mídia também colabora para deixar o técnico sempre com uma pulga atrás da orelha.
– A imprensa está sempre apontando uma arma a você e quando as coisas não vão bem, é culpa do treinador. Eu já vivi lá essa pressão e esse estresse. É o trabalho mais difícil que já tive -, disse o atual técnico da Holanda, que também já passou por Valencia, PSV, Feyenoord e Everton.
Koeman viveu tempos sombrios no Barcelona
Por mais certo que Koeman esteja em reclamar da pressão sofrida, é fato também que o seu desempenho como treinador da equipe ficou aquém. Ao todo, foram 63 jogos como técnico, conquistando 37 vitórias, 11 empates e 15 derrotas. Entretanto, o barco começou a afundar na temporada 2021/2022, onde em 13 jogos, o time conseguiu somente 5 vitórias, 3 empates e 4 derrotas.
Entretanto, Koeman assumiu o Barcelona de forma bastante conturbada. O técnico deixou de treinar a seleção holandesa perto do começo da Eurocopa de 2020 para assumir um Barcelona machucado financeiramente pela pandemia, e que tinha sido humilhado ao levar uma história goleada de 8 a 2 para o Bayern de Munique na Champions League de 2020.
Além de lidar com uma possível saída de Messi, que estava em uma guerra pública com o então presidente José María Bartomeu, o holandês foi o responsável por autorizar figuras importantes como Luis Suárez, Ivan Rakitic e Arturo Vidal deixarem a equipe, na tentativa de promover um choque de gestão.
Com Messi no elenco, ele chegou a levar o Barcelona ao título da Copa do Rei de 2021, mas nem isso foi suficiente para lidar com a pressão. À época de sua demissão, Koeman saiu magoado com Joan Laporta, que o demitiu no avião no retorno a um jogo, e lamentou o discurso de falta de verbas do atual mandatário, que não conseguiu segurar Messi para 2021/2022.
— Foi por insistência da direção do clube que concordei com a saída de alguns jogadores, para colocar as finanças em ordem. Mas quando você vê que eles contrataram alguém por 55 milhões de euros (Ferran Torres) logo depois de deixar Messi ir, então você se pergunta se haverá mais -, disse em 2022, em entrevista ao programa holandês Hoge Bomen.
Á época, Koeman tinha mostrado uma certa mágoa com o próprio Xavi, já que a imprensa catalã já falava do nome do ex-volante para assumir o lugar de Koeman quando ele ainda estava no cargo. Informação que de fato se confirmou. Mas após voltar ao cargo de treinador da seleção holandesa, o ex-defensor parece de fato estar mais tranquilo, seja por sua saúde mental restaurada, seja ao ver que ele não foi o único a colocar sua idolatria como atleta em risco para assumir um clube gigante, mas cheio de problemas financeiros.



