Nesta terça-feira, a Uefa amoleceu seu discurso e admitiu fazer concessões para que algumas ligas nacionais não terminem sua temporada. Pouco depois, a Eredivisie se tornou a primeira a se posicionar: por ordem do governo, os Países Baixos não poderão retomar o futebol até 1° de setembro e a primeira divisão nacional tende a encerrar a temporada por antecipação. Primeiro-ministro do país, Mark Rutte estabeleceu um veto aos eventos públicos pelos próximos quatro meses e meio, o que inclui as partidas de futebol.

A decisão final sobre o encerramento da Eredivisie deverá vir a partir de quinta-feira, quando o Comitê Executivo da Uefa se reunirá e discutirá o caso. Ainda assim, nesta terça, a liga nacional emitiu um comunicado enfatizando a sua posição – na esteira do anúncio realizado pelo primeiro-ministro pouco antes.

“A proibição dos eventos até 1° de setembro cria uma clareza. Até então, nenhuma partida de futebol profissional será jogada, mesmo sem torcida. Como resultado, o conselho de futebol profissional, em posição formal, pretende não continuar jogando a liga 2019/20. Baseada na decisão do governo, a federação consultará a Uefa. Depois disso, a decisão será tomada. Na sexta-feira, os clubes e as partes envolvidas se reunirão para discutir as consequências”, escreveu a Eredivisie.

Os Países Baixos, em compensação, abrirão os seus centros de treinamentos para os atletas. Eles adotarão um protocolo estrito para evitar o contágio, conforme determinado pela federação e também pelo comitê olímpico. Segundo a Eredivisie, a decisão é importante sobretudo às categorias de base. De qualquer maneira, as entidades reafirmam seu compromisso em “aguardar o sinal verde do governo para retomar suas atividades normais”.

O futebol nos Países Baixos já tinha lançado um programa de apoio financeiro aos clubes, dividindo esforços tanto a equipes profissionais quanto amadoras. Os próprios jogadores e jogadoras da seleção se prontificaram a doar ao fundo criado. No entanto, o possível cancelamento da temporada deve requerer medidas mais amplas de ação para os próximos meses. Clubes e entidades gestoras precisarão alinhar suas ideias, em um projeto conjunto.

“O fato de que o futebol não poderá ser jogado até setembro traz enormes desafios em termos organizacionais, esportivos e econômicos. Frequentemente discutimos isso com governo, clubes, grupos interessados e especialistas. Juntos, analisaremos os próximos passos possíveis ao futebol dentro das regras de isolamento. Discutiremos como organizar o futebol no futuro e como agir sobre o coronavírus”, declarou a Eredivisie. “Juntos, vamos em frente para que, quando for considerado seguro, a primeira divisão possa ocupar um lugar estável e confiável em nossa sociedade”.