e parecem ter sido feitos um para o outro. O técnico é catalão, formou-se como jogador e, depois, como treinador no clube blaugrana. O Barça deu a oportunidade para ele implementar suas ideias, que não por coincidência também são as ideias do clube, para se tornar vencedor. Não há por que acabar com esse casamento. Não há, mas esse relacionamento passa por um momento de incerteza.

Começa a causar algum incômodo o fato de o contrato do técnico terminar no final desta temporada e ainda não haver acerto para sua continuidade. Até seria um fato trivial – e não inédito nessa passagem de Guardiola pelo banco barcelonista – se, no final de 2011, o presidente Sandro Rosell tivesse afirmado de que tudo estaria acertado verbalmente e seria questão de tempo para oficializar a renovação.

A demora em sair o que supostamente seria apenas uma assinatura causa estranhamento. Do lado catalão, alguma apreensão sobre o que poderia estar acontecendo em uma relação tão frutífera. Do lado madridista, alguma exaltação pela possibilidade de esse momento mágico do Barcelona estar perto do fim (e o Marca até publicou um artigo com dez fatores que estariam atrapalhando essa negociação).

De fato, Guardiola teria motivos para ter reservas com a diretoria barcelonista. O técnico foi contratado por Joan Laporta, e foi muito político ao evitar polêmicas no processo eleitoral que levou Rosell (ex-aliado, hoje inimigo declarado de Laporta) ao poder. Além disso, o treinador é cria de Johan Cruyff, amigo do ex-presidente e desafeto do atual.

Por isso, é compreensível se Pep desconfiar do comprometimento da atual direção culé com seu trabalho. Apoiar enquanto o time vence tudo é fácil, mas… e se o Barcelona perder o Campeonato Espanhol (provável) e a Liga dos Campeões (ainda incerto) para o ? O nível de excelência técnica de seu Barcelona criou um nível de exigência igualmente alto. E ele sabe que só é possível mantê-lo por muito tempo se houver cumplicidade de todos os lados. Ainda mais considerando que a situação financeira do clube não é exatamente de bonança.

De qualquer modo, ainda não há motivo para tratar o assunto com tanta preocupação (barcelonista) ou alegria (madridista). As dúvidas que podem pipocar na cabeça de Guardiola dificilmente seriam fortes o suficientes para ele deixar Les Corts. Mas justificam um cuidado maior do técnico para assinar o novo contrato. E, como ainda estamos em fevereiro, há tempo de sobra para ele pensar no assunto.