Título inédito do Atlético Mineiro, Olimpia em busca da quarta Libertadores, arbitragens polêmicas, soberba brasileira, garra argentina… Teve tudo e mais um pouco nesta edição da Copa Libertadores. Uma edição emblemática pela forma como aconteceu, com o drama que é característico. A Libertadores é sempre quente. Do primeiro ao último dia da Copa, escolhemos dez momentos que marcaram e ficarão na memória de todos os apaixonados por futebol na América do Sul.

São Paulo vence o Atlético Mineiro no Morumbi
São Paulo comemora o gol de Rogério Ceni (AP Photo/Andre Penner)
São Paulo comemora o gol de Rogério Ceni (AP Photo/Andre Penner)

Data: 17 de abril de 2013

O que aconteceu: Depois da péssima campanha na fase de grupos o São Paulo precisava vencer o Atlético Mineiro e torcer contra o The Strongest para avançar de fase. A equipe paulista estava desacreditada, enquanto o Galo ostentava o melhor ataque e futebol da competição. Numa noite de quarta-feira os são-paulinos deram um voto de confiança à equipe, que na base da raça fez o 1 a 0 com Rogério Ceni, de pênalti, e o 2 a 0 com Ademílson. A vitória redentora colocou novamente os dois times frente a frente nas oitavas de final, com um passeio da equipe de Minas Gerais.

Trio de arbitragem decide o jogo e elimina o Corinthians
Somoza comemora com o apito do árbitro Amarilla (AP Photo/Nelson Antoine)
Somoza comemora com o apito do árbitro Amarilla (AP Photo/Nelson Antoine)

Data: 15 de maio de 2013

O que aconteceu: O Corinthians fazia uma Libertadores segura, apesar de alguns solavancos. A pior partida do time alvinegro havia sido justamente a da ida contra o Boca Juniors. Os corintianos, porém, acreditavam na vitória em seus domínios. Logo no ínicio da partida Emerson fez boa jogada e a bola bateu na mão de Marín. A decisão correta seria pênalti e expulsão do atleta argentino, mas o paraguaio Carlos Amarilla mandou o jogo seguir. Aos 23 minutos Romarinho abriu o placar, mas o auxiliar, erroneamente, anulou o gol. Pouco depois Riquelme fez para o Boca, que segurou a pressão. O Corinthians marcou com Paulinho e teve outro gol anulado, este de forma correta. Final: Corinthians 1×1 Boca e equipe paulista eliminada.

Omar Perez elimina o Grêmio da Libertadores
Omar Perez foi decisivo no Santa Fe (AP Photo/Fernando Vergara)
Omar Perez foi decisivo no Santa Fe (AP Photo/Fernando Vergara)

Data: 1º e 16 de maio de 2013

O que aconteceu: A mídia brasileira nunca tinha ouvido falar no Santa Fe enquanto os jogadores e técnico do Grêmio pareciam não se importar. Depois de abrir o marcador aos 27 minutos do primeiro confronto, a equipe gaúcha se acomodou, cansou de perder gols e viu dois carecas decidirem o confronto: Cris, sonolento e indolente, fez um pênalti infantil que Omar Pérez converteu. Fernando ainda deu a vantagem para o Grêmio que foi a Bogotá com antecedência para se acostumar à altitude, mas que na prática só quis se defender. Não conseguiu. Aos 34 minutos do segundo tempo o meia armador Omar Pérez virou pivô e serviu Wilder Medina que, aos trancos e barrancos, mandou pras redes, eliminando o Grêmio.

Newell’s e Boca cobram 26 pênaltis para saber quem segue adiante
Newell's e Boca cobraram 26 pênaltis para definir quem ia à semifinal (AP Photo/Daniel Jayo)
Newell’s e Boca cobraram 26 pênaltis para definir quem ia à semifinal (AP Photo/Daniel Jayo)

Data: 29 de maio de 2013

O que aconteceu: Era o típico confronto em que “ninguém queria vencer” ou no qual os dois “queriam vencer demais”. Após 180 minutos de bola rolando e um insistente 0 a 0 no placar, coube às duas equipes argentinas decidir nos pênaltis quem avançaria às semifinais da Libertadores. Quarenta e dois mil espectadores então presenciaram uma das mais longas decisões da história do futebol mundial. Ao todo foram 26 cobranças, sendo 7 erradas e 19 certas. No final, depois de Scocco, Vergini, Rodríguez, Riquelme, Pérez e Martínez cobrarem duas vezes cada, deu Newell’s: 10 a 9.

Em seis minutos Juan Manuel Salgueiro derruba o Fluminense
Juan Salgueiro fez os dois gols do Olimpia. El decano segue na Copa e é o único nas semifinais que já levantou a taça (AP Photo/Jorge Saenz)
Juan Salgueiro fez os dois gols do Olimpia. El decano segue na Copa e é o único nas semifinais que já levantou a taça (AP Photo/Jorge Saenz)

Data: 29 de maio de 2013

O que aconteceu: Quando as oitavas de final da Libertadores foram definidas, todos os brasileiros esperavam uma reedição do confronto entre Fluminense e Grêmio nas semifinais do torneio. A lógica e a prepotência indicavam isto. Quando os gaúchos foram eliminados os cariocas se encheram de confiança. Tanto que acharam o 0 a 0 em São Januário um “resultado melhor que a vitória por 2 a 1”. Na partida da volta, no lotado Defensores del Chaco, Rhayner aproveitou uma bobeada imensa da zaga olimpista para fazer 1 a 0. Classificação selada certo? Errado. Juan Manuel Salgueiro tinha outros planos. Primeiro, aos 34 minutos, ele viu Diego Cavalieri mal posicionado e acertou uma bela cobrança de falta quase sem ângulo algum. Seis minutos depois o mesmo Salgueiro cobrou pênati cometido por Digão e virou o jogo. No segundo tempo o Fluminense se encheu dos brios dos “guerreiros”, mas também da falta de inteligência dos mesmos. Durante 45 minutos os comandados de Abel Braga cruzaram bolas pra área adversária sem nenhum sucesso.

Victor defende pênalti no último minuto do confronto com o Tijuana
Victor, herói do Galo (AP Photo/Eugenio Savio)
Victor, herói do Galo (AP Photo/Eugenio Savio)

Data: 30 de maio de 2013

O que aconteceu: Na grama sintética do estádio Caliente o Galo já havia abusado dos erros. Felizmente para os atleticanos o Tijuana também errou muito e permitiu o empate por 2 a 2 na segunda metade do segundo tempo. Jogando no Independência, o Atlético estava convicto de que passaria pelos mexicanos. O gol de Riascos aos 25 minutos, porém, mudou o panorama da partida, mas a angústia durou pouco, já que Réver emaptou. Na segunda etapa o Tijuana pressionou, mas parou em Victor. Aos 46 minutos do segundo tempo, quando todos já comemoravam a classificação, eis que Leonardo Silva derruba Aguilar dentro da área. O Independência calou. Automaticamente, ecos do time azarado e do destino do técnico Cuca passaram a ecoar na cabeça de todos que assistiam a peleja. Riascos pegou a bola… Ele olhou Victor e bateu… O goleiro atleticano pulou… A bola vinha no meio. Parecia que era o gol que eliminaria o Galo e acabaria com o sonho. Mas…. O pé de Victor chegou nela. Festa. Êxtase. Choro. Euforia. O Atlético estava nas semifinais.

Desmandos e desorganização da Conmebol
Nicolas Leoz, que deixou o cargo de presidente da Conmebol (AP Photo/Jorge Saenz, file)
Nicolas Leoz, que deixou o cargo de presidente da Conmebol (AP Photo/Jorge Saenz, file)

Data: De fevereiro a julho de 2013

O que aconteceu: Quem acompanha o futebol da América do Sul sabe bem: em torneio organizado pela Conmebol tudo o que há de mais absurdo no esporte pode acontecer. Na Libertadores 2013 não foi diferente. Começou com a demora para decidir quais sanções seriam aplicadas a Tigre e São Paulo pelo vexame da final da Copa Sul-Americana. Quando a entidade decidiu punir o Corinthians de maneira pesada pela morte do menino Kevin Spada em Oruro, parecia que havia uma luz no fim do túnel. Balela. Pouco depois a entidade levantou as restrições e tudo ficou na mesma. Ainda durante o torneio a Conmebol foi omissa, escalou árbitros contestáveis, aplicou punições absurdas como a de Luis Fabiano e Vanderlei Luxemburgo e ainda tomou a contestável decisão de impedir o Estádio Independência na final da Libertadores. Ou seja: mais do mesmo.

Guilherme faz o gol que salva o Galo aos 50 minutos do segundo tempo
Guilherme marcou o gol redentor do Atlético Mineiro no Independência (AP Photo/Felipe Dana)
Guilherme marcou o gol redentor do Atlético Mineiro no Independência (AP Photo/Felipe Dana)

Data: 10 de julho de 2013

O que aconteceu: Cinquenta minutos do segundo tempo. O Atlético Mineiro vencia o Newell’s Old Boys por 1 a 0 e via a Libertadores dizer adeus. Marcos Rocha, porém, tinha um lateral no campo ofensivo. A cobrança não é bem feita, a zaga argentina afasta, mas o Galo consegue jogá-la de novo pra área com Luan. Novamente o zagueiro do Newell’s afasta, mas desta vez a bola vai reta e pro chão. Guilherme, o contestado Guilherme, domina. A torcida do Atlético acredita, mas no fundo pensa que ela poderia sobrar no pé de outro atleta. Guilherme, o mesmo Guilherme que cogitou deixar o clube porque não era utilizado, bate com força. A bola vai reta, no canto do goleiro Guzmán. Gol do Galo e fim do jogo. A decisão seria nos pênaltis. Milhões de atleticanos à beira do infarto viram Victor pegar a cobrança de Maxi Rodriguez e mandar o time para a final da Libertadores.

Ferreyra escorrega e Olimpia perde a chance de vencer a Libertadores
Ferreyra perdeu gol feito e o Olimpia perdeu o título (AP Photo/Bruno Magalhaes)
Ferreyra perdeu gol feito e o Olimpia perdeu o título (AP Photo/Bruno Magalhaes)

Data: 24 de julho de 2013

O que aconteceu:  O heróico Olimpia, que tinha aguentado a falta de salários, a incompetência de sua diretoria, o bombardeio do Santa Fe em Bogotá e a pressão absurda do Atlético no Mineirão perdia por 1 a 0 e estava a alguns minutos de conquistar “la cuarta”. Num chutão da defesa, Juan Carlos Ferreyra dominou na intermediária. O goleiro Victor passou “lotado” pelo atacante paraguaio que então ficou com o gol vazio… À mercê… Ao seu desejo. Um toque a mais na bola, no entanto, fez com que o centroavante escorregasse e com ele o sonho de toda uma torcida. Nos milésimos de segundo em que observava seu pé cedendo e seu rosto ficando mais próximo do chão, Ferreyra percebeu que ali estava uma metáfora para a própria situação olimpista. A um passo… A uma fincada de perna da glória… Estava escrito.

Torcida do Galo, em êxtase, comemora sua primeira Libertadores
Torcida do Atlético faz a festa em Belo Horizonte
Torcida do Atlético faz a festa em Belo Horizonte

Data: 25 de julho de 2013

O que aconteceu: Durante décadas os torcedores de um dos maiores clubes do país tiveram que aguentar todo tipo de troça, humilhação e temor de que nunca veriam o seu time campeão de um torneio de respeito. Durante toda o mata-mata o fanático atleticano esteve a ponto de ver seu sonho ruir. Houve muito mais chances de perder do que de ganhar. O pênalti de Riascos. A derrota até os 50 do segundo tempo para o Newell’s. Os pênaltis do Newell’s. Os gols perdidos por Bareiro e companhia. A falha de Alecsandro na falta de Pitoni. O péssimo primeiro tempo contra o Olimpia no Mineirão. O escorregão de Ferreyra. Os pênaltis contra o time paraguaio…. Um sobrevivente das próprias emoções e aspirações. Assim pode ser chamado o torcedor do Atlético. Ele que, enfim, pode gritar a plenos pulmões: “É campeão”.

Seleção da Libertadores 2013

Martin Silva (Olimpia); Joel Herrera (Real Garcilaso), Réver (Atlético Mineiro), Gil (Corinthians) e Bagüi (Emelec); Arce (Tijuana); Salgueiro (Olimpia), Omar Pérez (Santa Fe), Ronaldinho (Atlético Mineiro) e Scocco (Newell’s Old Boys); Jô (Atlético Mineiro).