Espanha

A geração sub-21 da Espanha é ótima, mas precisa ter paciência

O domínio da seleção espanhola já não se resume mais apenas ao elenco principal. Enquanto Xavi, Iniesta, Casillas e Cia dominaram as duas últimas edições da Eurocopa, os mais jovens repetem o feito no Campeonato Europeu Sub-21. A Fúria sobrou na competição disputada em Israel e, de maneira irrepreensível, bateu a Itália por 4 a 2 na decisão. Prêmio para uma geração que brilha há algum tempo, mas ainda busca seu espaço com Vicente Del Bosque.

Dos 23 jogadores utilizados pelo técnico Julen Lopetegui no torneio, apenas quatro já foram convocados para a seleção principal: David De Gea, Iker Muniain, Isco e Thiago Alcântara. O número é relativamente baixo, inferior apenas ao da Alemanha no torneio. O que não diminui a qualidade de La Rojita, que apresentou até mesmo um estilo de jogo mais objetivo e menos enfadonho que o tradicional “tiki-taka” da equipe adulta.

Autor de três gols na decisão, Thiago foi o maior destaque. Um dos cinco remanescentes do título de 2011, o meio-campista vestiu a camisa 10 e a braçadeira, liderando o comportamento do time em campo. Se não está na seleção principal, o problema é da forte concorrência no setor onde atua. Algo que também se aplica ao Barcelona e que pode acelerar sua saída do Camp Nou. Por não ter disputado 60% dos jogos com os blaugranas na última temporada, sua multa rescisória foi reduzida para € 18 milhões, atraindo olhares de outros grandes clubes, como Manchester United.

Da mesma forma, Isco não tem tantas chances na equipe de Vicente Del Bosque. E o meia, um dos nomes mais cobiçados no atual mercado de transferências, tem mais motivos para se preocupar do que Thiago, mesmo gastando a bola. Enquanto o jogador do Barcelona espera brechas entre os experientes Xavi e Xabi Alonso, os concorrentes do atleta do Málaga são mais jovens, como Juan Mata, David Silva e Santi Cazorla. De Gea, por sua vez, é quem pode se manter mais esperançoso, especialmente pela queda de nível de Pepe Reina.

Já entre aqueles que nunca foram convocados, o objetivo parece ser outro. Especialmente para Álvaro Morata, artilheiro da competição com quatro tentos. O atacante já tinha feito ótimas apresentações com o Real Madrid durante a temporada e agora tem a credencial necessária para solicitar ainda mais espaço no time merengue. A possível saída de Gonzalo Higuaín pode ser essa brecha.

Martín Montoya é ótima aposta para a lateral direita do Barcelona e fez boa competição, consolidando-se como sucessor de Daniel Alves no clube. Também entre os melhores da competição, Koke e Asier Illarramendi já possuem rodagem no elenco principal de Atlético de Madrid e Real Sociedad. Passam agora a também atrair atenção do exterior, diante da inegável debandada que acontece entre os clubes médios do país.

A forma como o título no Campeonato Europeu Sub-21 veio é a maior prova da qualidade dessa geração. No entanto, dificilmente ela terá a sorte da Alemanha campeã em 2009, que forneceu seis jogadores ao time que disputou a Copa do Mundo de 2010 – entre eles, Mesut Özil, Sami Khedira e Jérôme Boateng. Sem dúvidas, as perspectivas são boas aos espanhóis. O que não significa sucesso imediato na seleção principal.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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