Espanha

Barça e Espanyol estenderam clima quente do dérbi com troca de provocações e reclamações

O quente dérbi catalão entre Barcelona e Espanyol pelas oitavas de final da Copa do Rei começou muito antes do apito inicial nesta quarta-feira, e suas consequências se estenderam além do apito final do árbitro. O confronto de diferentes estilos de jogo, o criativo do Barcelona e o destrutivo do Espanyol, virou também um duelo de discursos, conforme as figuras envolvidas no jogo davam suas declarações sobre o encontro. Sobraram provocações, justificativas por algumas jogadas ríspidas e um pouco de cara de pau.

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O jogo estava duro desde o início, mas o Espanyol abriu mesmo a caixa de ferramentas após levar o terceiro gol, de Piqué, aos quatro minutos do segundo tempo. A partir dali, sobraram entradas fortes, pisões, provocações e, no fim, cartões. A equipe de Constantin Galca levou oito amarelos e terminou a partida com dois expulsos. Um deles, Papakouli Diop, ao comentar a suposta violência de seu time, foi irônico: “Não dá para dizer que fomos violentos. Não derramamos sangue. Se quiséssemos, os jogadores do Barça teriam saído de maca”.

Outra figura central das confusões na partida foi o goleiro Pau López. Talvez por desavenças que começaram no duelo que terminou em 0 a 0 pelo Campeonato Espanhol no fim de semana, o goleiro foi provocado por Suárez após o segundo gol de Messi no jogo, de falta. A resposta mais contundente do arqueiro veio no segundo tempo, com um pisão intencional no argentino. Perguntado sobre o lance, o goleiro demonstrou que o cinismo é também uma de suas habilidades: “Pisar na perna do Messi? Eu nunca quis machucar ninguém. O que aconteceu com o Messi é parte do jogo.”

Os atritos de Suárez com os jogadores do Espanyol não se limitaram apenas ao que acontecia dentro das quatro linhas. Segundo o relatório do árbitro do jogo, o uruguaio esperou os rivais do Espanyol no túnel do Camp Nou após o jogo, gritando com os oponentes: “Estou esperando por vocês, venham aqui. Vocês são um desperdício de espaço”. Um confronto começou a se formar entre atletas dos dois clubes, até que seguranças e os técnicos dos clubes intervieram.

Após o empate sem gols no dia 2 por La Liga, o Barcelona havia se queixado da postura do adversário e da permissividade da arbitragem, que não puniu ninguém com um vermelho. Mesmo com as expulsões dos jogadores do Espanyol no duelo desta quarta pela Copa do Rei, Luis Enrique aproveitou a entrevista coletiva para voltar a se queixar do estilo de jogo do rival e para colocar pressão na arbitragem da partida de volta.

“Os árbitros são aqueles que devem estabelecer os limites. Eles são responsáveis por garantir que isso seja futebol, e não futebol americano. Qualquer coisa que nos afasta do futebol me preocupa. Tudo o que buscamos é jogar. Quando alguém vai além do limite com suas ações, há um árbitro lá para agir. Somos times acostumados a jogar de nossa maneira e temos que entender isso de maneira positiva”, afirmou o treinador.

Luis Enrique reclamou do estilo de jogo do rival (Divulgação)
Luis Enrique reclamou do estilo de jogo do rival (Divulgação)

O capitão do Espanyol, Javi López, por outro lado, legitimou a estratégia de sua equipe e falou até de uma campanha conspiratória da imprensa espanhola para vilanizar o time. Para ele, a suposta campanha influenciou a arbitragem em sua decisão de atribuir cartões aos jogadores do Espanyol. “Gosto de nos definir mais como um time intenso. Estamos orgulhosos do time, somos muito intensos, e lhes falta respeito por nos chamar de violentos. Ficamos magoados com a maneira como eles nos trataram durante a semana. A campanha da mídia com a qual temos sofrido desde o jogo pela liga teve seu efeito”, queixou-se.

Piqué engrossou o coro iniciado por Luis Enrique, mas depois preferiu focar sua fala no triunfo com a bola, exaltando a atuação de Messi. “Dérbis são sempre intensos, e eles (jogadores do Espanyol) têm um jeito de jogar no limite. Há árbitros que permitem isso, como no outro dia, e árbitros que não permitem, como hoje. O plano deles é jogar muito duro, e eles se certificaram de que não tivéssemos fluidez em nosso jogo. O Leo (Messi) nos ajudou muito com seus dois primeiros gols para abrir o jogo, e então usamos a vantagem para criar mais chances e marcar o terceiro”, avaliou o zagueiro.

Ainda assim, apesar deste momento de ponderação, Piqué fez jus à imagem de provocador que tem e deu uma bela cutucada no rival, “convocando” a torcida rival para o jogo de volta. “Eles dizem que são uma minoria maravilhosa. Espero que na volta eles encham o campo, porque no outro dia não encheram”, afirmou o zagueiro, logo após o apito final, fazendo referência ao empate sem gols em La Liga.

Se, esportivamente, a classificação do Barcelona às quartas de final da Copa do Rei já parece definida e o resultado da partida de volta parece bastante previsível, a maneira como este segundo duelo correrá ainda é uma incógnita, apesar de termos uma ideia do que tende a acontecer. Nenhum dos lados parece disposto a aliviar nas declarações ou buscar um “acerto de paz”. A seis do dias do confronto de volta, o fogo cruzado deverá continuar e acirrar ainda mais o clima para o duelo no Cornellà-El Prat. Com o episódio de racismo contra Neymar no estádio do rival no último fim de semana, o dérbi deve ser ainda mais quente na casa do Espanyol do que foi no Camp Nou.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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