Espanha

And the Oscar goes to…

Os catalães têm uma relação estranha com a seleção espanhola. Eles ficam com olhar meio blasé, fingem que não é com eles, mas não conseguem esconder que torcem por ela na hora H. Isso pôde ser visto no Mundial de 2006, quando a Espanha fez uma boa campanha na primeira fase, e, principalmente, nas comemorações pelas ruas de Barcelona após o título da Eurocopa.

Os meios de comunicação da Catalunha refletem esse caráter. Cobrem a seleção espanhola, mas não tiram um dos olhos do Barcelona, mesmo quando se trata da Copa do Mundo. Isso ficará muito claro neste ano. Ao mesmo tempo em que se falará muito do time de Del Bosque, não há como ignorar que o Barcelona tem eleições presidenciais em 13 de junho. Mais que isso, eleições em que o atual mandatário não pode concorrer. Ou seja, haverá obrigatoriamente um novo mandachuva em Les Corts.

O legado de Joan Laporta é polêmico. Não se pode contestar os resultados esportivos desde 2003, quando assumiu o comando blaugrana. No futebol, o Barça venceu um Mundial, duas Ligas dos Campeões, quatro Campeonatos Espanhóis e uma Copa do Rei. No basquete, levou uma Euroliga, uma Liga ACB (Campeonato Espanhol) e duas Copas do Rei. No hóquei em patins, conquistou dois Mundiais, três Copas da Europa, cinco Campeonatos Espanhóis e duas Copas do Rei. No handebol, foram uma Copa da Europa, uma Liga Asobal (Campeonato Espanhol) e três Copas do Rei.

O problema é fora de campo. Laporta foi eleito com um projeto de modernidade, ousadia e vínculo com a Catalunha. Com os resultados esportivos, foi ganhando poder e inimigos na mesma medida. Brigou com aliados históricos (alguns deles são candidatos a sua sucessão), foi suspeito de espionagem de dirigentes, teve pedido de impeachment e termina o mandato com a marca de autoritarismo, diminuição da influência dos sócios e uma clara intenção de entrar na política catalã.

Os candidatos na eleição do dia 13 reflete esse cenário. No programa de governo de nenhum deles está incluído um rompimento com o modelo esportivo. Guardiola deve ser mantido qualquer que seja o vencedor, o que explica seu silêncio. O mesmo vale para o trabalho nas categorias de base. Além disso, não há casos tão claros de candidatos prometendo contratações à imprensa, como ocorre fartamente no Real Madrid. Os jornais catalães falam em Fàbregas, Tevez, Fernando Torres, Arshavin, Mascherano, Agüero, Alexandre Pato e Robinho (pelo Ibrahimovic), mas não há uma relação tão direta entre reforços e futuro presidente.

No entanto, o discurso de todos inclui termos como “devolver o clube aos sócios”, “recuperar as origens do barcelonismo” e “realizar uma administração transparente”. Os ex-aliados de Laporta ainda falam em “voltar ao espírito original da gestão anterior”. Tudo denota a insatisfação de muitos grupos de sócios com o modus operandi de Laporta. A exceção é Jaume Ferrer, candidato de situação.

A briga será entre sete candidatos, mas três se destacam (todos de personagens que estiveram ao lado de Laporta em 2003). Ferrer, como representante do atual presidente, e Sandro Rosell, que articula politicamente há três anos e surge como nome mais forte de oposição. Marc Ingla corre como azarão, tentando atrair os eleitores que ficam no meio do caminho entre os dois lados.

Veja abaixo quem são os candidatos à presidência do Barcelona.

Agustí Benedito

Quem é: fez sua carreira profissional com a rede de concessionárias de automóveis da família. Hoje, é consultor de patrimônio familiar. No Barcelona, acompanhou o grupode Laporta de 2003 a 2009, quando se demitiu após suspeita da participação de Laporta na negociação da venda do Mallorca.
O que promete: Nada muito diferente do que o clube faz atualmente, mas reforça o caráter catalão do clube.

Alexis Plaza

Quem é: executivo hoteleiro, tem apenas 27 anos. É bisneto de um dos fundadores do Barcelona, chegou a trabalhar como gandula no Camp Nou e tenta formar uma chapa que atraia os sócios mais jovens.
O que promete: Diversas medidas de marketing inovadoras, como ações para torcedores de outras regiões da Espanha.

Jaume Ferrer

Quem é: Candidato oficial de Joan Laporta. É atual diretor de handebol, mas já foi vice-presidente de marketing e de patrimônio. Fora do esporte, é consultor de gestão de empresas.
O que promete: Continuar com o projeto atual do Barcelona, sobretudo na aposta nas categorias de base.

Jaume Guixà

Quem é: fez sua carreira na política barcelonista por meio das peñas (espécie de fãs-clubes fora da cidade-sede do clube). É advogado e arquiteto técnico (profissão ligada à engenharia civil, não é arquitetura como se entende no Brasil).
O que promete: construir um novo ginásio de esportes, não vender o Mini Estadi e acabar com o que considera falta de transparência da gestão Laporta.

Marc Ingla

Quem é: empresário de telecomunicações, foi vice-presidente de marketing e de esportes de Laporta. Trabalhou diretamente no contrato de televisão do clube, bem como na contratação de Guardiola. Foi incluído no pacotão de diretores que se demitiram em 2008, quando Laporta sofreu voto de censura a pedido de um sócio.
O que promete: manter as linhas básicas da gestão Laporta, mas fazê-lo com mais democracia e transparência.

Sandro Rosell

Quem é: ex-diretor de marketing da Nike na América Latina, tornou-se amigo pessoal do alto comando da CBF e de Ronaldinho. Como vice-presidente esportivo do início da gestão Laporta, ajudou a levar o gaúcho a Les Corts. Brigou com o atual mandachuva e se tornou principal nome da oposição.
O que promete: o discurso não é tão inovador. Tem imagem moderna e diz recuperar os valores que Laporta teria abandonado durante sua administração. Fala em remodelação do Camp Nou (o projeto já estava previsto pela atual diretoria) e reforçar a força dos sócios. No futebol, promete oferecer contrato de seis anos a Guardiola e intensificar o investimento nas categorias de base.

Santi Salvat

Quem é: Entra na eleição como candidato do grupo “Terceira Via”, liderado por Josep María Minguella, empresário de jogadores que tentou a presidência blaugrana em 2003. Nome novo na política barcelonista, se escora nos ilustres aliados.
O que promete: As propostas se concentram em dar mais voz aos sócios, inclusive com a possibilidade de ajudarem em decisões importantes para o clube. Em campo, fala em dar mais poder a Guardiola.

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Equipe Trivela

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