Muricy está convicto que o melhor modo de parar o Barcelona é atacá-lo. O adversário que deixar o Barça jogar terá muitos problemas porque o gol sairá em algum momento. José Mourinho discorda. Ele já tentou atacar o time catalão, e perdeu por 5 a 0. Desde então, parar o rival é a política prioritária do Real Madrid. Mas algo pode acontecer diferente no superclássico deste sábado.

Na entrevista coletiva, o auxiliar Aitor Karanka disse que o time jogará no 4-3-3. Os três atacantes seria, Di María, Cristiano Ronaldo e um entre Benzema ou Higuaín. E os três de meio-campo? Apesar de dizer que Özil (em má fase) e Kaká (fisicamente inseguro e com histórico ruim contra o Barcelona, depois de atuação apagada no jogo de volta da LC passada) são candidatos às vagas, a imprensa espanhola considera provável a escalação de três volantes. No caso, Lassana Diarra, e .

A projeção dos jornalistas é pertinente. Desde o 5 a 0 do primeiro turno do Espanholão, o Real conseguiu emparelhar com o Barcelona. Foram seis jogos, com uma vitória madridista, três empates e duas derrotas. Todos jogos muito apertados e disputados e com uma característica em comum: o Real Madrid ocupou bem o meio-campo e quebrou o ritmo da troca de passes do Barça, mas sofreu quando precisou fazer seu próprio jogo.

O motivo foi evidente: Mourinho povoou o meio-campo e sua equipe ficou forte na marcação, mas sofria na saída de bola. No entanto, alguns dados mostram como ele já encontra caminhos para que o Real comece a jogar. A posse de bola retrata bem. No empate por 1 a 1 no segundo turno do último Campeonato Espanhol, os merengues tiveram apenas 23,6% de posse de bola. Na da Copa do Rei (que o Real venceu na prorrogação), o número caiu para 20,5%. Nas semifinais da Campeões, começou a subir: 23,2 e 31,3%. O ápice veio nas duas partidas pela Supercopa da Espanha desta temporada, com 40% (uma façanha contra o time de Guardiola).

O trauma dos 5 a 0 começa a enfraquecer porque o Real acha que está perto de ter o antídoto ao jogo barcelonista. Com três volantes, um de muita marcação e dois com alguma técnica, é possível bloquear o futebol do rival e é nisso que aposta a imprensa espanhola. Até porque o empate não seria uma tragédia em Chamartín. Os merengues manteriam três pontos de vantagem e jogariam uma grande pressão sobre o Barcelona até o reencontro, marcado para 21 de abril.

Ainda é preciso, porém, resolver a tal saída de bola. Lassana Diarra (mais rápido na cobertura que Pepe) pode dar mais liberdade para Khedira e Xabi Alonso saírem, mas Di María e Cristiano Ronaldo teriam de voltar muito para se tornarem os armadores também. A articulação entre os dois volantes e os dois atacantes abertos será fundamental para o sucesso madridista na partida. Até porque, se jogadas saírem, explorarão as costas dos laterais barcelonistas, dois pontos vulneráveis da defesa catalã neste início de temporada.

Mas, mesmo se não trouxer nenhuma surpresa de última hora, o Real Madrid entra no clássico deste sábado como favorito. A equipe está ainda mais sólida que na temporada passada, e ainda se beneficia de alguma fragilidade barcelonista – em parte por desgaste momentâneo do jogo, em parte por um aparente relaxamento após tantas vitórias – nas últimas semanas. E, já que o futebol espanhol (e europeu) tem ficado tão concentrado no Barcelona, seria muito bom se o Real Madrid crescesse ainda mais como ameaça efetiva a todos os títulos que ambos disputarem. Duopólio é chato, mas é melhor que monopólio.