O Deportivo de La Coruña nunca foi um grande clube. Era uma força regional da Galícia, mas sem a relevância nacional de outros grandes regionais, como Betis, Sevilla, Zaragoza e Valencia. Isso mudou nos anos 90 e 2000, com os investimentos de Augusto César Lendoiro. Quando a fonte secou, a queda de rendimento e o eventual rebaixamento soaram como coisas naturais. Para não aceitar o apequenamento que o Depor queria retornar à elite rapidamente. E vai caminhando bem nesse objetivo.

Após 22 rodadas, o clube galego lidera a segunda divisão com folga. Tem 45 pontos, cinco a mais que o vice-líder Valladolid e seis a frente do rival Celta. O ex-time de Bebeto e Mauro Silva venceu as últimas seis partidas e está invicto há oito jogos. Foi ainda campeão de inverno e tem a melhor média de público com quase 150% a mais que o segundo colocado. Uma campanha de time maior que a segunda divisão, mesmo depois de um início inseguro e cheio de oscilações.

Só não digam que o Deportivo encanta. Uma marca da equipe de José Luis Oltra é ser econômica. A força está no meio-campo, que dá solidez à equipe mesmo sem um ataque dos mais produtivos na frente. Bergantiños e a revelação Juan Domínguez ficam na proteção da defesa, permitindo ao trio criativo dar personalidade à equipe. Bruno Gama é uma grata surpresa pela direita e Valerón, 36 anos, é o toque de experiência e até um elo simbó entre o Superdepor da década passada com o atual. Mas é na esquerda que está o brilho.

Andrés Guardado é o grande nome da segunda divisão espanhola nesta temporada. O mexicano é o artilheiro da equipe com oito gols, líder em assistências com cinco (seriam seis se contado um cruzamento dele que resultou em gol contra de um defensor do B) e o termômetro da equipe. Ele poderia ter números ainda mais significativos não tivesse desfalcado o Deportivo para defender o México em algumas datas-. E poderia ter ainda mais destaque na mídia espanhola se… falasse com ela. Descontente com o que considerou distorção de suas declarações sobre seu futuro em A Coruña após o rebaixamento, decidiu não falar mais com os jornalistas. Sua última na foi concedida em julho.

O desempenho do mexicano é tão bom que ofusca a falta de um atacante mais convincente. Lassad, Riki e Salomão se revezam como homem de referência na frente sem que nenhum assuma definitivamente a posição. O clube procurou um reforço para essa função no de inverno, mas não é tão fácil trazer um goleador quando se tem um orçamento de segunda divisão. O Depor passou toda a janela sem mexer no seu elenco.

Por isso, a já se prepara para mais sofrimento. A equipe ganha muitos jogos com placares apertados, e o ataque pouco produtivo é compensado pela defesa forte (a defesa é só a sétima do campeonato, mas isso se deve a um início de campanha muito ruim, chegando a perder por 4 a 0 para o Alcorcón. Mas, nas últimas oito partidas, sofreu apenas quatro gols). De qualquer modo, os torcedores parecem dispostos a apoiar. A média de público é de 24.964 pagantes. O vice-líder da Segundona nesse quesito é o Las Palmas, com apenas 10.430.

Não será fácil manter o ritmo das últimas partidas, mas a vantagem é boa o suficiente para suportar uma pequena – e natural – série de tropeços. Se o time mantiver a constância e suas peças-chave funcionarem, o Deportivo retornará à elite melhor do que estava nas últimas temporadas antes de cair.