‘Perguntamos por ele, mas preferiram Dembélé’: Ex-presidente do Barcelona expõe escolha polêmica
Bartomeu abriu o jogo sobre contratações de sua gestão e saída de Neymar para o PSG
O Barcelona é sempre um exemplo controverso quando o assunto é gestão esportiva, principalmente pela crise pública que se instalou no pós-pandemia. Um dos personagens dos escândalos financeiros do clube é Josep Maria Bartomeu, presidente do clube de 2014 a 2020, que concedeu entrevista à rádio “Cadena SER” e, dentre vários assuntos, chamou atenção ao fazer uma revelação sobre a escolha da contratação de Ousmane Dembélé.
Ao tratar especificamente da chegada do atual Bola de Ouro, eleito pela Revista France Football, Bartomeu revelou que, antes de contratar Dembélé, chegou a perguntar sobre Kylian Mbappé, atualmente no arquirrival Real Madrid, que havia se destacado pelo Monaco na temporada 2016/17, mas a decisão final foi pelo jogador que defendia o Borussia Dortmund à época.
— Perguntamos sobre Mbappé e Dembélé, mas os técnicos queriam Dembélé […] É uma pena. Xavi disse que ele não deveria ter sido vendido. Talvez ele tenha sido contratado muito jovem, não sei — começou por dizer o ex-presidente culé.
Ousmane Dembélé foi contratado pelo Barcelona em julho de 2017, por 148 milhões de euros (R$ 850 milhões na cotação atual) justamente no mesmo verão em que Neymar foi vendido ao PSG pela histórica cifra de 222 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), correspondente à sua multa rescisória na época. Em seis temporadas no Camp Nou, o francês atuou em 185 partidas, marcou 40 gols, concedeu 42 assistências e sofreu com lesões. Em 2023, rumou ao Paris, novamente substituindo Neymar, e triunfou.
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Bartomeu tratou dos impactos da venda de Neymar
As principais contratações do mandato de Josep Maria Bartomeu, como Dembélé e Philippe Coutinho, tiveram, em grande parte, sua origem no dinheiro adquirido pela venda de Neymar. Ao ativar a cláusula de rescisão do brasileiro com o Barcelona, o PSG criou uma tendência de inflação dos valores de transferências dos jogadores, o que atingiu rapidamente o Barça.
Nesse sentido, para além dos altos valores pagos por alguns jogadores, Bartomeu deixou claro que sua grande preocupação era não perder mais jogadores, incluindo o seu principal astro: Lionel Messi.
— Não queríamos que os jogadores fossem para outros times e as ofertas deles foram igualadas. A saída de Neymar faz com que outros clubes paguem valores altos. Houve um boato e chegou dinheiro para contratar Messi por 400 milhões de um país árabe com contas na Inglaterra. A saída de Neymar foi uma bagunça — afirmou o ex-presidente.
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Outro jogador citado por Bartomeu foi Antoine Griezmann, uma de suas últimas contratações sob o comando do Barça. De acordo com ele, a intenção era realizar uma mudança geracional, mas a ação teria ocorrido tarde demais.
— Griezmann veio para fazer uma mudança geracional, o que talvez eu tenha feito mais tarde. Eu deveria ter começado depois da derrota em Liverpool e fiz isso um ano depois — finalizou.
Josep Maria Bartomeu deixou a presidência do Barcelona em 2020 sob diversas acusações e dificuldades financeiras extremas, que acabaram sendo herdadas por Joan Laporta, que precisou lidar com a saída de Lionel Messi e a necessidade de poupar em contratações para se enquadrar nas regras de Fair Play financeiro de La Liga.