EspanhaInglaterraLa LigaPremier League

Após dois meses de mercado, o desfecho da venda de De Gea beira o absurdo

A novela se estendeu durante os dois meses da janela de transferências. E até por mais tempo, visto que o interesse do Real Madrid começou antes disso. No entanto, a não ser que aconteça uma reviravolta muito grande, David De Gea não irá se transferir para o Santiago Bernabéu. Em uma história com contornos surreais, os merengues não conseguiram registrar a documentação do goleiro a tempo, em negociação que renderia € 30 milhões ao Manchester United e a cessão de Keylor Navas. E a explicação, ainda que não esteja clara, se concentra em uma série de trapalhadas.

VEJA TAMBÉM: As últimas transferências do fechamento da janela

A venda parecia iminente ao longo das últimas semanas, ainda que faltasse bater o martelo. De Gea não estava jogando e já tinha manifestado o seu interesse em sair. O Manchester United, apesar das grandes atuações do goleiro na temporada passada, também tinha interesse em repassá-lo rapidamente, com apenas um ano restante de contrato e a renovação descartada. Bastava acertar valores e condições. O que realmente arrastou a negociação, até que os detalhes e a confirmação ficassem para a última hora.

Acertado o valor e a inclusão de Navas, faltava pouco tempo para ratificar a transferência. Segundo a imprensa espanhola, o Real Madrid já tinha preparado até mesmo o Santiago Bernabéu para a apresentação – as famosas caixas de som estavam lá. Só que, aí, um clube põe a culpa no outro. Os Red Devils dizem que o Real atrasou com sua parte, enquanto os merengues também afirmam que os documentos que vieram da Inglaterra tinham erros. A ponto de, durante algum tempo, o jornal espanhol As afirmar que o problema foi no formato do arquivo que o United enviou à Espanha. Soa como amadorismo puro.

VEJA TAMBÉM: Passo a passo, veja como foi o fechamento do mercado de transferências 2015/16

Já durante a madrugada na Europa, os principais veículos espanhóis (As, Marca e El País) apresentaram a mesma explicação para o caso. Algumas mudanças no contrato de Keylor Navas fizeram o United segurar os papéis de De Gea até que tudo fosse acordado com o costarriquenho. Quando o acerto veio, os ingleses mandaram os documentos à liga espanhola. Porém, a entidade só teria recebido estas informações à 0h28, 29 minutos após o aceitável. Ainda assim, o Real Madrid tentará provar junto à Fifa que os Red Devils mandaram os arquivos às 23h59, o que viabilizaria a transferência. Uma postura desesperada em meio a tantos problemas.

Caso a história realmente não mude de rumos, o Real Madrid se prejudica sem o novo goleiro, mas nem tanto. Keylor Navas possui qualidade e, ainda que as conversas deixem claro que ele não é o preferido no Bernabéu, pode muito bem manter a meta bem guardada durante os próximos meses. Isso sem contar a alternativa de Kiko Casilla, vindo do Espanyol. Bem pior é a situação do Manchester United. Sem clima em Old Trafford, dificilmente De Gea jogará, com o questionável Romero como titular – embora ainda exista um dia para tentar alguma contratação na Inglaterra. E, se as tratativas não forem retomadas em janeiro, ele sairá de graça dos Red Devils. Muito provavelmente, para defender os merengues, sem Navas ou os € 30 milhões nas contas. Mais uma vergonha da diretoria comandada por Ed Woodward, em que já tinha perdido nesta janela Pedro e Otamendi para rivais diretos na Premier League. Enquanto isso, muitas das carências do elenco de Louis van Gaal seguem sem solução.

No mais, a sucessão de falhas e indecisões de ambas as partes será lembrada por um bom tempo. O Real, depois de indicar a desistência, voltou atrás de última hora (segundo nota oficial divulgada pelo clube nesta terça, pela abertura só ter sido dada pelos ingleses no último dia). Enquanto o United segurou o quanto pôde e talvez fique de mãos vazias. Os últimos dois meses tiveram 89.280 minutos, mas 29 podem ter feito a diferença. Nem parece que são dois dos maiores clubes do mundo. Pior, não parece nem mesmo que são clubes profissionais.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo