Espanha

Ainda forte

Amistosos de seleções valem cada vez menos. Não há mais aquela sensação de que o valor moral da vitória tem peso grande, e os caminhos que levam ao placar final nem sempre são os comuns. Mas os 5 a 0 da Espanha sobre a Venezuela não devem ser desprezados. Não pelo marcador em si – ainda que, hoje, fazer 5 a 0 nos vinotintos seja significativo –, mas pelos sinais positivos que vieram da partida de La Rosaleda.

Desde que foi campeã mundial, a Espanha dava avisos contraditórios. O estilo de jogo está consolidado, e os resultados dos clubes que servem de base à Furia dão certeza de que há muita capacidade técnica à disposição de Vicente del Bosque. No entanto, as partidas da seleção espanholas não foram convincentes, e alguns resultados até deram motivos de preocupação.

2010
México 1×1 Espanha
Liechtenstein 0x4 Espanha*
Argentina 4×1 Espanha
Espanha 3×1 Lituânia*
Escócia 2×3 Espanha*
Portugal 4×0 Espanha

2011
Espanha 1×0 Colômbia
Espanha 2×1 República Tcheca*
Lituânia 1×3 Espanha*
Estados Unidos 0x4 Espanha
Venezuela 0x3 Espanha
Itália 2×1 Espanha
Espanha 3×2 Chile
Espanha 6×0 Liechtenstein*
República Tcheca 0x2 Espanha*
Espanha 3×1 Escócia*
Inglaterra 1×0 Espanha
Costa Rica 2×2 Espanha

2012
Espanha 5×0 Venezuela

Obs.: com asterisco, os jogos oficiais

Nas Eliminatórias da Eurocopa, os espanhóis passaram com folga, vencendo todas as partidas, marcando 26 gols e sofrendo apenas 6. Os adversários, porém, não foram dos mais fortes – República Tcheca, Escócia, Lituânia e Liechtenstein – e fica difícil estabelecer um parâmetro. Nos amistosos, o desempenho foi bem pior. Em 2010, no semestre seguinte ao título mundial, a Espanha perdeu por 4 a 1 da Argentina e 4 a 0 de Portugal. Em 2011, sofreu para ganhar do Chile, empatou com a Costa Rica e perdeu de Itália e Inglaterra. Tudo amistoso, é verdade, mas tantos tropeços não podem ser apenas coincidência.

Um problema que já se identificava era a ausência de um goleador. Desde que Fernando Torres esqueceu como fazer uma bola de futebol encostar em uma rede e David Villa deixou de ser um jogador mais de área, a Espanha ficou órfã de um artilheiro. Na Copa do Mundo isso já foi um problema, pois a dependência de Villa ficou grande e o time acabou vencendo cinco de seus sete jogos por um gol de diferença. O toque de bola, marca dessa geração, foi (ou ainda é) até acusado de ser improdutivo.

Outra questão foi a falta de motivação dos jogadores em alguns desses amistosos. Contra Costa Rica e Chile, o time jogou burocraticamente. Contra Itália e Inglaterra, não elevou o nível de rendimento do modo exigido quando se enfrenta potências internacionais, ainda que ambas estejam em crise. Contra Argentina e Portugal, o time simplesmente parecia fraco.

Nesta quarta, os dois fatores pareceram menores. A Espanha jogou de verdade, com determinação, como se tivesse de provar algo. Como se tivesse de provar, na reta final antes da Eurocopa, que ainda é a campeã mundial e europeia. Além disso, teve em Soldado um artilheiro, um jogador que serviria de destino para as tabelas dos meio-campistas. E, como bônus, teve uma atuação brilhante de David Silva, jogador fundamental na Eurocopa que perdeu espaço nos anos seguintes e, nesta temporada, tem sido o grande nome do Manchester City.

O fato de ter vencido por 5 a 0 é o de menos. O importante foi a atitude da Espanha, a produção goleadora de Soldado e mais uma grande atuação de Silva. Com isso, a Furia passou um memorando a toda a Europa: quem quiser tirar o bi dos espanhóis terá de jogar muito. O time que perdeu de 4 de Argentina e Portugal não existe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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