O Deportivo de La Coruña já não vive as glórias do passado. Campeão espanhol em 1999/00, o clube galego também foi vice-campeão nas duas temporadas seguintes. Um nível bem distante das condições atuais da equipe, que vem sofrendo com os problemas econômicos e foi rebaixada duas vezes nos últimos três anos. E, por pouco, o Depor não foi ao abismo durante esta semana.
Preparando-se para disputar a segundona em 2013/14, o time não foi rebaixado para a terceira divisão por muito pouco. A diretoria tinha até o dia 31 de julho para quitar uma dívida de € 10,9 milhões com os jogadores, ou seria punida com novo descenso. O pagamento só foi feito nos últimos minutos do prazo, graças a um abatimento da dívida, por uma brecha da justiça. Os galegos estarão na segunda divisão, mas não têm margem alguma à tranquilidade.
O pagamento, avaliado em menos de € 3 milhões, foi feito à Associação de Futebolistas Espanhóis. Ou seja, a dívida era sustentada junto aos jogadores, o que já demonstra uma deterioração na relação interna. Ainda assim, os líderes do elenco foram a público demonstrar seu apoio às ações da diretoria e à salvação do clube. Os atletas aceitaram até mesmo esperar pelo dinheiro, para que o Deportivo pudesse cumprir seus prazos com a burocracia.
Além disso, os conflitos dentro da diretoria são bastante expostos e há uma pressão pela saída do presidente Augusto César Lendoiro. Os credores que ajudaram com o dinheiro para a salvação já manifestaram sua desconfiança com a gestão do dirigente e, com a faca e o queijo na mão para interferir no cotidiano do clube, querem sua saída após 25 anos no poder.
Que mude o presidente e os credores se satisfaçam, nada indica que o Deportivo saldará suas dívidas e voltará a ser um grande clube espanhol. O clube acumula um déficit de € 156 milhões e só não declarou falência por conta da brandura das autoridades espanholas com a situação caótica dos clubes – uma discrepância tremenda diante da crise vivida no país. “Se fosse pelos bancos, pelo Ministério da Fazenda e pelos credores, o Depor estaria agora na terceira divisão”, avalia o goleiro Dani Aranzubia. Uma história centenária que ainda beira o precipício.



