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Os Leões do Atlas fazem história: Marrocos é superior onde importa e elimina a Espanha e seu futebol insosso

Em jogo que a Espanha teve muito a bola nos pés e pouco em qualidade de futebol, Marrocos cria as melhores chances, dá show de determinação e consegue a classificação nos pênaltis

Foi difícil, mas Marrocos conseguiu a classificação após 120 minutos e mais os pênaltis. O empate por 0 a 0 resultou em prorrogação e foi decidido nos pênaltis e neles, os Leões do Atlas enfim conseguiram uma classificação que foi merecida ao longo de todo o confronto. Mesmo tendo menos a bola, Marrocos foi mais perigoso, criou mais chances e ficou mais perto de marcar. A Espanha, com o seu toque de bola pouco efetivo e insosso, não soube o que fazer. É Marrocos quem vai para as quartas de final da Copa.

Marrocos iguala as melhores campanhas africanas na história das Copas: Camarões em 1990, Senegal em 2002 e Gana em 2010. Os marroquinos tentarão ser os primeiros a superarem a barreira das quartas de final e alcançar uma inédita semifinal. Com o jogo que fizeram diante da Espanha, se segurando bem sem a bola e sendo perigoso enquanto tiveram pernas, não dá para duvidar.

O que vimos foi uma Espanha que só tinha uma ideia de jogo, os passes sem muita objetividade. Marrocos sabia o que fazer quando tinha a bola e foi quem mais chegou perto. Enquanto teve pernas, Marrocos foi perigoso. Depois que a equipe cansou, sobrou só a determinação e a precisão de jogadores como Sofyan Amrabat, que foi um monstro em campo, cobrindo muitas áreas diferentes e sempre causando problemas para a criação espanhola.

Vale o destaque para o goleiro Bono. Ele defendeu três pênaltis na disputa da marca da cal, o que é um feito notável. Entrará para a história por essa noite no Catar. Azzedine Ounahi também merece destaque. O meio-campista foi um motor no meio-campo marroquino, sempre com muita qualidade com a bola nos pés, habilidade e visão de jogo. Nayef Aguerd e o capitão Romain Saïss fizeram partidas históricas também, sempre bem posicionados para defender a área marroquina. A África segue na Copa do Mundo.

Escalações

Marrocos trouxe o time que tem sido o titular da equipe, com uma diferença em relação ao jogo contra o Canadá, com a saída de Abdelhamid Sabiri e a entrada de Sellim Amallah. No mais, o mesmo time.

Na Espanha, mais mudanças, já que Luis Enrique mexeu em alguns jogadores na partida anterior. A mudança que mais chamou a atenção foi a presença de Marcos Llorente como lateral direito, fazendo a sua estreia na Copa. O elenco tem dois jogadores de nível por ali com Daniel Carbajal e César Azpilicueta, mas ambos ficaram no banco. No ataque, Nico Williams e Álvaro Morata deram lugar a Ferran Torres e Marco Asensio.

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Primeiro tempo

O desenho do jogo era claro: a Espanha ficaria com a bola e Marrocos estava confortável com isso. Só que não ficou lá atrás marcando: fazia um bloco médio-baixo, o que significa que recuava o seu meio-campo e adiantava um pouco a defesa, amassando o jogo espanhol nessas duas linhas. A marcação era muito bem feita e complicou a vida da Espanha. Por isso, o time de Luis Enrique criava muito pouco.

Aos 24 minutos, a Espanha conseguiu uma grande chance. Bono saiu jogando errado, Dani Olmo interceptou o passe e a bola sobrou para Ferran Torres, que ajeitou para Gavi bater, o goleiro defendeu e a bola tocou na trave. No rebote, Torres chutou e foi bloqueado. Só que o lance foi anulado por impedimento muito claro de Ferran Torres. Logo depois, Jordi Alba fez o lançamento para Marco Asensio, na esquerda, e o camisa 10 chutou forte para o gol, mas mandou na rede pelo lado de fora.

No final do primeiro tempo, Marrocos começou a ficar mais perigoso. Boufal, em um grande dia, colocou os espanhóis para dançarem. E os lances de perigo começaram aparecer: o lateral Mazraoui chutou de fora da área aos 32 e o goleiro Unai Simon precisou defender em dois tempos. Aos 41, uma grande chance: Hakimi cruzou da direita, a bola subiu muito, caiu em Boufal na esquerda, ele driblou o marcador e cruzou para a área e o zagueiro Nayef Aguerd tocou de cabeça, mas mandou para fora. A bola foi um pouco alta.

Segundo tempo

No segundo tempo, a Espanha continuava na mesma ideia e a mesma ineficiência. Marrocos causava arrepios nos torcedores espanhóis a cada recuperação de bola, porque acelerava e tentava aproveitar o espaço dado na defesa.

Aos 24 minutos, um lance foi simbolizava o jogo: Aguerd fez um desarme limpo sobre Morata, em um carrinho perfeito dentro da área. Para tentar algo diferente, o técnico Luis Enrique fez mudanças aos 18 minutos: colocou Carlos Soler e Álvaro Morata nos lugares de Gavi e Marco Asensio.

Com o passar dos minutos, Marrocos parecia sentir o cansaço. O time já não tinha a mesma energia para exercer a marcação e sair no contra-ataque. A Espanha ganhava mais campo do que no primeiro tempo, mas ainda não conseguia criar chances. Uma das poucas vezes que levou algum perigo sequer teve finalização: Morata conseguiu receber uma bola dentro da área, foi à linha de fundo e chutou forte para o meio. A bola passou na pequena área, mas não tinha nenhum jogador por ali.

A massa de torcedores era muito mais marroquina que espanhola no estádio e se ouvia muito a torcida dos Leões do Atlas gritando. Marrocos se segurava com as substituições para trazer jogadores mais descansados para campo. O técnico Walid Regragui, já prevendo uma possível prorrogação, fez três mudanças de uma vez aos 37 minutos e mais uma aos 39 quando Aguerd se machucou.

O placar ficou mesmo no 0 a 0. Ao longo dos 90 minutos de jogo, a Espanha só conseguiu dois chutes certos em oito tentativas. O jogo foi para a prorrogação com 0 a 0 no placar.

Prorrogação

Logo no primeiro tempo da prorrogação, a Espanha fez mais duas alterações. Luis Enrique colocou Alejandro Balde no lugar de Jordi Alba e Ansu Fati no lugar de Dani Olmo. A bola era espanhola, mas a melhor chance foi marroquina. Azzedine Ounahi fez o passe para Walid Chedira, dentro da área, e ele teve a chance de finalizar e bateu mal, no meio do gol, para defesa de Unai Simón.

O jogo basicamente não acontecia, porque a Espanha não sabia como vencer a defesa de Marrocos, que seguia firme, apesar do imenso cansaço. O time se limitava a ficar defendendo, porque mal tinha pernas para sair para os contra-ataques. Exceto por Amrabat, que continuava firme dando botes em jogadores espanhóis que caíam no seu setor.

Marrocos teve uma grande chance em jogada de Amrabat, que colocou Chedira para correr, ele avançou com a bola, mas não conseguiu finalizar, se enrolou e perdeu a bola. A Espanha ainda teria uma grande chance no fim do jogo. Após uma troca de passes, lançamento para Sarabia na segunda trave, Sarabia pegou de primeira, de pé direito, e a bola triscou na trave, mas saiu. Nada feito. Empate sem gols e a decisão será nos pênaltis.

Pênaltis

  • Abdelhamid Sabiri cobrou o primeiro pênalti por Marrocos e cobrou com categoria para marcar 1 a 0.
  • Pablo Sarabia cobrou o primeiro pela Espanha e mandou a bola na trave. Bono acertou o canto, mas a bola tocou na trave.
  • Hakim Ziyech, um dos destaques marroquinos, foi o segundo a cobrar pelos africanos. Ele bateu no meio do gol e marcou: 2 a 0.
  • Carlos Soler foi o responsável pela segunda cobrança da Espanha. Ele cobrou no canto esquerdo do goleiro Bono, fraco, e Bono defendeu.
  • Badr Benoun foi o terceiro cobrador de Marrocos. Ele entrou no final da prorrogação e bateu muito mal, no canto direito de Unai Simón, que caiu para defender. A Espanha seguia viva.
  • Sergio Busquets foi o próximo cobrador da Espanha. O capitão bateu no canto direito de Bono, que saltou para defender: nada de gol para a Espanha.
  • Achraf Hakimi cobrou o pênalti seguinte. Se ele marcasse, a classificação era de Marrcoso. Ele cobrou com categoria, com cavadinha, no meio do gol; 4 a 0 para os marroquinos e classificação assegurada. Marrocos está nas quartas de final

Ficha técnica

Marrocos 0x0 Espanha

Local: Estádio Education City, em Al Rayyan
Árbitro: Fernando Rapallini (Argentina)
Gols: nenhum
Cartões amarelos: Aymeric Laporte (Espanha)
Cartões vermelhos: nenhum

Marrocos: Bono; Achraf Hakimi, Nayef Aguerd (Jawad El Yamiq), Romain Saïss e Noussair Mazraoui (Yahia Attiyat Allah); Azzedine Ounahi (Badr Benoun), Sofyan Amrabat e Selim Amallah (Walid Cheddira); Hakim Ziyech, Youssef En-Nesyri (Abdelhamid Sabiri) e Sofiane Boufal (Abdessamad Ezzalzouli). Técnico: Walid Regragui

Espanha: Unai Simón; Marcos Llorente, Rodri, Aymeric Laporte e Jordi Alba (Alejandro Balde); Sergio Busquets, Gavi (Carlos Soler) e Pedri; Ferran Torres (Nico Williams,  depois Pablo Sarabia), Marco Asensio (Álvaro Morata) e Dani Olmo (Ansu Fati). Técnico: Luis Enrique

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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