Espanha

Asensio: “Sou um privilegiado, sempre agradecerei ao Real Madrid por apostar em mim”

O sucesso de Marco Asensio no Real Madrid não se explica apenas com a bola nos pés. O ponta combina talento e estrela, algo escancarado depois de suas ótimas atuações na Supercopa da Espanha. Entretanto, o jovem de 21 anos também demonstra ter uma personalidade bastante centrada. Com respostas firmes e pouco deslumbradas, o merengue concedeu uma boa entrevista ao jornal espanhol ABC. Deixou claro o seu objetivo de seguir progredindo e honrando a camisa de seu time de coração. “Eu me encanto em trabalhar por duas coisas: por meus companheiros e por estar no Real Madrid. Eu me sinto um privilegiado”, afirmou. “Sempre agradecerei ao clube por apostar em mim”.

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Logo no início da conversa, Asensio foi questionado sobre o seu sentimento em se transformar no ‘jogador da moda’ no futebol espanhol e europeu. Não titubeou: “O que sei é que se fala na Espanha, na Europa e em todo o mundo sobre o Real Madrid. Eu entendo isso perfeitamente. O que esta equipe está fazendo causa impacto”. Além disso, agradeceu os elogios vindos de Alex Ferguson e Bobby Charlton, mas rechaçou a menção de que poderia valer 150 milhões de euros: “Sou muito jovem, mas estou no mundo do futebol profissional há um tempo e conheço como isso acontece. É positivo que pessoas com tanta história no futebol falem bem de mim, mas não me detenho nem um segundo nesses assuntos”.

Asensio também colocou o ambiente do Real Madrid como um elemento primordial para os resultados da equipe. “Uma das muitas coisas boas que o vestiário do Real Madrid tem é a competitividade. Aqui é preciso ganhar sempre, até nos treinos. E não dá para ganhar todos os treinos, porque há jogadores gigantescos. O elenco é espetacular. Um duelo entre nós poderia ser perfeitamente uma final de Champions. A cada dia se aprende algo e o teto no Real Madrid é infinito. Pressionar Karim ou Isco, tentar passar por Sergio ou Dani, receber um passe de Marcelo… Quando ao final de cada dia você repassa estas coisas, a reflexão é que aprendeu um montão e que no futebol não há limites, ao menos junto destes craques”, declarou.

Falando sobre as suas origens, Asensio não nega que a competitividade no Real Madrid moldou a sua personalidade e o seu jogo. Mas também indica uma grande gratidão à base que recebeu desde os princípios de sua carreira, em Mallorca: “Eu tenho a impressão que o futebol me moldou bem. Não quero pecar por falsa modéstia. Afortunadamente, o meu entorno familiar e o esportivo me ajudaram muitíssimo desde o início. Mas há algo que não se perde nunca. Há um futebol que se aprende e um futebol que nasce contigo. O futebol é natural, como a cor do cabelo ou dos olhos. É esse futebol sobre o qual vai construindo o seu jogo. E nunca para de construir”.

Entre as referências que teve fora do campo, Asensio ressalta a importância de Valery Karpin e Zinedine Zidane. O russo, ídolo do Celta e da Real Sociedad em seus tempos de jogador, treinou o prodígio no Mallorca. Já sobre o atual comandante, o ponta não negou sua idolatria desde a infância, independentemente da relação de trabalho atual. Classificou-o como um “gênio” e uma de suas inspirações, ao lado de Michael Laudrup.

“Cada treinador que tive trouxe algo ao meu futebol. Interiorizar os conselhos e enfocar de forma positiva é a chave. Karpin foi muito importante na minha carreira. Zidane sabe muito disso. Um gesto seu pode valer às vezes tanto quanto uma conversa sobre a parte concreta do jogo. O segredo dos conselhos não é recebê-los, mas sabê-los traduzir. Seguramente eu não soube traduzir alguns, mas penso que em linhas gerais eu mantive uma relação muito produtiva com meus treinadores”, analisou.

Por fim, Asensio apontou que não tem pressa por se tornar titular do Real Madrid, apesar de seu destaque nos últimos meses. “A verdade é que a imprensa insiste muito nesse assunto. Se há algo que o Zidane deixou claro desde o primeiro instante é que todos aqui são importantes. Se a nós mesmos isso não é uma obsessão, não entendo por que a imprensa se obsessiona”, pontuou. Cabeça no lugar que reflete bem o momento do madridismo e parece capaz de representá-lo por muito tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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