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Um James bancaria seis anos de Di María, mas Ancelotti ainda acha que argentino pediu muito

Vai levar algum tempo para que tanto Di María quanto as pessoas no Real Madrid deixem de ser perguntados um sobre o outro. Desta vez, quem teve de falar (mais uma vez) sobre a saída do argentino do clube foi o técnico dos merengues, Carlo Ancelotti. Seguindo o discurso vindo da diretoria, o italiano afirmou que o Real não pode alcançar as cifras pedidas por Di María para uma renovação salarial. Obviamente, ninguém fala em valores publicamente, então fica difícil analisar qual lado está mais certo nessa história. Mas analisando o quanto ganha o argentino no Manchester United, que o contratou na última janela, e o quanto custou o colombiano James Rodríguez ao Real, em que tem jogado no lugar antes ocupado por Di María, fica difícil cair nessa história.

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Em entrevista à rádio Cadena Cope, Ancelotti deu a entender que tudo o que interessava para o camisa 7 era o aumento salarial: “O Di María pediu muito dinheiro e preferiu sair para encontrá-lo. Eu estava de acordo com o clube. Há vezes em que o clube precisa dizer não. Não dá para mudar a política de um clube por um jogador. O clube não pode dá-lo o dinheiro que ele queria. Dizem que eu sou um treinador de clube. É claro, eu treino para o clube, não para os jogadores”.

Seja lá quanto for “muito dinheiro”, é difícil ficar do lado do clube nesse caso. Ancelotti tem toda a razão em dizer que treina para o clube e que jogador algum pode passar por cima da política de uma agremiação. Mas você consegue mesmo imaginar que Di María tenha pedido um valor absurdo? Lembrando que se trata de um time que faz pelo menos uma contratação bombástica por ano. Um clube que tem justamente como política contratar estrelas de que muitas vezes não precisa. Uma equipe que foi atrás de James Rodríguez por € 80 milhões.

Agora vamos a algumas contas. No Manchester United, Di María tem recebido semanalmente £ 200 mil, cerca de € 251 mil. Isso, por ano, dá cerca de € 13 milhões. Bastante dinheiro, é verdade, mas com os € 80 milhões da contratação de James, o Real poderia bancar mais de seis anos desse salário. Considerando que, obviamente, o colombiano também ganha uma bolada, é difícil a transação fazer sentido mesmo financeiramente. Tem vários outros fatores a serem levados em conta aí, é verdade, como o aumento de fãs na Colômbia, a venda de camisas (quem sabe James não seja uma figura mais midiática?), mas, por cima, dá para descartar esse argumento do salário. No final, o argentino tinha um ótimo potencial para ser vendido, tanto é que saiu por € 74 milhões, e o Real precisava de alguém para bancar seu estilo de ação no mercado.

Mesmo que os pagamentos que Di María estivesse exigindo fossem altos demais, é preciso avaliar o jogador que os pede. O argentino havia sido o grande jogador da decisão contra o Atlético de Madrid, da sonhada conquista da Décima, na Champions League. Cresceu significativamente nas últimas temporadas e era um dos maiores coadjuvantes do futebol mundial (e isso porque joga ao lado de caras como Cristiano Ronaldo e Bale). Em vez de valorizar essa figura, preferiram apostar em outra apenas pelo brilhantismo de algumas partidas na Copa.

A política de Florentino Pérez é essa, e ele próprio já admitiu publicamente. Gosta de presentear a torcida com grandes craques, contratações astronômicas, demonstrações megalomaníacas de poder. Por isso aquela equipe, melhor do mundo na temporada passada, começou um tanto quanto desmantelada na nova campanha. Começa a se acertar e a dar resultados novamente, afinal é difícil não fazer um time com tantos craques não funcionar. Mas que vender Di María sempre terá sido um erro, isso terá. E tentar jogar o atleta contra a torcida apenas para aliviar a barra das consequências da decisão não parece legal – embora recorrente nas gestões de Pérez.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).
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