Espanha

A importância da base

Ter uma categoria de base decente é quase obrigação dos clubes brasileiros. Não apenas pelo dinheiro que se pode fazer vendendo as revelações para a Europa, mas por isso ajudar a dar sustentação aos elencos. Como raras vezes os clubes daqui podem contratar dois times, é bom poder usar atletas formados em casa. É só ver os problemas crônicos de Palmeiras e Botafogo em ter bons bancos de reservas. Na Europa, a realidade é diferente. As grandes equipes podem contratar jogadores para montar três times. O que não significa que não haja espaço para um trabalho “caseiro”. O Barcelona provou isso na última semana.

Os blaugranas tinham duas partidas decisivas em casa, pela Liga dos Campeões e no Campeonato Espanhol. Um par de tropeços poderia criar um princípio de crise no Camp Nou, mas as partidas serviram para ratificar uma das virtudes do clube: a capacidade de usar jogadores formados em sua cantera sem deixar de ter um dos elencos mais fortes do mundo.

Na terça, contra a Internazionale, os dois gols vieram de jovens formados em Les Corts: Piqué (que chegou a sair do clube e voltar) e Pedro. No domingo, contra o Real Madrid, a vitória surgiu em uma jogada de Daniel Alves concluída por Ibrahimovic. Dois não-espanhóis, contratados por dezenas de milhões de euros. Mas, não se deixe enganar pela aparência, os culés só venceram o Real Madrid porque puderam contar com Piqué e Puyol na defesa.

O duelo foi bastante equilibrado e o Real Madrid surpreendeu pela ousadia e confiança (algo que nem sempre existe nos clássicos disputados na Catalunha). Aliás, em alguns momentos os madridistas tiveram o domínio das ações e criaram oportunidades para abrir o marcador ou para empatar a partida. Isso não ocorreu, e o mérito foi principalmente da dupla de zaga, que nem se destaca pela força física, mas por velocidade, entrosamento e dedicação em campo.

Ambos foram criados dentro do Barça. Piqué ainda deu uma saída quando era adolescente, passando por Manchester United e Zaragoza, mas retornou. Custou alguns milhões ao clube, mas a falha dos catalães foi tê-lo deixado sair. Puyol já é capitão do time e se tornou um símbolo do clube em campo. Aos dois defensores se somam jogadores como Xavi, Pedro, Bojan, Valdés e Sergio Busquets.

Por mais que a diretoria tenha investido milhões em Ibrahimovic, Daniel Alves e Henry, e tenha ido até a Argentina buscar Messi, o que permitiu à equipe de Guardiola superar a semana com cabeça em pé foram as pratas-da-casa. E são eles que fazem o Barça ser mais que um amontoado de 11 jogadores milionários, mas um time com estrutura e elenco para estar entre os melhores da Europa.

Real Madrid: motivos para satisfação

Não tem jeito, perder um clássico e a liderança é sempre ruim. Mas o ânimo do Real Madrid após a derrota para o Barcelona não era dos piores. Os jogadores e o técnico Manuel Pellegrini estavam estranhamente satisfeitos. Até a imprensa madrilena parecia conformada e relativamente otimista. E faz sentido. O Real era líder e poderia colocar o Barcelona em situação complicada se vencesse, mas a verdade é que ninguém estava convencido com o futebol que os blancos vinham apresentando.

No Camp Nou, o Real Madrid talvez tenha feito sua melhor partida na temporada. Higuaín ficou no ataque, com Kaká armando pelo meio, Cristiano Ronaldo caindo pela direita e abrindo espaço para Marcelo ser escalado como ala. O time ganhou fluidez pelos dois lados do campo, e ainda tinha um meia de criação que joga bem pelo meio e um centroavante brigador e com razoável técnica para ficar na referência.

Outro fator fundamental foi a confiança que o retorno de Cristiano Ronaldo deu ao time. Ainda que seja precipitado falar em “Ronaldodependência”, a ideia de que o Real Madrid precise do português tem um efeito psicológico nos demais jogadores. Com sua presença, a equipe ganhou corpo e entrou em campo realmente acreditando em uma vitória sobre o atual campeão europeu. Não deu, mas isso se deveu muito ao desempenho da defesa blaugrana.

Para um time que ainda está enrolado na Liga dos Campeões e não engrena no Campeonato Espanhol, jogar bem contra um adversário forte é quase tão importante quanto os três pontos. Se a atuação deste domingo foi uma mostra do que o Real fará, a temporada pode ser boa em Chamartín. E isso foi reconhecido, mesmo com a derrota.

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Equipe Trivela

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