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Se a França não chamará substituto, é difícil entender por que Benzema teve que ser cortado

O técnico da França, Didier Deschamps, disse que não chamará um novo jogador para o lugar do craque e deve encarar a Copa do Mundo com 25 em seu elenco

Karim Benzema, atual detentor da Bola de Ouro, foi cortado da seleção francesa por causa de uma lesão na coxa esquerda. Mais uma baixa para a atual campeã do mundo, que estará profundamente desfalcada no Catar, e outra perda imensurável para a Copa do Mundo em si, que já havia ficado sem Sadio Mané. Após a notícia ruim no último sábado, chegou uma confusa neste domingo: Didier Deschamps afirmou que não pretende convocar um substituto para o lugar do melhor jogador do mundo.

O tempo de recuperação previsto pelos exames era de três semanas. A Copa do Mundo termina em 18 de dezembro, e a França tem uma expectativa razoável de chegar às fases finais. Teoricamente, Benzema poderia voltar a tempo da semifinal, entre 13 e 14 de dezembro, mas, na mensagem que publicou pelo Twitter após o corte, havia deixado claro que estava voltando para casa justamente para dar espaço a outro jogador. “Na minha vida, nunca desisti, mas tenho que pensar no time, como sempre fiz, então a lógica me leva a deixar meu lugar para alguém que pode ajudar nosso grupo a fazer uma boa Copa do Mundo”, escreveu o craque.

No entanto, Deschamps apenas respondeu “não” ao ser questionado pela Téléfoot se Benzema seria substituído. Opções não faltam ao comandante da maior coleção de talento do futebol internacional. Mesmo com os desfalques, por exemplo, Deschamps poderia ter convocado Wissam Ben Yedder, que foi artilheiro da Ligue 1 em 2019/20, empatado com Mbappé, e depois emendou campanhas com 20 e 25 gols na liga francesa. Ele também poderia reforçar outra posição. Convocar um lateral esquerdo, como Ferland Mendy, para fixar Lucas Hernández como zagueiro ou trazer mais um meio-campista. Até um quarto goleiro é (só um pouco) mais útil do que absolutamente ninguém.

É verdade que os desfalques estão tornando o processo um pouco mais bagunçado. Deschamps nem convocou N’Golo Kanté e Paul Pogba e ainda teve os cortes de Christopher Nkunku e do zagueiro Presnel Kimpembe. Mas Deschamps passa confusão com suas escolhas. Inicialmente, anunciou a lista final com apenas 25 jogadores, depois decidiu chamar Marcus Thuram para completar o grupo e, agora que cortou Benzema, disse que vai mesmo encarar a Copa do Mundo com um atleta a menos que o permitido.

Ele tem opções no elenco para substituí-lo. A entrada de Olivier Giroud foi importante na Copa do Mundo da Rússia para potencializar os talentos de Kylian Mbappé e Antoine Griezmann, mesmo que o jogador do Milan não tenha feito gol. Deschamps também conta com Kolo Muani, do Eintracht Frankfurt, convocado para o lugar de Nkunku. Pode usar Mbappé mais centralizado para abrir espaço a outro ponta, como Ousmane Dembélé ou mais provavelmente Kingsley Coman, mas as declarações do jogador do PSG – que disse que prefere a maneira mais solta como atua na seleção do que a função de centroavante que exerce no clube – diminuem as chances dessa hipótese.

Mas a questão não é essa. Benzema não é qualquer um. É o melhor jogador em atividade no planeta. Se não houvesse possibilidade de entrar em campo pelo menos em uma partida da Copa do Mundo, melhor mesmo voltar para casa e se concentrar em sua recuperação. Mas se há, como os primeiros exames indicaram, e o seu corte não trará nenhum benefício à França em termos de mais opções, por que não mantê-lo como uma carga na manga?

É possível defender que é melhor resolver logo essa situação em vez de manter Benzema como uma distração e uma sombra a qualquer atacante que Deschamps escolher para substituí-lo. Também é que arriscar o retorno acelerado de um jogador de 34 anos que tem sofrido com problemas físicos recentemente, até pensando no restante da temporada, não chega a ser uma boa ideia. Mas se ninguém mais será convocado para o seu lugar, e há uma chance de contar com o melhor do mundo nos jogos mais importantes do torneio, fica difícil entender por que Benzema teve que ser cortado.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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