Espanha

Arda Turan mostra que o Barcelona tem cada vez menos a cara de Guardiola

O Atlético de Madrid de Diego Simeone se caracterizou como um time de Libertadores que joga na Europa. O time é indiscutivelmente técnico, tem jogadores capazes de decidir em um lance individual, mas mais do que tudo isso, tem como principais atributos o senso coletivo e a capacidade de lutar até suas forças se esgotarem. Um dos grandes símbolos desse período foi Arda Turan, meia turco que é tão técnico quanto calado. É tão talentoso quanto é brigador. Antes de tudo, um brigador. Um perfil muito diferente do que o torcedor do Barcelona se acostumou a ver com Pep Guardiola. E isso não é ruim, é apenas diferente.

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O time de Guardiola foi histórico, conquistou não só títulos, mas admiradores pelo estilo de jogo de toque de bola envolvente e incessante e um craque capaz de quebrar qualquer defesa. Lionel Messi atingiu o nível que atua até hoje sob o comando do ex-treinador. Mas o Barcelona mudou de lá para cá. Se adaptou aos seus novos jogadores. Neymar chegou e adicionou velocidade, capacidade de finalização e um jogo um pouco mais objetivo. Quando Luis Suárez foi contratado, com uma característica de jogo ainda mais direto, se esperava que a dificuldade para encaixá-lo no time fosse grande. Ela realmente existiu, ainda mais com a sua estreia sendo adiada até outubro por uma suspensão. Mas uma vez encaixado, o Barcelona se tornou o maior ataque da história da Espanha.

Com Ivan Rakitic no lugar de Xavi, o Barcelona já tinha se tornado um time menos paciente e mais letal no contra-ataque, por exemplo, porque o meia croata é capaz de lançamentos longos e toques verticais rápidos. Se não há um controle de jogo tão preciso como tinha nos pés do espanhol, ganhou em profundidade e até em chegada na área – lembrem-se que o primeiro gol da final da Champions League foi marcado justamente por Rakitic, entrando na área.

Com Arda Turan, a tendência é que o Barça se torne um time ainda mais vertical, ao menos com ele em campo. É um jogador de talento e ofensivo, mas que trabalha muito pelo time e não tem qualquer pudor em voltar para marcar até a própria área se for preciso. É um jogador de dedicação grande e que tem uma característica que pode ser muito útil ao atual elenco do Barcelona: se sente muito confortável no papel de coadjuvante. Em um time de Lionel Messi, Neymar e Suárez e com Iniesta no meio-campo, é necessário que o jogador tenha um perfil mais tranquilo para poder atuar com tranquilidade e sem atiçar fogueiras de vaidades.

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Turan é um jogador muito menos de toque de lado e muito mais de chegada à área e lançamentos longos. Deve abastecer ainda mais os talentosos atacantes do time. A grande questão é onde encaixá-lo quando ele puder jogar (e este é um problema que trataremos a seguir). Afinal, em tese ele pode substituir tanto Rakitic quanto Iniesta no meio-campo, que normalmente tem os dois e ainda Sergio Busquets. Iniesta é um veterano, mas não a ponto de precisar ser tão poupado assim – ele tem 31 anos, ainda distante do decréscimo físico que os jogadores mais veteranos tendem a ter. Mas Turan põe pressão em todos os jogadores do meio-campo e dá uma opção incrível para o técnico Luis Enrique no banco. Só que isso só a partir de janeiro.

Este é o problema: o Barcelona só pode voltar a contratar em janeiro. Por enquanto, nesta janela que se fecha no dia 31 de agosto, o clube está proibido de registrar novos jogadores. Isto significa que a contratação, que custou € 34 milhões por cinco anos de contrato (e mais € 7 milhões variáveis de acordo com desempenho), terá que ser emprestado a algum outro clube pelos próximos seis meses. E de preferência um clube que não jogue a Champions League, porque se ele for inscrito por qualquer equipe nesta primeira metade da temporada, não poderá jogar por outra equipe na competição até o final dela. Ou seja: se ele chegar em janeiro depois de ter sido inscrito por outro clube, ficará fora do mata-mata, se o Barcelona estiver lá, como se espera que esteja.

Há especulação que ele pode ser emprestado a algum time turco, mas por enquanto não passam de rumores. O que se sabe é que Arda Turan já inclusive vestiu a camisa do Barcelona, como se vê na foto. E que ele se juntará a Neymar, Messi e Suárez para formar um time muito forte na busca pelo bicampeonato de todos os campeonatos – La Liga, Copa do Rei e Champions League. Aos 29 anos, Turan terá a chance de jogar ao lado de craques e mostrar que está bem acomodado entre eles para render como fez pelo Atlético de Simeone nos últimos anos.

Atualização, 07/07/2015, 07h59: O Barcelona tem 20 dias para devolver Arda Turan por 90% do valor. Isso para permitir que o novo presidente eleito, no dia 18 de julho, possa desistir da contratação, caso queira. É improvável, porque até foto com a camisa já apareceu, mas é uma possibilidade. 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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