Espanha

Barcelona contrata André Gomes e agora tem opção de sobra no meio-campo

Quando parecia que o Barcelona estava quase satisfeito no mercado de transferências, em busca somente de mais um atacante, André Gomes foi contratado do Valencia, por uma bagatela de € 55 milhões (€ 35 milhões de entrada, mais € 25 milhões de variáveis), e agora o que o técnico Luis Enrique não pode reclamar é da falta de opções no seu meio-campo.

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Mascherano é zagueiro, e ninguém mais discute. Com a saída de Daniel Alves, Sergi Roberto é o apoio a Aleix Vidal na lateral direita. Sergio Busquets e Sergi Samper são especialistas na função de primeiro volante. Isso faz com que o Barça tenha seis opções para as outras duas posições do meio-campo. Iniesta é incontestável. Rakitic, pelo que fez nas últimas temporadas, merece começar como titular. Os outros, Denis Suárez, Rafinha, Arda Turan e André Gomes, que briguem por espaço.

Denis Suárez tem a vantagem de também poder atuar no ataque, como Rafinha e até Turan, se for necessário, mas são todos essencialmente meio-campistas. Suárez foi trazido de volta do Villarreal, por apenas € 3 milhões, um negócio de ocasião. Era imaginado como o reserva imediato de Iniesta – até a chegada de André Gomes. O português vem do Valencia com mais status para furar a fila.

E futebol. André Gomes teve duas boas temporadas pelo Valencia. Seu estilo de jogo é mais um passo à frente na transformação gradual que Luis Enrique implementa no Barcelona, do time exclusivamente técnico de Guardiola e Tito Vilanova para outro que mistura o bom trato da bola com força física e velocidade. Com 1,88 metros, será o quarto jogador mais alto do elenco, atrás de Piqué, Mathieu e Busquets, reforçando também a bola aérea defensiva, o maior ponto fraco do time.

No Valencia, mostrou a capacidade de carregar a bola com a cabeça erguida e a audácia de enfrentar os marcadores no mano a mano. Ambidestro, tem o passe e a infiltração para chegar no ataque e criar situações para os companheiros ou marcar gols. Geralmente, belos gols, como estes dois, contra Atlético de Madrid e Real Madrid:

Passou pelo Porto nas categorias de base, mas surgiu no Benfica, pelo qual, curiosamente, teve mais chances na campanha da Liga Europa de 2014, que terminou com a derrota para o Sevilla nos pênaltis. Disputou os 120 minutos da final e outros seis jogos como titular no mata-mata da segunda competição de clubes da Europa. Foi levado ao Valencia pelo compatriota Nuno Espírito Santo.

Estreou na seleção portuguesa em setembro de 2014, em um amistoso contra a Albânia. Convocado à Eurocopa por Fernando Santos, foi titular nas quatro primeiras partidas, mas sofreu uma pequena lesão antes das quartas de final. Entrou em campo no segundo tempo contra Gales e ficou na reserva o tempo inteiro na decisão contra a França. Não foi capaz de mostrar um grande futebol no torneio, até porque a estratégia mais defensiva de Santos não favorece seu estilo de jogo.

A opinião de Gary Neville tem que ser levada em conta com cuidado, considerando a tragédia que foi sua passagem como técnico do Valencia, mas o inglês afirmou que a melhor posição de André Gomes é pela meia esquerda, o que o colocaria como principal alternativa para Iniesta. Pode também atuar como meia-direita, no lugar de Rakitic, e de um jeito ou de outro pinta como a primeira opção para a armação que Luis Enrique terá no banco de reservas.

Seu principal adversário parece ser Rafinha, voltando de lesão e disputando a Olimpíada do Rio de Janeiro pela seleção brasileira. Quem perde bastante espaço nessa brincadeira toda é Arda Turan, que não conseguiu convencer ninguém nos seus seis meses de Barcelona, mostrando futebol e condição física bem abaixo do seu excelente desempenho pelo Atlético de Madrid. Precisará remar bastante nesta temporada para galgar posições na concorrida fila de meio-campistas.

André Gomes não precisa ter pressa. Como Digne, Umtiti, Suárez e Vietto, que ainda não foi contratado, mas é o principal alvo para o ataque, ele tem apenas 22 anos, o que mostra que o Barcelona tem, além de uma fixação por esse número, o pensamento voltado para o futuro. Iniesta já tem 32 anos e não será titular para sempre.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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