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Ainda mais fulminante, o Real Madrid demoliu o Barcelona no Bernabéu

Uma bola perdida foi a chave para o lance perfeito do Real Madrid. Os merengues criaram um contra-ataque de manual na jogada do terceiro gol. Isco roubou a bola, Cristiano Ronaldo deslocou os marcadores, James Rodríguez deu o passe açucarado e Benzema finalizou com maestria. Participação de todos os jogadores mais avançados da equipe no golpe fatal. O tento que decidiu a vitória de virada sobre o Barcelona por 3 a 1, para delírio do Santiago Bernabéu. E que resume muito da força deste Real de Carlo Ancelotti.

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Os madridistas ficaram apreensivos durante boa parte do primeiro tempo. Afinal, do outro lado havia um ataque estrelado e uma defesa que ainda não havia sofrido gols em La Liga. Para preocupar ainda mais, bastaram três minutos para que Neymar abrisse o placar, enquanto a pressão dos merengues não se convertia em gol. Era tudo uma questão de tempo. Porque, a partir do momento em que o Real Madrid igualou o placar, teve o jogo em suas mãos. E venceu de maneira incontestável, diante da forma como o Barcelona se desmontou no segundo tempo.

Luis Enrique não quis esperar para lançar sua grande arma no jogo. Podendo entrar em campo pela primeira vez desde a mordida em Chiellini na Copa do Mundo, Luis Suárez foi escalado como titular no ataque, ao lado de Messi e Neymar. Do outro lado, porém, Ancelotti não queria cautela. Manteve a confiança em seu time titular, sem reforçar o meio-campo, como se imaginava. O único desfalque era Bale, substituído por Isco, com James mais solto para atacar.

Bastaram três minutos para que o Barcelona de Suárez deixasse boa impressão. Uma boa jogada do uruguaio abriu o caminho para Neymar fazer o primeiro gol. O clássico começava com uma intensidade imensa, os dois lados atacando bastante. E o empate era negado ao Real Madrid por centímetros. Os que faltavam para Benzema completar o chute em cheio, ou para que se arremate passasse ao lado da trave sem esbarrar nela. Os gigantes se alternavam no ataque, e um novo gol não seria surpreendente para qualquer um deles.

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A defesa do Real Madrid aparecia muito bem encaixada. Por mais que Suárez se movimentasse, tinha poucos espaços para criar. Da mesma forma que Neymar e Messi eram anulados na hora dos arremates. Quando o camisa 10 apareceu livre, parou em uma defesaça de Casillas. Que deu tranquilidade para os merengues empatarem pouco depois. Piqué foi imprudente ao cortar um cruzamento e colocou o braço na bola. Pênalti, que Cristiano Ronaldo converteu e encerrou os 754 minutos sem sofrer gols de Claudio Bravo em La Liga.

O Barcelona até poderia ter retomado a vantagem. Mas se desmontou depois que o Real Madrid tomou a dianteira no placar. A bola parada, sempre ela, foi a vilã dos blaugranas e Pepe virou o jogo de cabeça, com uma facilidade imensa. Com o jogo nas mãos, os madridistas só levariam susto outra vez em chute de longe de Mathieu, que Casillas salvou. E o contra-ataque perfeito do terceiro gol matou os catalães.

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Os 30 minutos finais do clássico foram um banho do Real. Não só taticamente, em que o meio-campo do Barcelona parecia um enorme corredor para os contragolpes dos anfitriões. Mas também na vontade. Mascherano era o único que se entregava na defesa, se esforçando nos carrinhos para evitar que a goleada tomasse forma no placar. James, Isco e Benzema iam demolindo os adversários. Mesmo Cristiano Ronaldo, em um início de temporada tão prolífico, não precisou ser fantástico em uma excelente atuação coletiva de sua equipe. Contou também com a colaboração de Messi do outro lado, muito distante de seu brilhantismo.

O Barcelona segue na liderança de La Liga. Entretanto, apenas um ponto à frente do Real Madrid. Mesmo perdendo Di María, a equipe de Carlo Ancelotti parece cada vez mais madura para buscar mais títulos nesta temporada. E o clássico deste sábado foi emblemático pela forma como os merengues foram muito mais organizados do que os blaugranas. Um resultado que reitera a confiança sobre a equipe, ainda mais pela forma como se impôs sobre os rivais.

Destaque do jogo

Karim Benzema. O centroavante foi o pulmão do ataque e quem mais chamou a responsabilidade para buscar a virada, bombardeando a defesa blaugrana e também criando espaços para os companheiros. O terceiro gol coroou a ótima atuação, embora pudesse balanças as redes antes. Destaque também para Isco, que ajudou a dominar o meio-campo e foi aplaudido de pé ao ser substituído.

Momento-chave

A defesa de Iker Casillas, aos 30 minutos do primeiro tempo. Lionel Messi teve grande chance para ampliar a diferença no placar, sozinho na grande área. Porém, o goleiro salvou milagrosamente com as pernas, desviando o chute para escanteio. Embora tenha jogado mal neste início de temporada, foi um dos grandes responsáveis pela vitória no clássico.

Os gols

4’/1T – GOL DO BARCELONA! Inversão de bola de Luis Suárez para Neymar na ponta esquerda. Ao melhor estilo de Messi, o brasileiro ajeita a bola duas vezes, sob a marcação passiva de Carvajal, e finaliza com precisão. Sem chances para Casillas.

35’/1T- GOL DO REAL MADRID! Cruzamento na área que Piqué intercepta com o braço dentro da área. Pênalti, que Cristiano Ronaldo converte, deslocando Claudio Bravo.

5’/2T – GOL DO REAL MADRID! Escanteio pelo lado direito do ataque. Toni Kroos cruza em direção à segunda trave e nenhum dos nove defensores do Barcelona na área pula. Sozinho, Pepe arremata de cabeça e Bravo tem pouco a fazer.

16’/2T – GOL DO REAL MADRID! Iniesta e Mascherano se atrapalharam na jogada e deram espaço para o contragolpe merengue. Isco roubou a bola, Cristiano Ronaldo ajeitou e James deu a assistência precisa. Na cara do gol, Benzema chutou cruzado para marcar.

Curiosidade         

Fazia tempo que o Real Madrid não ganhava de virada um clássico por La Liga. A última vez tinha sido em outubro de 1988, com triunfo por 3 a 2 no Bernabéu. O mito Hugo Sánchez anotou o primeiro gol dos merengues naquele jogo. Os blaugranas eram treinados por Johan Cruyff e tinham Gary Lineker no ataque.

Ficha técnica

REAL MADRID 3×1 BARCELONA

Local: Estádio Santiago Bernabéu, em Madri
Árbitro: Jesús Gil Manzano
Gols: Neymar, 4’/1T; Cristiano Ronaldo, 35’/1T; Pepe, 5’/2T; Karim Benzema; 16’/2T
Cartões amarelos: Daniel Carvajal e Cristiano Ronaldo (Real Madrid); Gerard Piqué, Andrés Iniesta, Lionel Messi e Neymar (Barcelona).
Cartões vermelhos: Nenhum

Real Madrid
Iker Casillas, Daniel Carvajal, Sergio Ramos, Pepe e Marcelo; Toni Kroos, Luka Modric (Álvaro Arbeloa, 44’/2T) e Isco (Asier Illarramendi, 34’/2T); James Rodríguez, Karim Benzema (Sami Khedira, 42’/2T) e Cristiano Ronaldo. Técnico: Carlo Ancelotti.

Barcelona
Claudio Bravo, Daniel Alves, Javier Mascherano, Gerard Piqué e Jérémy Mathieu; Sergio Busquets, Xavi (Ivan Rakitic, 15’/2T) e Andrés Iniesta (Sergi Roberto, 27’/2T); Luiz Suárez (Pedro, 24’/2T), Lionel Messi e Neymar. Técnico: Luis Enrique.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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