Análise tática – Valencia 1-2 PSG: Justa vitória
Em pleno Mestalla, o Paris Saint-Germain venceu o Valencia por 1-2 e encaminhou sua classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. Com um time equilibrado e uma estratégia de jogo eficaz, o time francês foi superior na partida e foi punido no final com um gol sofrido e uma expulsão. O Valencia de Valverde mostrou que não tem lugar entre os oito melhores da Europa.
FORMAÇÕES INICIAIS
Ernesto Valverde tinha problemas graves para escalar o Valencia, mas tomou decisões que não funcionaram. Sem Cissokho e Mathieu, lesionados, o treinador optou por colocar Guardado como lateral-esquerdo. Banega, ainda em readaptação ao time depois de um longo período em recuperação, foi o responsável pela articulação.
Nenhuma das opções funcionou. Guardado é um jogador dinâmico, mas muito frágil na marcação e sem imposição física. Tornou-se presa fácil para os avanços de Lucas e Lavezzi. Sem um volante de marcação, Parejo e Costa são jogadores mais técnicos do que combativos, também não havia cobertura ideal.
A característica dos volantes auxiliou na manutenção da posse de bola, mas ela foi infrutífera. A equipe centralizou o jogo em Banega, que não possui a qualidade do passe final e foi muito bem marcado. Sem articulação, Jonas e Soldado foram pouco acionados.
A melhor jogada de ataque passou a ser o lado direito, com o avanço de João Pereira ao apoio de Feghouli. O lateral conseguiu sete cruzamentos, mas apenas um deles redundou em finalização, devido a um erro defensivo de Jallet.
Carlo Ancelotti armou uma formação bastante equilibrada. Defesa sólida, com pouco avanço dos laterais e boa proteção. Meio-campo com dois articuladores (Pastore e Verratti) e um jogador de velocidade e drible (Lucas). Dois atacantes que se complementam (Ibrahimovic e Lavezzi).
Mesmo tendo menos a bola, posse final ficou 63%/37% de acordo com UEFA.com, o time de Ancelotti foi muito mais competente ao atacar. Usando de velocidade na transição ao recuperar a bola, principalmente devido a Verratti, que pensa muito bem o jogo, e a Lucas. O brasileiro fez sua estreia na Champions mostrando que ainda passa por adaptação ao jogo europeu, mas com as qualidades habituais de arrancada e vantagem pessoal.
Javier Pastore foi o melhor em campo, principalmente no primeiro tempo quando teve mais liberdade para atacar. Sua movimentação da esquerda pro meio rompeu o encaixe de marcação do Valencia. O argentino articulou, tabelou e saiu de campo com um gol e uma assistência.
O brasileiro foi bem no seu primeiro jogo pela Liga dos Campeões da Europa. Escolhido melhor em campo pelo Whoscored.com, Lucas foi o maior vencedor de disputas individuais no jogo (8 de 12 segundo Opta Sports). Acertou uma bola na trave e fez a bela jogada do segundo gol, finalizado por Pastore.
O volante Matuidi foi fundamental para a estratégia de jogo. Ele foi o jogador com maior número de interceptações na partida (5) e foi muito eficiente na marcação de Banega. Ao longo de toda partida, não cometeu uma falta sequer.
CONCLUSÃO
Não fosse o gol de bola parada no final da partida e a expulsão infantil de Ibrahimovic, a vida do PSG estaria bem mais fácil. Ainda assim, o time de Carlo Ancelotti mostrou que é superior e deve garantir a classificação no Parc des Princes.