O primeiro turno do Campeonato Espanhol acabou como deveria ter começado: pela primeira rodada. No caso, porque a primeira rodada foi adiada pela greve de jogadores, e remarcada no lugar da 20ª, a primeira do returno. Ficou confuso, mas o importante é que a coisa já começou a regularizar e chegamos à metade do campeonato.

As atenções ficaram em Real Madrid e Barcelona devido ao domínio exagerado dos gigantes, mas muita coisa aconteceu com os outros 18 times. Alguns clubes tradicionais sofrem, outros surpreendem. E quase todo mundo teve algum momento de vários jogos sem perder – e outro de vários jogos sem vencer. Isso dá alguma emoção, pois os times são imprevisíveis. Ainda assim, a faz o balanção do primeiro turno, e se arrisca ao dar palpites para o destino de cada uma delas ao final da temporada.

REAL MADRID

Campanha: 1º lugar (49 pts, 16 V, 1 E, 2 D, 67 GP, 18 GC)
Objetivo neste momento: título
Palpite: campeão
O que funcionou: intensidade de jogo dentro e fora de casa
O que precisa melhorar: aprender a encarar o Barcelona
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

Está fazendo sua parte. Só tropeçou duas vezes contra times pequenos e passou como um trator por cima dos outros. Mesmo com alguns jogadores longe de seu melhor momento (Kaká e Özil, por exemplo), o ataque tem funcionado muito bem. A defesa até tem cedido muitos gols em casa (12 em 9 jogos, bastante para o nível de excelência dos merengues), mas isso se explica também pelo relaxamento após a quantidade industrial de gols marcados nessas partidas (38). A solidez da equipe pode garantir o título mesmo perdendo um novo confronto direto para o Barcelona. E, depois da boa atuação no jogo do Camp Nou pela Copa do Rei, talvez nem essa nova derrota seja tão esperada assim…

BARCELONA

Campanha: 2º lugar (44 pts, 13 V, 5 E, 1 D, 59 GP, 12 GC)
Objetivo neste momento: título
Palpite: -campeão
O que funcionou: o futebol envolvente continua dominante contra o Real Madrid
O que precisa melhorar: concentração da equipe contra times pequenos
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Maxwell (Paris Saint-Germain/FRA)

Tudo parece certinho para o Barcelona. Classificou-se com facilidade na Liga dos Campeões, venceu três dos cinco clássicos contra o Real Madrid (empatou os outros dois) e foi campeão mundial. É favorito para conquistar o bi europeu, mas não para o tetra do Campeonato Espanhol. Há uma questão básica aí: os blaugranas não conseguem manter o mesmo nível de intensidade e concentração que o rival nas partidas contra os times pequenos. Em casa, diante de sua torcida, o Barça vai como uma avalanche. Fora, a campanha é discreta para esse nível de desempenho: 4 vitórias, 4 empates, 1 derrota (59,2%). Como comparação, o Real tem 83,3% (25 pontos em 10 jogos) como visitante. Essa diferença é tão grande que, mesmo se vencessem um confronto direto neste momento, os catalães continuariam atrás dos madridistas.

VALENCIA

Campanha: 3º lugar (35 pts, 10 V, 5 E, 4 D, 29 GP, 20 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: vaga na Liga dos Campeões
O que funcionou: dupla Jonas-Soldado no ataque
O que precisa melhorar: dependência ofensiva dessa dupla
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

O Valencia não vai brigar pelo título, e nem tem essa pretensão. Desse modo, faz uma campanha bastante competente dentro de suas possibilidades. Excetuando os jogos contra Real Madrid e Barcelona, seriam 10 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, um aproveitamento de 66,6% (ou seja, dentro da “média inglesa” – equivalente a vencer todos os jogos em casa e empatar todos fora, patamar considerado médio para brigar pelo título em uma liga equilibrada). Outra questão interessante: das três derrotas contra adversários “comuns”, duas vieram imediatamente após duelos pela Liga dos Campeões e uma veio imediatamente após um jogo duro contra o Sevilla na Copa do Rei. Sem a LC pelo caminho, talvez os valencianos consigam jogar até com mais sobra. Só precisam descobrir umjeito de fazer gols sem depender tanto das assistências de Jonas e as finalizações de Soldado. Dos 29 gols, 13 foram da dupla, outros 13 do resto do time e 3 foram contra.

LEVANTE

Campanha: 4º lugar (31 pts, 9 V, 4 E, 6 D, 25 GP, 22 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga Europa
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: fôlego de uma equipe veterana
O que precisa melhorar: talento
Reforços de inverno: Botelho (Rayo Vallecano)
Vendas de inverno: Aranda (Zaragoza), Wellington (), Héctor Rodas (Elche) e Nano (Shaanxi Baorong/CHN)

O Levante faz uma campanha notável. Chegou a ser líder por duas rodadas na primeira metade do turno, mas não despencou a ponto de sair da zona de classificação para a Liga dos Campeões. Melhor ainda: tem jogado melhor no segundo tempo do que no primeiro, algo surpreendente para uma equipe em que mais da metade dos titulares têm mais de 30 anos. De qualquer modo, é muito difícil os levantistas manterem esse nível de rendimento. Até dentro do clube a expectativa é que haverá um desgaste maior no segundo turno e os bons resultados serão mais escassos. Mas só de brigar por uma vaga em competição continental já seria uma glória para o segundo time de Valência.

ESPANYOL

Campanha: 5º lugar (28 pts, 8 V, 4 E, 7 D, 21 GP, 21 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: vaga na Liga Europa
O que funcionou: Verdù
O que precisa melhorar: precisão nas finalizações
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Kameni (Málaga) e Dátolo (Internacional/BRA)

O atacante espanyolista com mais gols no primeiro turno foi Sergio García, um atacante que mais prepara do que finaliza jogadas, com 5 gols. O segundo colocado é o veterano – e reserva – Pandiani, com… 2. Faltam melhores definidores para o Espanyol, que acaba sofrendo demais para arrancar cada vitória. Das oito, apenas duas não foram por um gol de diferença. Menos mal para o torcedor é que a defesa dá conta do serviço. O quarteto Raúl Rodríguez, Moreno, Forlín e Dìdac tem conseguido evitar contusões e suspensões em demasia (foram apenas duas somando os quatro jogadores).

OSASUNA

Campanha: 6º lugar (27 pts, 6 V, 9 E, 4 D, 22 GP, 31 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga Europa
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: Raúl García e Nekounam
O que precisa melhorar: desempenho fora de casa
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

Aí está um time que raramente decepciona a torcida. O Osasuna entrega o que promete: um jogo duro, pouco fantasioso, mas de raça e competitividade. É uma equipe que não joga bonito, e costuma ainda enfeiar o jogo do adversário. Mas é isso o que o torcedor basco exige de seus times, e os navarros não fogem disso. A dupla de volantes Nekounam e Raúl García tem sido brilhante dentro de suas limitações. O senegalês Baldé é um bom coadjuvante. Só apaga tudo isso quando se trata dos jogos contra Real Madrid e Barcelona. Estranhamente, o Osasuna pareceu nem se esforçar para atrapalhar o adversário e atuou como um time da terceira divisão. Apenas assistiu ao jogo e foi buscar a bola nas redes incansavelmente (perdeu por 8 a 0 para o Barça e 7 a 1 para o Real). Nesses dois jogos, o time tomou 15 dos 31 gols no total. Completamente fora de padrão.

ATHLETIC BILBAO

Campanha: 7º lugar (26 pts, 6 V, 8 E, 5 D, 27 GP, 23 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: vaga na Liga dos Campeões
O que funcionou: o casamento entre o clube e Marcelo Bielsa
O que precisa melhorar: rendimento no início dos jogos
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

Foi melhor do que qualquer um esperava. A união do Athletic Bilbao com o técnico Marcelo Bielsa teve resultados rápidos. Após um início de campanha lento, o time começou a entrar no esquema proposto pelo treinador argentino e o time deslanchou. Os bascos chegaram a ter uma série de 11 jogos invictos (incluindo um empate com o Barcelona) e outra de sete (que poderia ser uma de 12 não fosse uma derrota dos reservas para o Paris Saint-Germain na Liga Europa). Além disso, terminaram o primeiro turno como terceiros colocados no ranking de posse de bola (atrás apenas de Barça e Real), com média de 57%. Os bilbaínos ainda venceram cinco dos últimos seis jogos. Um desempenho para lá de consistente, com um futebol bastante convincente em todos os níveis. Quer dizer, quase. Um dos problemas do Athletic é a demora para impor seu sistema nas partidas. Os bascos marcaram apenas cinco gols na primeira meia hora dos jogos. Para efeito de comparação, o Athletic marcou 13 gols nos últimos 30 minutos das partidas.

ATLÉTICO DE MADRID

Campanha: 8º lugar (26 pts, 7 V, 5 E, 7 D, 30 GP, 27 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: vaga na Liga Europa
O que funcionou: atuações em casa
O que precisa melhorar: consistência e confiança
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Reyes (Sevilla), Diego Costa (Rayo Vallecano) e Pulido (Rayo Vallecano)

O Atlético de Madrid precisa de um analista. Não um analista tático ou de estatísticas, mas um analista psicológico mesmo. O elenco não é tão forte como a diretoria acredita ser, mas faria uma campanha melhor não fosse o comportamento bipolar da equipe. O Atlético é capaz de variar momentos de euforia por outros de depressão de um jogo para outro. Um exemplo: venceu dois jogos por 4 a 0, e depois ficou sete jogos sem vitória alguma. As poucas coisas minimamente lógicas nessa campanha são: em casa o time acaba se virando (tem a terceira melhor campanha de La Liga como mandante), fora de casa é quase sempre uma tragédia (só venceu um jogo, o último, e empatou dois) e, quando a coisa anda, Falcao García faz um caminhão de gols. Simeone chegou para mudar esse padrão. Se der certo, o time pode crescer e brigar por uma vaga na Liga dos Campeões. Se não, vai seguir em altos e baixos incompreensíveis.

SEVILLA

Campanha: 9º lugar (26 pts, 6 V, 8 E, 5 D, 20 GP, 20 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: defesa
O que precisa melhorar: fase atual
Reforços de inverno: Cala (AEK/GRE), Babá (Marítimo), Reyes (Atlético de Madrid) e Javi Hervás (Córdoba)
Vendas de inverno: Cáceres (Juventus/ITA) e Armenteros (Rayo Vallecano)

Há algumas temporadas, o Sevilla era um dos clubes mais empolgantes do futebol espanhol. Talvez o mais empolgante. Muita coisa acontecia por lá. Jovens de talento apareciam, apostas em jogadores desconhecidos davam certo, e o estilo de jogo era ofensivo e inteligente. De três temporadas para cá, o time perdeu esse fogo. E é isso que vemos agora. O Sevilla é uma equipe com algum talento, mas que não deslancha. Negredo, Kanouté e Jesús Navas são bons valores individuais, e a defesa funciona como conjunto (tanto que segurou um 0 a 0 contra o Barcelona no Camp Nou). Mas o time não sabe qual o caminho a seguir e perde o rumo com facilidade. O que preocupa mesmo é o desempenho nas últimas 12 partidas: 2 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. Nos últimos 5 jogos, foram apenas dois pontos. Claro que o Sevilla não vai ficar nesse ritmo por muito mais tempo, mas seguir assim mais algumas rodadas pode tirar o time da briga por uma vaga em competições europeias.

MÁLAGA

Campanha: 10º lugar (25 pts, 7 V, 4 E, 8 D, 22 GP, 28 GC)
Objetivo neste momento: vaga na Liga dos Campeões
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: Cazorla
O que precisa melhorar: ataque
Reforços de inverno: Kameni (Espanyol)
Vendas de inverno: Apoño (Zaragoza)

O Málaga ficou refém de suas promessas. Gastou tanto durante as férias, contratou tantos jogadores com algum nome, que criou em cima do pequeno clube andaluz a obrigação de chegar à Liga dos Campeões. Ainda é bastante possível do ponto de vista matemático, mas a verdade é que o time parece aceitar que precisa de mais tempo até se meter entre os grandes. Os malaguistas não conseguem fazer o ataque funcionar. Dos 22 gols (patamar baixo pela expectativa inicial), mais da metade surgiu de bolas paradas. Além disso, o time precisa reverter rapidamente o declínio do time. Foram apenas dois pontos nos últimos seis jogos. Só o início bom está evitando uma crise maior em La Rosaleda.

GETAFE

Campanha: 11º lugar (24 pts, 6 V, 6 E, 7 D, 20 GP, 25 GC)
Objetivo neste momento: meio de tabela
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: Miku Fedor
O que precisa melhorar: Miguel Torres
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Mosquera ()

O início de campanha do Getafe foi medonho, com uma vitória em dez jogos. Nas nove partidas seguintes, venceu cinco e entrou em seu lugar tradicional: no meio da tabela, sem preocupações muito grandes. Um fator importante para essa mudança de rumos foi o acerto da defesa. Rafa, Lopo e Masilela ganharam mais espaço, enquanto que Miguel Torres (em fase muito fraca) foi para a reserva. Com a sangria defensiva estancada, o trabalho do ataque, sobretudo do venezuelano Miku Fedor, apareceu melhor.

BETIS

Campanha: 12º lugar (23 pts, 7 V, 2 E, 10 D, 22 GP, 27 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: dupla de ataque Santa Cruz-Rubén Castro
O que precisa melhorar: estabilidade
Reforços de inverno: Paulão (Saint-Étienne/FRA) e Agra (Olhanense/POR)
Vendas de inverno: Tosic (Estrela Vermelha/SER)

Como qualquer time que vem da segunda divisão, o Betis pensa primeiro em fazer uma campanha segura para se reambientar na elite. E, apesar de a 12ª posição não ser ruim, não dá para falar que o torcedor bético está tranquilo. A trajetória do time sevilhano é caótica, com 100% de aproveitamento nas quatro primeiras rodadas, 1 ponto apenas nas dez partidas seguintes, três vitórias na sequência e mais uma derrota e um empate para fechar o primeiro turno. Qual é o Betis de verdade: o das duas séries vitoriosas ou o da longa série de derrotas? O time precisa achar um meio-termo, sob o risco de acabar se estabilizando nas derrotas e desperdiçar os pontos conquistados nos bons momentos. Outro fundamento a treinar: as finalizações. O Betis é o campeão das finalizações fora do alvo, com 10,42 por jogo. Um time de meio de tabela não pode se dar ao luxo de desperdiçar tantas oportunidades.

RAYO VALLECANO

Campanha: 13º lugar (22 pts, 6 V, 4 E, 9 D, 21 GP, 28 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: rebaixa
O que funcionou: Michu
O que precisa melhorar: situação financeira
Reforços de inverno: Diego Costa (Atlético de Madrid), Pulido (Atlético de Madrid) e Armenteros (Sevilla)
Vendas de inverno: Sueliton (sem clube), Botelho (Levante), Koke (Aris/GRE), Susaeta (Lausanne/SUI) e Jordi Figueras (Brugge/BEL)

Pela expectativa inicial, a campanha do Rayo Vallecano é bastante digna. O clube quase faliu antes do início da temporada. Tem salários atrasados e dificuldade enorme para reforçar o elenco. Conseguir a promoção na temporada passada já havia sido um milagre. Nesse aspecto, não há muito o que contestar na participação bastante aguerrida dos jogadores do terceiro time de Madri. Só precisam manter esse nível de determinação, o que não é fácil.

MALLORCA

Campanha: 14º lugar (22 pts, 5 V, 7 E, 7 D, 17 GP, 24 GC)
Objetivo neste momento: meio de tabela
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: Aouate e Ramis
O que precisa melhorar: ataque
Reforços de inverno: Ogunjimi (Racing Genk/BEL)
Vendas de inverno: nenhuma

O técnico Joaquín Caparrós não é apagador de incêndio. O Mallorca sabe disso. Quando o contratou, foi para ter um comandante capaz de montar um time com pouco dinheiro e uso inteligente das categorias de base. Isso dá certo apenas em longo prazo, e os baleares pretendem tratar essa temporada como um período de transição. Vem dando certo, mas é um time econômicos nos gols: dos 19 jogos do primeiro turno, uma equipe marcou mais de dois gols apenas uma vez (Barcelona 5×0 Mallorca). De resto, tudo se resolve com um ou dois gols. O resultado disso é uma quantidade grande de empates, que impedem que o Mallorca abre distância para a zona de rebaixamento mesmo quando consegue uma série sem derrotas.

REAL SOCIEDAD

Campanha: 15º lugar (21 pts, 5 V, 6 E, 7 D, 17 GP, 27 GC)
Objetivo neste momento: meio de tabela
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: atuações fora de casa
O que precisa melhorar: ataque
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

Considerando que a rivalidade entre Athletic e Real Sociedad nem é tão quente, quase todo mundo acharia interessante se a Real Sociedad se estabelecesse entre os times que brigam na metade de cima da tabela. Mas está difícil. O time joga um futebol duro e sem brilho, que tem funcionado muito fora de casa (surpreendente para a tradição do clube), quando o time não tem como prioridade construir o jogo. O problema é que o ataque é fraco, e some no Anoeta. Para os donostiarras subirem alguns degraus no campeonato, precisam aprender a se impor em San Sebastián.

RACING DE SANTANDER

Campanha: 16º lugar (20 pts, 4 V, 8 E, 7 D, 15 GP, 23 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: foge do rebaixamento
O que funcionou: Juanjo González
O que precisa melhorar: ataque
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Ismodes (Cienciano/PER)

Foram dois Racings que se viu na temporada. O primeiro, sob o comando de Héctor Cúper, que venceu um jogo, empatou seis e perdeu seis nos primeiros 13 jogos. E a única vitória foi contra o Betis, na fase em que os sevilhanos estavam perdendo até da sombra. Quando entrou o técnico Juanjo González, virou outra equipe. A defesa se arrumou, o time ganhou confiança e os resultados vieram. Mesmo com um ataque quase inócuo, o time conseguiu três vitórias e dois empates em seis jogos. Ainda é cedo para dizer se não se trata apenas de uma empolgação momentânea, mas o Racing teve resultados convincentes no período, como empatar com ao Athletic em Bilbao e vencer o Osasuna em Pamplona. Um caminho para manter o bom desempenho: ficar mais com a bola no pé. O Santander é o lanterna no ranking de posse de bola, com apenas 39% de média.

VILLARREAL

Campanha: 17º lugar (19 pts, 4 V, 7 E, 8 D, 18 GP, 28 GC)
Objetivo neste momento: meio de tabela
Palpite: meio de tabela
O que funcionou: Marco Rubén
O que precisa melhorar: quase tudo
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: nenhuma

Pelo elenco que (ainda) tem, é inadmissível que o Villarreal ça uma campanha tão ruim. Fez 0 ponto na fase de grupos da Liga dos Campeões e chegou a ficar seis jogos seguidos sem vitória no Espanhol. O grande problema é financeiro: o clube está no vermelho e corre a informação de que teria salários atrasados. Para piorar, a boa dupla de ataque Rossi-Nilmar sofre com contusões e a defesa está desfigurada em relação às temporadas anteriores. A situação só não é mais crítica porque Borja Valero segura o piano no meio-campo e o atacante argentino Marco Rubén tem feito uma dose aceitável de gols. De qualquer modo, há potencial para escapar do rebaixamento e ter um final de temporada sem sustos antes de promover um desmanche. Só é preciso sair logo dessa região do campeonato, antes que o desespero dificulte ainda mais uma reação. Deportivo de La Coruña sabe bem o que é isso.

GRANADA

Campanha: 18º lugar (19 pts, 5 V, 4 E, 10 D, 12 GP, 26 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: foge do rebaixamento
O que funcionou: desempenho em casa
O que precisa melhorar: ataque
Reforços de inverno: Gabriel Silva (Palmeiras/BRA) e Borja Gómez (Karpaty/UCR)
Vendas de inverno: Mollo (Nancy/FRA), Pudil (Cesena/ITA) e Campos (Universidad Católica/CHI)

O ataque é patético. Cinco jogadores (Cristiano Ronaldo, Messi, Falcao García, Higuaín e Soldado) têm mais gols, individualmente, que todo o time do Granada. Ainda assim, o time andaluz chama a atenção pelas surpresas que prega em alguns momentos. Por exemplo, foi o responsável por quebrar séries invictas de Sevilla e Athletic Bilbao, nos dois casos com vitórias fora de casa (aliás, as duas únicas do time). Outro aspecto para dar esperança aos granadistas: o desempenho nos confrontos diretos com o time do final da tabela é bom (venceu Zaragoza, Villarreal e Real Sociedad, empatou com Mallorca e perdeu apenas do de Gijón). Como confronto direto é o primeiro critério de desempate, pode ser uma vantagem para carregar para as rodadas finais. Mas esse ataque…

SPORTING DE GIJÓN

Campanha: 19º lugar (18 pts, 5 V, 3 E, 11 D, 18 GP, 33 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: rebaixa
O que funcionou: Barral
O que precisa melhorar: defesa
Reforços de inverno: nenhum
Vendas de inverno: Luis Marán (ARK Larnaca/CHP)

O Sporting de Gijón fez campanhas consistentes nas últimas duas rodadas porque a defesa funcionava. Manolo Preciado protegia o gol antes de tudo, e isso garantia muitos empates e vitórias apertadas. Mas, nesta temporada, a defesa gijonesa voltou a ser uma peneira de furos grandes. Apenas o Zaragoza sofreu mais gols. Com isso, o trabalho do ataque, que já não é magnífico (só David Barral, com sete gols, se salva), fica ainda mais complicado. Nos últimos meses, a situação se complicou, com uma série de cinco derrotas em sete jogos. Considerando a incapacidade econômica de investir em reforços, a situação só melhorará se a defesa voltar ao rendimento da temporada passada.

ZARAGOZA

Campanha: 20º lugar (12 pts, 2 V, 6 E, 11 D, 14 GP, 33 GC)
Objetivo neste momento: fugir do rebaixamento
Palpite: rebaixa
O que funcionou: nada
O que precisa melhorar: tudo
Reforços de inverno: Apoño (Málaga), Aranda (Levante), Dujmovic (Dínamo Moscou/RUS) e Obradovic (sem clube)
Vendas de inverno: Ponzio (River Plate/ARG) e Juarez (Celtic/ESC)

Não há atenuantes para a campanha o Zaragoza. O clube, que tem tradição para ficar na parte de cima da tabela, só fez dois pontos nas últimas 13 rodadas. Fora de casa, não venceu nenhuma partida. O ataque fez apenas 14 gols no primeiro turno, quase tão inofensivo quanto o do Granada. Se repetir o desempenho no returno, termina com 24 pontos e fica com a pior campanha desde 1998 (quando o Gijón fez 13 pontos, e empatado com os 24 do Málaga de 2006). A diretoria até tentou reforçar a equipe (inclusive contratando Obradovic, que estava no La Romareda na temporada passada e ficou a primeira parte da temporada sem ), mas o melhor a fazer seria dar chances a jovens para não aumentar o buraco financeiro no caso do provável rebaixamento.