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Neymar será desfalque importante, mas sua ausência não é mais o desastre que em outros tempos foi ao Brasil

O craque saiu da vitória contra a Sérvia com uma entorse no tornozelo e está fora dos últimos dois jogos da fase de grupos

Independente da sua opinião sobre o personagem, Neymar é brilhante com a bola nos pés. Chegou à Copa do Mundo em sua melhor forma em muitos anos e, com o Brasil entre os principais favoritos, é candidato a ser craque do torneio. Mesmo em uma estreia irregular contra a Sérvia, a maneira como carrega a bola, arranca e atrai atenção foi essencial para a vitória brasileira. Nesta sexta-feira, após passar por exames no tornozelo, sua ausência nos últimos dois jogos da fase de grupos foi confirmada. Retornaria apenas em caso de classificação às oitavas de final. Um desfalque importante, mas que não é mais o desastre que em outros momentos foi, ou pareceu que seria, à Seleção.

Neymar foi substituído aos 35 minutos do segundo tempo da vitória brasileira por 2 a 0 sobre a Sérvia na última sexta-feira. Rodrigo Lasmar, médico da seleção brasileira, confirmou na entrevista coletiva pós-jogo que havia sofrido uma entorse no tornozelo. Tite garantiu que ele não seria cortado. Nesta sexta-feira, ele passou por exames em Doha e retornou ao hotel para tratamento. Não treinou. Pouco depois, o Globo Esporte confirmou que tanto Danilo quanto Neymar serão desfalques pelo restante da fase de grupos. Segundo Lasmar, os dois jogadores sofreram lesões ligamentares no tornozelo.

“Os jogadores continuam em tratamento. É muito importante nós termos muita calma, tranquilidade, essa avaliação será diária até que nós tenhamos informações e tomarmos as melhores decisões a partir disso. Já podemos adiantar que não teremos os dois jogadores para o nosso próximo jogo, mas eles permanecem em tratamento com o nosso objetivo de tentarmos recuperar em tempo para essa competição”, afirmou Lasmar, ao site da CBF.

Não é muito necessário lembrar que, depois de levar uma joelhada de Zúñiga, Neymar não estava em campo na derrota para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014. No ano seguinte, o Brasil foi eliminado da Copa América nas quartas de final pelo Paraguai, sem o seu principal jogador, suspenso por ter recebido cartão vermelho na segunda rodada da fase de grupos. Priorizou a Olimpíada do Rio e não disputou a Copa América do Centenário, em 2016 – o Barcelona o liberaria para apenas uma das competições. O péssimo time de Dunga foi eliminado ainda na fase de grupos, após perder do Peru.

Mais do que os momentos em que Neymar de fato foi desfalque, o que muitas vezes pairou como uma nuvem carregada sobre a seleção brasileira foi a possibilidade de ele o ser: se Neymar não puder jogar, o que acontece? Acabou. Era o temor dos torcedores, e o pior tipo de temor porque tinha razão de existir. Essa razão foi ficando cada vez menor porque o péssimo time de Dunga foi ficando cada vez melhor sob o comando de Tite. Na Rússia, a ausência do camisa 10 provavelmente ainda diminuiria drasticamente as chances do Brasil. No Catar, menos. Bem menos.

E, de novo, não é que ele não faria falta. Mas, desde aquela derrota para o Peru, o Brasil perdeu apenas duas vezes sem o craque em campo. Dois amistosos contra a Argentina. Conquistou a Copa América de 2019 ganhando da grande rival na semifinal. É verdade que o problema brasileiro em Mundiais tem sido equipes europeias e, por causa da Liga das Nações, amistosos contra esses times foram interditados no último ciclo. Mas ainda é uma evidência de competitividade e tem um fato novo. Na realidade, vários fatos novos.

Basta perguntar o que os jogadores sérvios pensaram quando, a 15 minutos do fim do jogo, com o placar praticamente resolvido, o Brasil colocou em campo um dos heróis do título europeu do Real Madrid, um titular do Manchester United e dois do líder do Campeonato Inglês. Rodrygo, Antony, Gabriel Jesus e Gabriel Martinelli são opções de banco do Brasil, que ainda conta com o centroavante e o meia-armador do campeão da Libertadores, além de Bruno Guimarães, maestro do terceiro colocado da Premier League.

Neymar tem jogado como meia-atacante, com liberdade para se movimentar e criar, encostando no centroavante. A reposição natural seria Rodrygo, em ótima temporada, mas talvez um pouco novo e inexperiente para ser titular em Copa do Mundo. Existem outras opções maias conservadoras que mudariam a característica. Fred pode entrar no meio-campo, com Paquetá mais adiantado. Tite pode também formar uma dupla de atacantes com Gabriel Jesus ao lado de Richarlison. O elenco do Brasil permite que ele arme a equipe de várias maneiras sem necessariamente precisar que apareça um Amarildo para substituir seu camisa 10 (guardada as devidas proporções).

Nenhum deles é tão talentoso quanto Neymar, mas o nível não cairia tanto assim, e não apenas pela qualidade individual de cada possível reposição. Porque o coletivo de Tite não depende mais tanto do que o seu camisa 10 pode produzir. Na pior das hipóteses, depende muito menos do que configurações anteriores da seleção brasileira e, na melhor, consegue se virar sem ele. Se virar ao ponto de ser campeão do mundo? Talvez não. Seria bem mais difícil. Não seria impossível.

Provavelmente não precisaremos descobrir. O Brasil tem todas as condições de ganhar da Suíça mesmo sem ele e depois nem precisaria utilizá-lo contra Camarões. A expectativa, por enquanto, é que retorne para o mata-mata. Mas mesmo se o cenário mudar, e nos encontrarmos diante do pior possível, ainda haveria muita Copa do Mundo para a Seleção.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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