O Dínamo Zagreb é um celeiro de grandes jogadores croatas, como Luka Modric, Mario Mandzukic e outros do passado, mas, em 2014, decidiram fazer algo diferente. Foram à base do Barcelona contratar um ponta talentoso de 16 anos, com a ideia de torná-lo a venda mais cara da história do clube. Aquele jogador se tornou o meia-atacante Dani Olmo, e o plano está prestes a ser concretizado.

O posto atualmente está com Marko Pjaca, cedido a Juventus em troca de € 25 milhões, e em seguida aparece Luka Modric, transferido ao Tottenham por € 21 milhões. Olmo deve superar esses números com facilidade. Os valores especulados no momento chegam à casa dos € 40 milhões, mas o Zagreb precisa se apressar. O contrato com o espanhol de 21 anos termina em 2021, o que torna muito provável que ele seja negociado ao fim da atual temporada.

“O projeto que eles tinham – e como passaram a meu pai – era fazer de mim a venda mais cara da história do Dínamo”, afirmou, em entrevista ao El País. “Estava na mente deles desde que cheguei. Até agora, o recorde do Dínamo são os € 25 milhões de Marko Pjaca à Juve em 2016 e os € 21 milhões de Modric ao Tottenham em 2008. E não tenho cláusula. Isso de que pedem € 40 milhões são coisas que a imprensa diz. Eu não me meto nisso. No fim das contas, o que depende de mim é jogar futebol: é aqui onde posso falar”.

Não surpreende que Olmo saiba as cifras de cabeça. No bate-papo com o jornal espanhol, ficou claro que se trata de um jogador muito inteligente, com imenso conhecimento tático, que busca pensar para melhorar o seu jogo. Tanto que chegou de La Masia como um pontinha driblador e se transformou pouco a pouco em um meia-atacante, atuando por trás do centroavante.

“Em campo, gosto de pensar. Não quero correr por correr. Antes, eu olho onde há espaços livres, como se mexer e tentar ocupar essa zona em que acredito que a bola pode passar. Mais ainda quando jogo entre as linhas, ou de falso 9 ou de meia-atacante. Quando recebo, tento pensar rápido para passar por quem veio me marcar ou assistir o companheiro”, afirmou.

“Cheguei como ponta e, quando me viram, disseram que eu teria que jogar pelo meio. Pouco a pouco, foram me convertendo para jogar pelo meio. Como agora na (seleção espanhola) sub-21. Às vezes como meia central, embora me sinta melhor como meia-atacante atrás do camisa 9. Na fase defensiva, posso ficar mais próximo dos lados para fechar a linha, ou no 4-4-2, como o segundo atacante. Mas, no ataque, me dão liberdade para me mexer entre as linhas”.

“Mais que estudar o rival, acredito que cada um tem que ver os seus próprios jogos na televisão. Ver como atua em determinada situações. Por exemplo, em uma jogada na qual você abre pelas pontas, descobrir que teria sido melhor ficar na posição inicial. Porque o ponta que o marcava teve que abrir. Porque nossa circulação de bola terminava nos lados. Se você vir essas coisas, e souber reconhecer que errou, e se corrigir, pode melhorar muito”, completou.

O conhecimento tático vem de berço. Seu pai é Miquel Olmo, treinador espanhol com passagens por equipes pequenas da Espanha (o Girona, que treinou em 2009, é a mais conhecida). “Meu pai me influenciou muito. Ele ser treinador não é um peso, ao contrário. Falamos muito de futebol e isso me ajudou a aprender, a olhar o espaço e atacá-lo, a não chegar tarde, sem ter um bom timing, a ajustar o corpo e ir de frente á bola. Um bom domínio pode abrir muitas situações e um ruim pode fechar todas. Acredito que melhorei muito isso graças às conversas que tenho com meu pai”, explicou.

O começo da aventura croata foi difícil. Olmo tentou frequentar escolas locais, mas não entendia nada. Buscou aulas particulares e demorou um ano e meio até começar a falar um pouco de croata. Agora, está ambientado, é o dono do time que goleou a Atalanta e enfrentou o Manchester City pela Champions League e tem tudo para realizar a profecia que o clube fez no momento em que foi contratado.