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Atlético mostrou força, apesar da derrota para um Barcelona ainda mais forte

Perder nem sempre é motivo para se sentir derrotado. Há quem diga que perder ensina mais do que vencer. Uma lição difícil de aceitar, ainda mais no esporte, que vive essencialmente de disputas. No futebol, também há esses momentos. Às vezes, as derrotas são significativas porque implicam uma mudança. Outras, porque mostram, contraditoriamente, que se está no caminho certo. O que se viu no Camp Nou neste sábado foi este segundo caso. O Atlético de Madrid perdeu do Barcelona por 2 a 1. Apesar disso, pode comemorar. Jogou com dois jogadores a menos uma parte importante do jogo, contra aquele que é provavelmente o ataque mais talentoso do mundo. Segurou as pontas e deu uma demonstração que brigará por cada ponto no Campeonato Espanhol.

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O Barcelona entrou na rodada como líder e ampliou a vantagem para o time de Madri para três pontos. E com um jogo a menos na tabela, o que significa que a vantagem em potencial é de seis pontos. A vantagem foi conquistada a duras penas, contra um Atlético que lutou muito no Camp Nou, mesmo com as condições desfavoráveis que surgiram ao longo do jogo.

O gol no começo, de Koke, deu uma vantagem importante a um time que sabe se defender muito bem. Não por acaso, é a melhor defesa do campeonato. Até este jogo, tinha sofrido só oito gols em 21 jogos. O placar de 2 a 1 para o Barcelona levou o time a 10 gols sofridos, uma marca que o mantém como a melhor defesa com sobras. E os dois gols sofridos acabaram sendo ainda no primeiro tempo, uma virada fruto de um grande futebol do Barcelona.

Depois do gol de Koke, aos 10 minutos, o domínio do Barça foi total. O gol de empate, porém, só saiu aos 30. A saída errada do Atlético deu a bola nos pés de Javier Mascherano, zagueiro do time, que de primeira acionou Neymar na entrada da área. O atacante brasileiro viu Alba passando pela esquerda e rolou suave para o lateral chegar à linha de fundo, fintar o zagueiro e cruzar para trás, rasteiro. Messi, bem posicionado, tocou para as redes. Chegou a 12 gols na liga espanhola.

Oito minutos depois, a virada veio. A bola começou a ser trabalhada por Iniesta antes do meio-campo, que achou Dani Alves na direita. Ainda na risca do meio-campo, o lateral acionou Luis Suárez em velocidade, nas costas da defesa, e o camisa 9 chutou por baixo do goleiro, Oblak. Os 2 a 1 estava no placar.

Depois disso que o jogo se complicou de vez para o Atlético. Aos 41 minutos, Filipe Luís deu uma entrada forte demais e foi merecidamente expulso. Diego Simeone foi obrigado a mexer e tirou Gabi para colocar o lateral Gámez. No segundo tempo, Diego Godín recebeu o segundo cartão amarelo e também acabou expulso. Eram só 20 minutos. A perspectiva, então, era de goleada para o Barcelona, com o Atlético tendo que correr com dois a menos. Mas se tem algo que o time de Simeone sabe fazer com qualidade é se defender.

Apesar da posse de bola de 67,2% para o Barcelona, o Atlético se segurou na defesa e tentava estocadas em contra-ataque para empatar o jogo. Eram raras as oportunidades. Mesmo assim, o placar final de chutes a gol foi 10 x 7 para o Barcelona. Uma diferença muito menor do que poderia se imaginar em uma situação como essa.

No final do jogo até vimos uma situação de desespero, com o goleiro Oblak indo para a área em uma cobrança de falta. Não deu para o Atlético, que saiu de campo derrotado. Apesar disso, o time mostrou brio e força. Uma luta que mostra que o Atlético irá batalhar por todos os pontos possíveis até o final. Talvez não seja suficiente. Se a derrota por 2 a 1 nesta circunstância deixou claro que o Atlético é um time muito duro de ser batido, também mostrou a força que o Barcelona tem em superar esse adversário mesmo assim.

Com tantos confrontos marcantes entre Barcelona e Atlético de Madrid nos últimos anos, dá gosto de ver um time com a força e o gigantismo do Atlético voltando a estar entre os mais fortes do país e fazendo frente aos dois times que são muito mais ricos que os demais.

Que a Espanha possa rever a sua forma de distribuir os direitos de TV e torne o campeonato ainda melhor, com mais qualidade técnica e, quem sabe, mais equilíbrio também. Por enquanto, a “Liga das estrelas”, como a própria liga se intitula, é muito mais a liga das estrelas de Barcelona e Real Madrid. Por isso, é bom ver o Atlético de Madrid competindo, cabeça a cabeça, com um time tão incrível como o Barcelona. Os catalães continuam sendo um time capaz de agradar quem gosta de futebol a cada jogo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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