Espanha

Ancelotti afasta treinar seleções porque não gosta de “trabalhar três vezes por ano”

O técnico do Real Madrid afirmou que ainda gosta demais do trabalho no clube no dia a dia e que teve a chance de comandar a Itália em 2018

As grandes seleções europeias são, no geral, comandadas por técnicos novos ou experientes, mas a hora de Carlo Ancelotti ainda não chegou. E talvez nunca chegue. Em uma declaração que provavelmente vai incomodar os treinadores de times nacionais, Ancelotti, 62, afirmou que não acha agradável a natureza do trabalho.

“Pensei às vezes em ir para uma seleção, mas eu gosto do dia a dia. Pude ir à Itália em 2018. Até que esse chipe mude na minha cabeça, não vou a uma seleção. Não gosto de trabalhar três vezes por ano. Se passar essa vontade pelo dia a dia, paro”, disse, segundo o Marca, lembrando que esteve na comissão técnica da seleção italiana em 1994.

O momento citado por Ancelotti foi antes da contratação de Roberto Mancini, que acabou levando a Itália ao título da Eurocopa, mas não conseguiu vaga na Copa do Mundo de 2022 – a segunda seguida que não terá a participação da tetracampeã mundial.

Ancelotti estava no Everton antes de aceitar retornar ao Real Madrid, pelo qual está próximo de conquistar mais um título espanhol. “Era a única equipe para a qual não poderia dizer não. Se fosse qualquer outra, teria ficado no Everton. Estava muito bem ali. Se o Real Madrid estiver feliz ao fim da temporada, acredito que continuarei feliz, como agora”, disse.

O Real Madrid enfrentará o Chelsea nesta terça-feira pelo jogo de volta das quartas de final da Champions League, após ter vencido por 3 a 1 em Stamford Bridge. O técnico dos Blues, Thomas Tuchel, tem dado declarações bastante pessimistas sobre as chances do seu time, mas Ancelotti, em outra entrevista, à Sky Sports da Itália, afirmou que os espanhóis não podem achar que já venceram.

“(A vitória no jogo de ida) pode ser um resultado perigoso se acharmos que a maior parte do trabalho está feito. Fizemos muito na primeira perna e precisamos fazer a mesma coisa (na segunda). Jogamos bem na primeira metade, precisamos fazer o mesmo na segunda”, explicou.

Karim Benzema marcou três vezes em Stamford Bridge, e Ancelotti comparou a versão do atacante francês que encontrou nesta segunda passagem com a de sete ou oito anos atrás. “Eu acho que ele tem mais confiança em si mesmo. Ele se sente mais importante, mas ainda é humilde. Apesar de ser um dos melhores jogadores do mundo, ele continua humilde, e isso faz diferença”, disse.

“O futebol muda e jogadores evoluem. Benzema é um atacante para o futebol moderno, o melhor atacante no futebol moderno. Ele não apenas marca, ele ajuda o time e é muito importante. A presença desses campeões ajuda os jovens também”, completou.

O Real Madrid venceu o Getafe no fim de semana e chegou a 72 pontos em 31 rodadas do Campeonato Espanhol. O Barcelona, em segundo lugar, tem 60 em 30 jogos.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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