Espanha

Bale se despede do Real Madrid: “Um sonho que se tornou realidade e muito mais”

Aos 32 anos e com uma relação bem conturbada com o clube e a torcida, Bale se tornou um pária nos últimos anos, mas escreveu capítulos importantes no Real Madrid

O atacante Gareth Bale se despediu oficialmente do Real Madrid nesta quarta-feira, quando o clube divulgou um comunicado anunciando o fim da passagem do galês. Ele mesmo também divulgou uma carta da despedida no seu Instagram e foi bastante elogioso ao clube. Os últimos anos do jogador foram de uma relação turbulenta com a torcida e o clube, mas ele teve um papel importante nos seus anos de clube, especialmente na conquista da Champions League e na Copa do Rei de 2013/14.

Bale chegou ao Real Madrid em 2013 depois de uma temporada espetacular pelo Tottenham. Depois de anos em ótimo nível pelos Spurs, na temporada 2012/13 ele se tornou um atacante dos mais perigosos atuando pela ponta. Fez 26 gols em 44 jogos em todas as competições, somando Premier League, Liga Europa, Copa da Inglaterra e Copa da Liga. Chegou por um valor recorde aos merengues: € 101 milhões.

O valor gasto foi imenso, mas acabou compensando nos anos seguintes ao Real Madrid. Empilhou títulos pelo clube sendo protagonista em muitos deles. Formou um ataque dos mais poderosos ao lado de Cristiano Ronaldo e Karim Benzema. Foi campeão da Champions League cinco vezes, com participação relevante nos quatro primeiros, inclusive com gols em finais.

Os seus primeiros anos em Madri foram muito bons, de um nível altíssimo. Foi um protagonista muitas vezes e seus números mostravam isso. Na primeira temporada, 2013/14, foram 44 jogos, com 22 gols, sendo um deles na final contra o Atlético de Madrid, que celebrou a famosa “La Decima”, tão esperado.

Continuou indo bem nas temporadas seguintes: fez 48 jogos e 17 gols em 2014/15, 31 jogos e 19 gols em 2015/16. A partir da temporada seguinte, os problemas com lesões ficaram maiores. Fez apenas 27 jogos e nove gols. Ainda era titular na grande maioria dos jogos, mas seguia tendo problemas.

Na temporada 2017/18, ainda atormentado por lesões e começou a ficar mais vezes no banco. Ainda assim, continuava como um jogador relevante no elenco. Tanto que na final daquela Champions League, contra o Liverpool, fez dois gols na decisão e contribuiu imensamente para a vitória por 3 a 1.

Dali em diante, a situação se tornou mais graves. Os problemas na recuperação de lesões ficaram grandes e havia muito questionamento em relação ao comprometimento do galês. Veio a bandeira “Wales. Golf. Madrid. In that order” e as coisas pioraram ainda mais. Vieram as vaias e o jogador nunca se ajudou: não mostrava nenhum empenho e dava declarações polêmicas com frequência quando ia jogar pela seleção galesa.

Com isso, a paciência da torcida se esgotou e o clube queria se livrar dele, mas o problema é que seu contrato era alto demais. Ele não fazia questão de sair, mesmo com as propostas que chegavam. Preferia ficar na reserva, ou até sem ser relacionado, do que ir para outro clube. Na temporada 2018/19, foram 41 jogos (28 como titular) e 14 gols. Em 2019/20, foram apenas 20 jogos, com 14 como titular. Foi nessa temporada que se tornou, definitivamente, um reserva, cada vez menos usado por opção dos técnicos.

Em 2020/21, foi emprestado ao Tottenham. A volta ao clube que o consagrou teve altos e baixos, mas foi positiva no geral. Fez 34 jogos, marcou 16 gols e teve bons momentos. Sua permanência, porém, não foi cogitada porque o seu salário era grande e o jogador nunca quis abriu mão disso. O Tottenham também não quis quebrar o cofre para oferecer um salário que se aproximasse, porque Bale, embora tenha ido bem, passou longe do craque que tinha mostrado anos antes.

Assim, chegamos à temporada atual. Foram apenas sete jogos do galês, com quatro como titular, e um gol marcado. Ficou no banco algumas vezes, machucado em grande parte da temporada com lesões no joelho, panturrilha e costas, e no fim não teve espaço com Ancelotti. Deixará o Real Madrid sem deixar saudades pelo jogador que se tornou, mas não quer dizer que as memórias que produziu no clube não tenham sido importantes.

“Eu escrevo esta mensagem para dizer obrigado a todos os meus companheiros, antigos e atuais, meus técnicos, funcionários de bastidores e aos torcedores que me apoiaram. Cheguei aqui nove anos atrás como um jovem que queria realizar o sonho de jogar pelo Real Madrid”.

“Vestir o uniforme branco imaculado, usar o escudo no peito, jogar no Santiago Bernabéu, ganhar títulos e fazer parte do que é tão famoso, ganhar a Champions League. Agora posso olhar para trás, refletir e dizer com honestidade que esse sonho se tornou realidade e muito, muito mais”

“Ser parte da história deste clube e conquistar o que nós conquistamos enquanto eu fui jogador do Real Madrid foi uma experiência incrível e algo que eu nunca irei esquecer. Também quero agradecer ao presidente Florentino Pérez, José Ángel Sánchez [diretor esportivo] e à diretoria por nos dar a oportunidade para jogar por este clube. Juntos fomos capazes de criar alguns momentos que viverão para sempre na história deste clube e do futebol. Foi uma honra. Obrigado! HALA MADRID!”

O destino de Bale é incerto. O que se sabe é que ele estará em campo pela repescagem da Copa, no próximo domingo, para o jogo mais importante da sua carreira contra Escócia ou Ucrânia. Valerá uma vaga na Copa, algo que Gales não disputa desde 1958. Depois disso, ainda não se sabe. Se especula uma volta ao Reino Unido, mas desta vez para defender um clube galês, como o Cardiff, que joga na Inglaterra. O jogador também é especulado nos Estados Unidos. Por enquanto, é difícil saber.

Veja alguns dos melhores momentos de Bale pelo Real Madrid:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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