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A ótima lembrança de Zidane em seu mais importante clássico como jogador do Real Madrid

Entre os tradicionais rumores surgidos na imprensa ávida por manchetes, até chegaram a colocá-lo no Barcelona em meados de 2001. Porém, restavam poucas dúvidas que o futuro de Zinedine Zidane seria blanco a partir do segundo semestre daquele ano. O craque francês atravessava anos maravilhosos com a Juventus e com os Bleus. Surgia como o grande negócio possível para ratificar a política de Florentino Pérez no Real Madrid dos Galácticos. A contratação de Zizou quebrou o recorde de transferência mais cara da história e se manteve soberana por oito anos. Um investimento de resultados inegáveis, especialmente pela instituição que Zizou se tornou no Estádio Santiago Bernabéu.

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Neste sábado, Zidane fará o seu primeiro duelo contra o Barcelona como técnico. E já com um fardo grande, após o vexame sob as ordens de Rafa Benítez no primeiro turno do Campeonato Espanhol. No entanto, a experiência no clássico em seus tempos de jogador é favorável ao francês. Em 11 aparições em campo, o camisa 5 conquistou quatro vitórias e sofreu três derrotas para os blaugranas. Só que a vantagem do craque aumenta quando se recorda que, diante dos próprios rivais, ele pavimentou o caminho de seu maior sucesso em Madri: a conquista de La Novena, o título da Liga dos Campeões de 2001/02.

Real Madrid e Barcelona se cruzaram nas semifinais daquela Champions. E, se já contavam com um elenco mais renomado, os merengues reforçavam o seu favoritismo pelo mau momento vivido pelos blaugranas. O Barça ocupava apenas posições intermediárias em La Liga e atravessava uma renovação sensível no elenco. Enquanto isso, o Real vinha em ascensão por seus reforços estelares, enquanto tinha enorme tarimba no torneio continental, depois de erguer a taça duas vezes nas quatro edições anteriores. De qualquer maneira, a supremacia precisava se provar em campo. Zidane teve papel primordial nesta missão.

O sucesso começou dentro do próprio Camp Nou, em 23 de abril de 2002, num ambiente marcado também pelas bandeiras e gritos em prol da independência da Catalunha. O Barcelona de Carles Rexach contava diversos nomes de destaque, mas distante de se comparar à força dos adversários. O 11 inicial refletia a herança dos tempos de Louis van Gaal, com a presença marcante de holandeses como Frank de Boer, Marc Overmars e Patrick Kluivert. Enquanto isso, também havia a abertura para muitos jovens que não vingaram como o esperado, a exemplo de Saviola, Geovanni e Fábio Rochemback. Entre os mais veteranos, inclusive, estava Luis Enrique – embora Rivaldo, lesionado, fosse desfalque. Já o Real Madrid contava com a base que Vicente del Bosque ajudou a consagrar na história do clube. Raúl, Makélélé, Guti, Roberto Carlos e Hierro eram outros destaques na equipe titular daquela noite.

Zidane destoou. Atuando como vértice ofensivo no 3-4-1-2 do Real Madrid, o camisa 5 não teve boa aparição na primeira etapa, mas na volta do intervalo tratou de orquestrar os contra-ataques merengues. Aos 10 minutos do segundo tempo, recebeu ótimo lançamento de Raúl e arrancou. Saiu de frente para Bonano e deu um leve toque por cobertura, abrindo o placar com um belo gol. E a significativa vantagem se garantiu a partir de dois substitutos, quando Flávio Conceição serviu Steve McManaman e o inglês definiu o triunfo por 2 a 0. Naquele momento, o trabalho já parecia encaminhado para o reencontro no Bernabéu.

Recheando o seu meio-campo e contando com o retorno de Luís Figo ao time, após cumprir suspensão, o Real Madrid não deu brechas dentro de casa. E outra vez Zidane teve um papel decisivo no resultado, dando a assistência para o chutaço de fora da área de Raúl, que abriu o placar aos 43 minutos do primeiro tempo. Logo no início da etapa complementar, um gol contra de Iván Helguera cedeu o empate por 1 a 1, mas nada que amedrontasse os madridistas. A superioridade se manteve firme até o apito final e garantiu a classificação à decisão. Já em Glasgow, Zidane viveu o seu momento mais célebre com a camisa blanca, ao acertar o voleio certeiro que assegurou a vitória por 2 a 1 e deu a taça da Champions ao Real.

Zidane manteria a invencibilidade diante do Barcelona até abril de 2004. Naquele momento, contudo, o futebol espetacular dos galácticos se perdia, ao mesmo tempo em que os próprios blaugranas começavam a se restabelecer. No penúltimo clássico de Zizou, em novembro de 2005, o craque viu de bem perto a afirmação de Ronaldinho Gaúcho, aplaudido pelo Bernabéu após a vitória por 3 a 0. Uma lembrança amarga, que talvez motive ainda mais o francês para o reencontro deste final de semana. Como técnico, Zidane pode ter mais influência sobre o jogo de xadrez que se desenha em campo. Por outro lado, o Real Madrid não conta mais com aquele monstro que se transformava em jogos decisivos. Fazia a diferença, como o clássico mais importante de sua trajetória deixou marcado.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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