O sobrenome ‘Maldini’ voltou a figurar em uma partida da Serie A neste final de semana, como não acontecia desde 2009. Daniel representa a terceira geração da família mais famosa de futebolistas da Itália. E, por mais que não carregue consigo a tradição voltada aos grandes defensores, o meia deve ganhar um pouco mais de espaço no Milan durante a metade final da temporada. O garoto de 18 anos entrou no lugar de Samu Castillejo e participou dos últimos minutos do empate por 1 a 1 contra o Verona, mantendo a escrita familiar.

O lendário Paolo Maldini tem dois filhos que se tornaram profissionais no futebol. O mais velho, Christian, ainda não vingou no primeiro nível. Formado pela base do próprio Milan, o jovem deixou o clube quando tinha 20 anos. Desde então, rodou por equipes das divisões de acesso – como Reggiana, Pro Piacenza e Fano. Também passou pelo Hamrun Sports, de Malta. Atualmente, o zagueiro veste a camisa da Pro Sesto, na quarta divisão do Campeonato Italiano. Mas, aos 23 anos, as esperanças de que realmente emplaque não parecem tão grandes.

Daniel Maldini, em compensação, vê chances maiores de deslanchar. Quando tinha cinco anos, o herdeiro de Paolo e Cesare viralizou na internet ao executar um carrinho perfeito em Clarence Seedorf durante uma brincadeira no San Siro. O talento o levou ao meio-campo, onde se transformou em um dos destaques da equipe primavera do Milan. Nas principais categorias de base a partir do sub-17, Maldini soma 27 gols em 60 partidas. Além disso, também possui convocações para as seleções italianas sub-18 e sub-19. A estreia na Serie A tornou-se um passo natural.

Daniel Maldini já tinha completado o banco de reservas nos jogos contra o Napoli e a Sampdoria. Já neste domingo, veio a oportunidade de pelo menos pisar no gramado durante os acréscimos ante o Verona. O garoto pode atuar tanto centralizado na armação quanto nas pontas. Sua utilização na vaga de Castillejo indica que, com a venda de Suso ao Sevilla, o adolescente tende a ganhar mais minutos em campo. Certamente alimentará a curiosidade de quem deseja ver a dinastia dos Maldini se ampliar.

“Minha estreia foi um sonho, apesar do resultado. Poderíamos ter feito mais, mas ainda fiquei emocionado pelo momento. O Verona é um adversário duro. Nós merecíamos os três pontos, mas apenas empatamos em casa e esperamos vencer a próxima. Essa estreia era um objetivo que tinha em mente, agora espero seguir assim. Senti uma emoção forte, mas meu pai me tranquilizou”, declarou Daniel Maldini, na saída de campo. Enquanto Paolo estreou na Serie A em 1984, o avô Cesare (falecido em 2016) disputou seu primeiro encontro em 1953, pela Triestina, antes de se transferir ao Milan no ano seguinte.

Paolo Maldini, por sua vez, comentou a sensação pela estreia de Daniel com certa frieza: “Não foi planejado. Ele não deveria estar no elenco, pois não treinou durante os últimos dias e só foi incluído entre os relacionados no último minuto. Não tive a chance de me emocionar tanto, pois estava muito envolvido com o jogo. Olhando agora, reconheço como um momento maravilhoso para a minha família e para os torcedores que o receberam com tanto carinho”.

O sobrenome gera expectativas, pela grande trajetória de Cesare e pela maneira como Paolo conseguiu ampliá-la. Aproximar-se do pai ou do avô seria um feito e tanto a Daniel. Porém, a própria escolha por uma posição diferente reforça como ele escreverá seu próprio caminho. A presença de Paolo na diretoria atual do Milan traz outros contornos à pressão e o novato precisará trabalhar seu equilíbrio mental. De qualquer maneira, diante das incertezas em Milanello, este parece o momento favorável para que mais um Maldini apareça e reforce o sobrenome no clube.