Espanha

Abre o olho, Espanha

Derrotas ensinam mais que vitórias. Foi esse o ditado – clichê, mas que não deixa de ser válido – que consolou os espanhóis após cair ante os Estados Unidos nas semifinais da Copa das Confederações. Afinal, não se duvidava que a Espanha era e continuava sendo muito superior aos norte-americanos, mas precisava entender o porquê daquela derrota. Assim que descobrisse o motivo da desclassificação, encontraria alguma vulnerabilidade que deveria ser sanada para a Fúria continuar como a seleção em melhor momento do mundo.

Pois bem. A derrota foi digerida, todos viram naquilo uma lição e ninguém entrou em crise. Na primeira partida oficial pós-Copa das Confederações, a Espanha fez uma de suas melhores apresentações. Ganhou por 5 a 0 de uma Bélgica que pode até estar (e está) decadente, mas ainda tem talentos suficientes para não tomar uma goleada desse tamanho.

A grande arma na partida contra os belgas foi a dupla David Silva e Villa. Com o entrosamento de quem atua junto há anos por seleção nacional e Valencia, ambos comandaram as ações defensivas e saíram de campo com dois gols cada (Villa ainda perdeu um pênalti).

Nesse aspecto, vale ressaltar a evolução de Silva. Uma das principais figuras da Espanha na Eurocopa, o meia valencianista veio de temporada apenas regular, minada pela desorganização de seu próprio clube. Contra a Bélgica, ele foi obrigado a chamar o jogo. Com Marcos Senna contundido, Vicente del Bosque colocou Xabi Alonso e Busquets como dupla de volantes, um pouco recuados, fazendo que Xavi e Silva tivessem de concentrar a responsabilidade de armação (Fàbregas entrou apenas no segundo tempo).

Tudo muito bom para os ibéricos, mas já há motivos para preocupação. O fato de o futebol envolvente, leve e técnico ter reaparecido mostra que a Espanha é, realmente, a única seleção que vive fase tão boa quanto o Brasil neste momento. Ou seja, se a Copa do Mundo fosse antecipada de junho de 2010 para setembro de 2009, seriam essas duas equipes as favoritas.

O problema é que os espanhóis já acreditam piamente nisso. O simples fato de golear a Bélgica já serviu para apagar da mente de torcida e imprensa todos os erros que levaram a Fúria a perder do frágil Estados Unidos. Por exemplo, que a equipe de Del Bosque ainda tem dificuldade contra adversários que tenham um jogo muito pesado e, principalmente, que ainda é uma novidade para a seleção espanhola entrar em campo como favorita.

Até junho de 2010, outras seleções como Alemanha, Itália, Inglaterra, Holanda e até as ameaçadas Argentina e França podem – e algumas conseguirão – evoluir. A Espanha precisa estar preparada para isso. Se ficar acomodada no excelente futebol que tem apresentado, abre as portas para uma surpresa desagradável.

Sempre a mesma ladainha

Você, leitor, fosse presidente do Barcelona, trocaria Messi por Robinho? Ou gastaria € 40 milhões no brasileiro, que é reserva do Manchester City e passou pelo Real Madrid sem sucesso? Difícil. Mas é o que a imprensa espanhola noticia. Como também noticia que o Real ainda pensa em Ribéry (mesmo tendo 389549876 jogadores ofensivos), que Florentino Pérez assediou Piqué, que o Barcelona assediou Robben, que Guardiola já negocia renovação de contrato etc etc etc.

Ainda não deu uma semana do fechamento da janela de transferências e a imprensa espanhola já está em polvorosa com especulações. Claro, o fato de a semana ser dominada por partidas de seleções contribui para a falta de assunto nas páginas dedicadas aos clubes nos jornais. Mas também é verdade que se tornou um vício.

Há alguma coisa de verdade por trás disso? Provavelmente, um pouco. Talvez o Barcelona contrate Robinho, mas jamais o fará pagando € 40 milhões ou liberando Messi ao Manchester City. Talvez Ribéry retorne aos planos madridistas no futuro. Mas não deixa de ser diz-que-diz.

Esse costume é cultural, e tem muita relação com o modo impulsivo como o torcedor espanhol se comporta (como o brasileiro, comprar jornal nem sempre é costume. É preciso algo bombástico e positivo sobre seu clube para fazê-lo). O que não serve de desculpa.

No momento, Barcelona e Real Madrid (principalmente o segundo) precisam mesmo é montar seus times desta temporada. Já falar em reforços não deixa de ser a aceitação que os elencos atuais são falhos. Ou fugir do assunto principal.

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Equipe Trivela

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