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A falta de coragem do Atlético é o que perpetua o tabu no dérbi

“Hoje sim!”, pensou a torcida do Atlético de Madrid. O jejum contra o Real Madrid, na vida real, já teria matado os colchoneros de fome há muito tempo. O último triunfo aconteceu em outubro de 1999, quando Hasselbaink comandou o Atleti dentro do Estádio Santiago Bernabéu. Dois gols do holandês e outro de José Mari na vitória por 3 a 1, contra um poderoso adversário que contava com Redondo, Raúl, Morientes, Seedorf e Roberto Carlos.

Naquela mesma temporada, o Atlético foi rebaixado à segunda divisão. E, desde que voltou, nunca mais conseguiu festejar um dérbi madrilenho. Antes do jogo deste sábado, eram 24 encontros, com 18 vitórias do Real Madrid e seis empates. Hoje era o dia. Talvez nenhuma dessas oportunidades tenha sido tão boa como agora. Dentro de casa, disputando posição na tabela com os rivais e contra um time recheado de reservas. Não deu. O tabu chegou a 25 confrontos.

O Atlético até pareceu próximo de curar a chaga. Abriu o placar com quatro minutos, graças ao artilheiro Radamel Falcao García. Cedeu o empate um pouco depois, mas continuou melhor em campo, incomodando o goleiro Diego López. Não foi eficiente nos arremates. E, em uma desatenção da defesa, Ángel Di María decretou a virada no placar. Que nem diante da pressão dos rojiblancos pôde ser alterado.

A fase recente da equipe de Diego Simeone não é tão primorosa. São apenas quatro vitórias nas últimas dez partidas. Independentemente disso, o Vicente Calderón precisava ver uma equipe empenhada, incisiva. E foi. Contra o Real Madrid que tinha em campo apenas Sami Khedira e Diego López de titulares. José Mourinho poupou até mesmo Cristiano Ronaldo, que tinha se ausentado de apenas dois jogos em toda a temporada, mas foi tirado do time por precaução, após sentir lesão contra o Borussia Dortmund.

Se vontade não faltou ao Atlético, o problema do time foi coragem. Para peitar o Real Madrid de igual para igual e decidir quando tivesse oportunidade – não titubear, como aconteceu com os colchoneros e não com os merengues. O Atlético se inferiorizou e, como vem acontecendo desde 1995/96, deve terminar La Liga abaixo dos rivais, que abriram seis pontos de vantagem na segunda colocação.

O saldo é bastante positivo aos merengues. Não apenas por manter a sequência no dérbi, mas principalmente por refazer o moral depois da derrota para o Borussia Dortmund e por poder adiar o provável título do Barcelona mais algumas vezes. Aos rojiblancos, resta absorver a lição até dia 17, quando os madrilenhos se reencontram na decisão da Copa do Rei. Ou as vaias ouvidas ao fim do jogo de hoje se repetirão, de forma ainda mais dolorida, 26 vezes pior.

Formações iniciais

campo AtlxReal

Destaque do jogo

Álvaro Morata. Di María pode ter decidido o clássico, ao participar diretamente dos dois gols, mas ninguém aproveitou melhor a oportunidade do que o atacante de 20 anos. Atuando aberto pela esquerda, o camisa 29 foi o jogador de sua equipe que mais recebeu a bola. Finalizou duas vezes, deu combate e roubou seis bolas. Errou passes demais, mas, pelo empenho, merece ganhar mais minutos em campo.

Momento-chave

O gol perdido por Gabi, aos 11 minutos do segundo tempo. Diego Costa fez o trabalho de pivô e deixou o capitão em ótimas condições de marcar. O meio-campista, no entanto, errou o alvo e desperdiçou a oportunidade de fazer 2 a 1. Sete minutos depois, Di María virou o jogo.

Os gols

4’/1T – GOL DO ATLÉTICO DE MADRID! Cobrança de falta na intermediária para os colchoneros. Após levantamento de Koke, Diego López solta a bola dentro da área. Diego Godín pega o rebote e cruza para Radamel Falcao García completar de cabeça.

13’/1T – GOL DO REAL MADRID! Falta na lateral de campo. Ángel Di María cobra em direção à área, a bola desvia em Juanfran e sai do alcance de Thibaut Courtois.

18’/2T – GOL DO REAL MADRID! Bola longa que os merengues ganham a sobra, pegando a defesa do Atlético desarrumada. Karim Benzema enfia para Ángel Di María bater cruzado, no canto.

Curiosidade

O Real Madrid é a primeira equipe a conseguir ganhar sete partidas seguidas no Vicente Calderón. E José Mourinho é o primeiro técnico dos merengues a vencer os rivais três vezes fora da casa.

Ficha técnica

ATLÉTICO DE MADRID 1X2 REAL MADRID

 atletico de madrid escudo Atlético de Madrid
Thibaut Courtois, Juanfran, Miranda, Diego Godín e Filipe Luís; Raúl García (Adrián, 26’/2T), Gabi, Mario Suárez (Cristián Rodríguez, 29’/2T) e Koke; Diego Costa e Radamel Falcao García. Técnico: Diego Simeone
Real Madrid_escudo Real Madrid
Diego López, Michael Essien (Raphael Varane, 25’/2T), Raúl Albiol, Ricardo Carvalho e Nacho Fernández; Pepe e Sami Khedira; Ángel Di María (Luka Modric, 33’/2T), Kaká (Xabi Alonso, 22’/2T) e Álvaro Morata; Gonzalo Higuaín. Técnico: José Mourinho
Local: Vicente Calderón, Madrid (ESP)
Árbitro: Miguel Ángel Pérez Lasa (ESP)
Gols: Radamel Falcao García (4’/1T), Juanfran (contra) (13’/1T); Ángel Di María (18’/2T)
Cartões amarelos: Filipe Luís, Raúl García, Koke e Diego Costa (Atlético de Madrid); Raúl Albiol, Pepe, Sami Khedira e Àlvaro Morata (Real Madrid)
Cartões vermelhos: Nenhum

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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