Árbitro espanhol assume homossexualidade em público e não aguenta mais os insultos
Jesús Tomillero, 21 anos, tornou-se um símbolo da luta contra a homofobia no futebol espanhol, depois de assumir a sua homossexualidade publicamente, em uma entrevista ao jornal El Espanol. Trabalhando para a Federação Andaluza de Futebol, ele recebeu apoio de grupos LGBT e políticos, mas, quase dois meses depois, está cansado. Os insultos são cada vez mais frequentes.
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De acordo com o El Espanol, Tomillero anunciou na última segunda-feira à Federação Andaluza de Futebol que não exercerá mais a profissão que ama. “Isso me dói mais do que nada”, afirmou à publicação. No seu Twitter, no entanto, restringiu a aposentadoria a esta temporada, sem confirmar se a decisão vale para sempre. E realmente não há por que alguém tomar qualquer ação definitiva aos 21 anos.
En este momento mi carrera arbitral, esta temporada queda terminada!! Contras los homófobos #RojaDirectaHomofobia pic.twitter.com/mLSvSfDmoa
— Jesús Tomillero B. (@Jesustomille) May 9, 2016
O estopim foi uma partida entre juvenis do Portuense e do San Fernando Isleño, quando apitou um pênalti e começou a ouvir diversos insultos das arquibancadas. “Essa é a bicha que apareceu na televisão” foi um deles. Pior de tudo: não eram apenas idiotas isolados. O público inteiro dava risada, segundo Tomillero. “Isso foi o que mais me afetou”, conta o garçom de um café em La Línea de la Concepción, cidade no sul da Espanha, bem na fronteira com Gibraltar. Trabalha das seis e meia da manhã às três da tarde servindo as mesas.
Quando deu a primeira entrevista ao El Espanol declarando-se abertamente homossexual, Tomillero não pensava em abandonar a arbitragem. Havia tomado a decisão de ir a público depois de uma partida entre o sub-15 da segunda divisão juvenil da Andaluzia, entre Peña Madridista Linense e Mirador.
A partida corria normalmente até que o roupeiro do Peña Madridista Linense ficou irritado por causa de um impedimento e começou a protestar acintosamente. Tomillero aproximou-se e pediu para que se acalmasse, mas ele continuou. Chegou a ameaçá-lo de expulsão. Foi quando o roupeiro começou com os insultos homofóbicos e chamou o árbitro para “brigar lá fora”.
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Tomillero convocou o delegado da partida, que se negou a chamar a polícia, argumentando que o juiz “gosta de se meter em encrencas”, e seus colegas acrescentaram que Tomillero deveria era chamar os bombeiros. O roupeiro continuou com as ofensas homofóbicas até o apito final. Atiraram pedras pela janela do vestiário depois da partida, e quando o árbitro foi ver quem eram os responsáveis, encontrou jogadores de 15 anos.
O roupeiro pegou nove jogos de suspensão e foi multado em € 30 pela Federação Andaluza de Futebol, uma punição que Tomillero achou branda demais. Por outro lado, ficou feliz com o apoio que recebeu depois de dar a sua entrevista. Recebeu ligações de muitos árbitros afirmando que também são homossexuais, mas não têm coragem de fazer o mesmo. “Há milhares”, disse. “A maioria ligou para me agradecer pelo gesto e me motivar”. Em uma sexta-feira, recebeu apoio de crianças de dez anos durante um jogo e foi recebido por uma bandeira do movimento LGBT. Os diretórios locais do Podemos e do Partido Popular também manifestaram solidariedade.
O lado negativo também surgiu. Dirigentes da Federação Andaluza de Futebol pararam de cumprimentá-lo. Ele ficou mais visado pela torcida e os insultos aumentaram. Ao ponto em que Tomillero perdeu a vontade de fazer o que faz desde os 11 anos, quando apitou sua primeira partida de futebol. Tudo por causa de um bando de idiotas.


