Assim não dá

O Osasuna não vencia um jogo longe de Pamplona há 357 dias. Neste domingo, pela 29a rodada do Campeonato Espanhol, a previsão era que esse jejum aumentasse mais um pouco, afinal, os Rojillos enfrentariam o forte elenco do Atlético de Madrid, no estádio Vicente Calderón. No entanto, a fraca defesa dos Rojiblancos e uma apatia total do time fez com que a conta negativa do Osasuna voltasse a zero.
A goleada por 4 a 2 dos visitantes é emblemática para o Atleti. A equipe comandada pelo técnico Abel Resino se mostrou incapaz de superar um adversário que luta contra o descenso e, assim, vê aos poucos a Liga dos Campeões da temporada 2009/10 se distanciar cada vez mais. Com o resultado, os madrilenos caíram para a sexta posição, com 43 pontos, cinco a menos que o Villarreal, primeiro classificado para a LC.
Resino, inclusive, tem demonstrado não ter capacidade para ser o comandante do Atlético. Em 2009 a campanha do time é terrível. Se salvava na atual Liga dos Campeões, mas após a queda para o Porto, o Atlético se perdeu totalmente e isso é comprovado em campo.
Como já foi dito, o elenco dos Rojiblancos é bom, mesmo assim os resultados não aparecem. Contra o Osasuna, a defesa foi novamente o ponto crucial, sendo criticada até mesmo pelos adversários. Pandiani, autor de dois gols, disse que “a defesa do Atlético é fraca”. Nesta partida ela foi armada com Leo Franco no gol, o colombiano Perea pela direita e o argentino, naturalizado espanhol, Pernía pela esquerda. No centro, Pablo e Ujfalusi.
No intervalo, com o Osasuna dominando as laterais, Resino sacou Pernía e colocou o lateral-direito grego Seitaridis para tentar corrigir a marcação. Nada deu certo. A partida virou 2 a 1 e acabou 4 a 2.
Tudo isso sem falar no meio e ataque do Atlético. Forlán tem se salvado, com atuações medianas, mas sempre marcando gols. Aguero sumiu neste final de semana, não jogou absolutamente nada – ele, por sinal, levou duas goleadas em menos de uma semana, já que esteve no impressionante 6 a 1 da Bolívia para cima da Argentina. Raúl Garcia, Simão, Sinama-Pongolle, Luis Garcia… enfim, ninguém está jogando nada nesse meio campo.
Quando a diretoria rojiblanca demitiu o mexicano Javier Aguirre, esperava que Abel Resino, apesar da pouca experiência como treinador, utilizasse sua forte ligação com o clube para sacudir o elenco e atingir os objetivos, que são bem claros: vaga na próxima LC. Porém, com um futebol pobre, sem criatividade e ousadia, o Atlético se limita a partidas medíocres, com resultados pífios.
Logicamente a torcida já sentiu isso, assim, deixou de apoiar os jogadores há algum tempo. Por isso o Vicente Calderón se tornou quase uma casa hostil para o time.
Naturalmente ainda há tempo para recuperação, como esse próprio Campeonato Espanhol tem provado, após todos darem o título do Barcelona como certo e o Real Madrid conseguir se aproximar e manter a disputa ativa. Com nove rodadas por jogar, o Atlético pode recuperar o bom futebol do final do ano passado e se tornar, de novo, um pretendente à Liga dos Campeões.
Analisando hoje a situação, parece improvável que o time vá conseguir reagir. A debilidade dos adversários, porém, pode ser um fator preponderante, já que se o Atlético não consegue deslanchar, Villarreal, Valencia, Málaga e Deportivo tampouco.



