Espanha

A vitória sobre o Benfica permitiu que o velho Casillas milagreiro ressurgisse do esquecimento

Durante os últimos anos, Iker Casillas fez prevalecer a imagem do goleiro que não transmite segurança. Os frequentes erros fizeram a torcida do Real Madrid, que antes o cultuava, pedir sua saída. E mesmo no Porto, onde recebeu a chance de recomeçar, o espanhol não vinha recebendo muitos elogios. As falhas se repetiam à medida que o veterano evidenciava uma falta de motivação. No entanto, as pesadas críticas da imprensa parecem ter incentivado Casillas a responder no maior palco possível em Portugal: diante do líder Benfica, em pleno Estádio da Luz. O goleiro teve uma atuação monumental para garantir a vitória dos portistas por 2 a 1.

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A semana de Casillas já não tinha sido boa. Distanciando-se dos líderes, o Porto havia perdido em casa para o Arouca, com um gol dos adversários logo nos primeiros segundos. E recaíram mais reclamações sobre o espanhol, tendo à sombra o ídolo Helton no banco. Mesmo a noite em Lisboa não começara tão promissora, com Mitroglou abrindo o placar logo aos 18 minutos, em um lance no mano a mano com o goleiro – que, desta vez, não pôde ser visto como culpado. Entretanto, os portistas tiveram forças para buscar a virada diante das arquibancadas encarnadas. Graças a Casillas.

Héctor Herrera e Vincent Aboubakar fizeram o serviço no ataque. Que só prevaleceu graças aos milagres atrás. O camisa 12 operou quatro defesas espetaculares para segurar o melhor ataque do Campeonato Português. E não apenas os chutes dos adversários, já que a mais difícil delas veio em fogo-amigo, evitando o gol contra de Bruno Martins Indi. Depois de 14 jogos seguidos de invencibilidade no Campeonato Português, sendo 13 vitórias, o Benfica voltou a perder. Resultado que brecou a arrancada dos líderes e ainda colocou os portistas de volta à briga pela taça, somente três pontos atrás – embora o Sporting possa abrir seis neste sábado.

A vitória, porém, se faz ainda mais importante para Casillas. Primeiro, para mudar a impressão que vem deixando nos últimos anos. Sobretudo, para superar a própria insegurança em si. Aos 34 anos, o goleiro ainda tem idade para render bastante. E, mesmo sem a explosão do passado, não pode atribuir a queda técnica apenas à questão física. Com um pouco de confiança, o camisa 12 já demonstrou capacidade para se superar. Para voltar a ser aquele que, em tempos de “Zidanes” no ataque, realmente permitia as vitórias merengues diante da defesa de “Pavones”. Casillas justifica seu lugar entre os melhores da história não só por números, mas também por lances como os repetidos nesta sexta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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