
A imprensa espanhola está longe de ser conhecida por sua parcimônia. Pelo contrário. Enquanto parte dos jornais da capital dá apoio ao Real Madrid, os periódicos catalães defendem a causa do Barcelona. E assim vai, mesmo nas publicações regionais, enquanto ninguém esconde a torcida pela seleção espanhola. Nesta semana, entretanto, o Marca passou dos limites e acabou causando a fúria de Joaquín Caparrós, técnico do Granada.
“Só peço que não passem por cima de nós”, estampava a manchete do jornal, atribuindo a frase a Caparrós. O problema é que o treinador negou que tenha realmente dito aquilo. E protagonizou uma coletiva furiosa, rasgando em pedaços o jornal.
“Cada vez a experiência me diz que não devo ler a imprensa e nem escutar nada, e assim o faço. Mas quando há uma manchete como esta… Vocês acreditam que eu possa ter dito isso? De que forma posso eu motivar meus jogadores e minha torcida? As pessoas que me conhecem sabem que nem para meu pai, que está no céu e é a pessoa que eu mais amo, eu não entrego nada, e se quer tem que passar por cima de mim. Eu tenho muitíssimos anos no futebol e me irrita que me façam esse tipo de manchete”, afirmou Caparrós.
Obviamente, privilegiar um clube não é exclusividade da imprensa espanhola. Mas inventar uma declaração desta forma passa de todos os limites. Até mesmo de ética jornalística.



