Balanço da temporada – parte 2
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A decepção do rebaixado Zaragoza, a crise financeira do Levante, a tranqüilidade do Athletic Bilbao, o Getafe concentrado nas copas de meio de semana, o errático Espanyol… A metade de baixo do Campeonato Espanhol 2007/8 apresentou várias equipes que se arrastaram durante 10 meses. Ainda que algumas tenham apresentados pontos positivos.
Veja abaixo a continuação do balanço da última temporada do Campeonato Espanhol (a primeira parte está aqui).
Athletic Bilbao
Depois de duas temporadas em que teve risco do rebaixamento até as últimas rodadas, fazer um campeonato inteiro no pelotão intermediário é um alívio. Outro motivo de otimismo foi o surgimento de jovens de talento, como Susaeta e Amorebieta, e alguns sinais positivos da política de repatriar bascos que estavam espalhados pela Europa. Mas, claro, o clube ainda precisa melhorar muito para atingir um nível compatível com sua tradição.
Campanha: 11º colocado
Astro: Llorente
Revelação: Susaeta
Decepção: Del Horno
Melhor momento: seis vitórias seguidas entre 26ª e 31ª rodadas
Pior momento: uma vitória nas primeira sete partidas
Nota da temporada: 6,5
Espanyol
Foram dois times em uma temporada. No primeiro turno, o Espanyol apresentou um futebol rápido, insinuante, com um ataque letal e grandes atuações do trio Riera, Tamudo e Luis García. No segundo turno, Tamudo se machucou. E o time despencou. Inseguros, os pericos desperdiçaram vários pontos fáceis em casa e perdeu o embalo. Mesmo depois da volta de seu artilheiro, a equipe não se encontrou mais. Os pericos chegaram à metade do campeonato na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Terminaram fora até da Copa da Uefa. Um final melancólico pelo potencial demonstrado na primeira metade do campeonato.
Campanha: 12º colocado
Astro: Tamudo
Revelação: Riera
Decepção: Clemente Rodríguez
Melhor momento: série de quatro vitórias (sobre Sevilla, Deportivo, Valencia e Real Madrid) entre 5ª e 8ª rodadas
Pior momento: dez últimas partidas, sem nenhuma vitória
Nota da temporada: 4,5
Betis
Mais uma temporada decepcionante. O Betis tem se especializado em gastar como time médio-grande e jogar como pequeno. E o motivo não é difícil de entender. Mais uma vez, o clube superestimou suas possibilidades e criou um ambiente de cobrança acima das possibilidades reais do time. No segundo turno, a equipe até que melhorou. O goleiro português Ricardo, o meia chileno Mark González e o meia-atacante brasileiro Edu comandaram uma reação que levou os béticos a alguns bons resultados e uma salvação tranqüila do rebaixamento.
Campanha: 13º colocado
Astro: Edu
Revelação: Ricardo
Decepção: Odonkor
Melhor momento: vitórias de virada em casa sobre Real Madrid e Barcelona
Pior momento: derrota em casa por 3 a 0 para o Osasuna
Nota da temporada: 4,5
Getafe
O Getafe se notabilizou por iniciar muito bem as temporadas e apenas administrar a classificação no segundo turno para escapar do rebaixamento. Desta vez, foi justamente o contrário. O time começou muito mal, mas arrancou a partir da metade do primeiro turno e conseguiu se consolidar no pelotão intermediário. Com boas revelações como Granero, De la Red e Casquero, poderia ter ido mais longe no campeonato se não tivesse priorizado a Copa do Rei (foi vice-campeão) e a Copa da Uefa (quadrifinalista, sendo eliminado pelo Bayern de Munique no último minuto da prorrogação).
Campanha: 14º colocado
Astro: De la Red
Revelação: Granero
Decepção: Gavilán
Melhor momento: campanhas na Copa da Uefa e Copa do Rei
Pior momento: dois pontos nas primeiras sete rodadas
Nota da temporada: 6
Valladolid
Retornou à primeira divisão com a sensação de que tinha condições de se manter na elite. E, de fato, isso ocorreu. No entanto, a trajetória do Valladolid foi menos tranqüila do que se imaginava. O clube mostrou ter uma boa base da Segundona, com nomes como Asenjo, Sisí e Borja Valero. Só faltou um pouco mais de estabilidade. Ao mesmo tempo em que teve grande desempenho contra os grandes em casa, perdeu pontos bobos e se viu na luta contra o rebaixamento até a última rodada.
Campanha: 15º colocado
Astro: Llorente
Revelação: Asenjo
Decepção: Manchev
Melhor momento: partidas contra os cinco melhores times do campeonato (Real, Villarreal, Barça, Atlético e Sevilla) em casa, com uma vitória e quatro empates
Pior momento: derrota por 7 a 0 para o Real Madrid
Nota da temporada: 5,5
Recreativo de Huelva
Do time que realizou uma boa campanha na temporada passada, restou pouco. Marcelino foi para o Racing de Santander, Cazorla para o Villarreal, Uche para o Getafe, Viqueira para o Levante e López Vallejo para o Zaragoza. Só sobrou Sinama-Pongolle. Assim, esperava-se muito pouco do Recre, tido como favorito ao rebaixamento desde o início do campeonato. Neste aspecto, até que os andaluzes não foram mal. Com futebol aguerrido nos jogos em casa, teve um mínimo de força e espírito de competição. Mas aidna é pouco para a próxima temporada.
Campanha: 16º colocado
Astro: Sinama-Pongolle
Revelação: Cáceres
Decepção: Pampa Calvo
Melhor momento: cinco partidas sem derrotas entre 14ª e 18ª rodadas
Pior momento: derrota por 7 a 1 para o Mallorca
Nota da temporada: 5,5
Osasuna
Fez diversas apostas erradas e se deu mal. Pela base, apoio da torcida e tradição recente, o Osasuna tem condições de ficar, no mínimo, no pelotão intermediário. O que não ocorreu nesta temporada. Apesar de não ter tido momentos de grandes baixas, o ritmo dos navarros foi muito lento durante todo o ano. Assim, esteve perto do rebaixamento desde o início do campeonato, algo que se agravou com a única má fase, justamente nas rodadas finais. Não fosse a situação ainda mais crítica do Zaragoza, o Osasuna teria caído.
Campanha: 17º colocado
Astro: Plasil
Revelação: Vela
Decepção: Hugo Viana
Melhor momento: vitória por 3 a 1 sobre o Atlético de Madrid
Pior momento: série de cinco derrotas nas últimas seis partidas
Nota da temporada: 4
Zaragoza
Patético. Pífio. Para um time que investiu tanto, que tinha possibilidades de brigar por Liga dos Campeões ou Copa da Uefa, não há justificativas para o rebaixamento. O clube não soube administrar os maus resultados do início da temporada (incluindo eliminação na fase preliminar da Copa da Uefa para o Aris Tessalônica) e entrou em uma seq6uência de crises. Jogadores como Aimar e Diego Milito sumiram, reforços como Ayala se mostraram um equívoco e técnicos entraram e saíram de La Romareda com uma constância perigosa. O rebaixamento coroou uma temporada que podia ser das melhores na capital de Aragão.
Campanha: 18º colocado e rebaixamento
Astro: Ricardo Oliveira
Revelação: ninguém
Decepção: Aimar
Melhor momento: vitória por 4 a 1 sobre o Villarreal
Pior momento: derrota em casa por 3 a 0 para o Betis
Nota da temporada: 1,5
Murcia
Na volta à elite, o Murcia tinha projetos ambiciosos. Investiu relativamente bastante em reforços como Fernando Baiano e Carini e pensava em montar uma base para, em médio prazo, se consolidar como um freqüentador assíduo do pelotão intermediário. Pelo primeiro turno, os murcianos deram sinais de que poderiam atingir o objetivo. No entanto, o clube entrou em crise na segunda metade da temporada. Daí, o desespero tomou conta, chegaram muitos jogadores novos no mercado de inverno e a equipe perdeu a linha de raciocínio.
Campanha: 19º colocado e rebaixamento
Astro: Iván Alonso
Revelação: Goitom
Decepção: Pablo García
Melhor momento: vitória por 4 a 1 sobre o Valladolid fora de casa
Pior momento: série de dez partidas sem vitória entre 19ª e 28ª rodadas
Nota da temporada: 2
Levante
No primeiro turno, o clube apostou em jogadores de alguma projeção, como os italianos Riganò e Storari, e não deu certo. Ainda que o futebol apresentado fosse “apenas” ruim, a soma de resultados era péssima. Para o segundo turno, a diretoria reformulou o elenco e, considerando as turbulências,a te que o time reagiu bem. Pela campanha da segunda metade da temporada, os azulgranas poderiam ter brigado para fugir do rebaixamento até as rodadas finais. A reação só não tirou o time da lanterna pela natural desmotivação de um elenco com salários atrasados (a ponto de os jogadores decidirem fazer greve e protestos públicos).
Campanha: 20º colocado e rebaixamento
Astro: Riga
Revelação: Reina
Decepção: Arveladze
Melhor momento: vitória por 3 a 0 sobre o Almería
Pior momento: um ponto nas primeiras dez rodadas
Nota da temporada: 1,5