O Atlético de Madrid alcançou um sucesso estrondoso sob o comando de Diego Simeone. Foi campeão espanhol, quebrando a hegemonia dos dois gigantes, e chegou duas vezes à final da Champions League. Baseou-se bastante na forte defesa, o que continua sendo um pilar da equipe, mas apresentou um repertório curto no ataque. Na temporada 2013/14, a mais brilhante, levava perigo basicamente na bola parada e nos contra-ataques de Diego Costa. Com a saída do íbero-brasileiro, Griezmann tornou-se a principal válvula de escape. Nas últimas janelas de transferências, Simeone trabalhou para tentar corrigir essa deficiência e, até aqui, a ideia de um Atlético mais ameaçador vem se concretizando. A goleada por 7 a 1 sobre o Granada, neste sábado, é símbolo disso.
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Em oito rodadas do Campeonato Espanhol, o Atlético de Madrid já marcou 21 gols e tem o segundo melhor ataque da competição, atrás do Barcelona (26) – o Real Madrid, com 16, ainda joga nesta rodada. Simeone, que chegou ao clube em dezembro de 2011, está no começo da sua quinta temporada completa pelo clube. Nas quatro anteriores, a essa altura de La Liga, conseguiu alcançar essa marca apenas na temporada do título (2013/14), quando também fez 21 tentos nas oito primeiras partidas. Nas outras, anotou apenas 12 (2015/16), 14 (2014/15) e 19 (2012/13). Com exceção da campanha campeã, terminou o campeonato sempre na casa dos 60 gols, bem longe das marcas centenárias de Real Madrid e Barcelona. Na atual edição da liga nacional, já tem um terço desse total.
Para tentar montar um time que marca mais gols, sem abrir mão da solidez defensiva – segue intransponível, com apenas três gols sofridos em La Liga -, Simeone foi ao mercado em busca de opções melhores. Torres consegue ser útil mesmo sem ser um grande artilheiro. Jackson Martínez e Luciano Vietto não deram certo e já foram embora. Kevin Gameiro e Nico Gaitán acabaram de chegar e ainda estão se adaptando, mas têm tudo para ajudarem bastante. Carrasco, por outro lado, cresceu bastante de crescimento.
O belga fez três gols neste sábado, contra o Granada, a primeira tripleta de um jogador colchonero no Campeonato Espanhol desde dezembro de 2014, quando Griezmann também alcançou o feito. Ele também colocou uma bola na rede, essa bem decisiva, na vitória sobre o Bayern de Munique pela Champions League. Tem quatro tentos, apenas um a menos que em toda a temporada anterior, mas, além dos números, vem se mostrando um jogador importante e participativo para o time de Simeone. Foi sete vezes titular em dez partidas da equipe até aqui.
Para o Atlético de Madrid, mais que buscar um jogo vistoso, a importância de vencer com certa folga é se desgastar menos em partidas teoricamente burocráticas do Campeonato Espanhol, sem precisar correr todos os segundos com aquela intensidade que já conhecemos muito bem, guardando energias para os grandes duelos. Nesta temporada, já conseguiu golear o Celta de Vigo (4 a 0) e o Sporting Gijón (5 a 0). Ainda falta ser mais regular. Fez, porém, um trabalho muito bom contra o Granada, a primeira vez que os colchoneros fazem sete gols na liga nacional desde novembro de 2013, quase três anos atrás, quando aplicaram 7 a 0 no Getafe.


