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Glória Maria tinha a primazia de contar tantas grandes histórias e também ofereceu seu talento ao futebol

Glória Maria participou de coberturas de Copas do Mundo e, em 1982, conseguiu uma exclusiva com Arnaldo Cézar Coelho na véspera da final

Para tantas e tantas pessoas, a imagem de Glória Maria é a primeira que vem à mente quando se pensa em jornalismo no Brasil. Como repórter e apresentadora, a carioca fez por merecer a notoriedade que conquistou – por talento, por pioneirismo, por ser uma mulher negra a recorrentemente quebrar barreiras para ganhar o seu espaço. Expandiu fronteiras, no sentido literal e também no figurado. Glória Maria foi tantas vezes os olhos e os ouvidos de milhões de brasileiros, a voz assertiva que contou histórias e ajudou a construir a narrativa de parte da História, a testemunha sempre presente no momento em que o fato acontecia.

Como jornalista, Glória Maria expressava claramente o gosto que tinha por descobrir. Visitou mais de 100 países para traduzir culturas e apresentar personagens. Entrevistou inúmeras figuras de relevo e tantas vezes foi capaz de fazê-las abrirem o coração. Glória Maria revelava. E seu envolvimento também contagiava quem a assistia, para participar em conjunto de suas descobertas. A repórter tinha uma capacidade ímpar de mergulhar fundo e emergir quase sempre com um tesouro em mãos.

O talento de Glória Maria, é claro, não ficaria alheio ao futebol e ao esporte em geral. Uma craque do jornalismo também ofereceu sua qualidade para contar histórias em Copas do Mundo e em Olimpíadas. Esteve em diferentes edições de ambos os eventos, desde a década de 1970. Conseguiu falar com diversas lendas. Ela mesmo, uma repórter lendária por sempre aproximar o público da notícia.

Diante do adeus de Glória Maria, relembramos um episódio que ela mesmo considerava o mais importante de sua relação com a Copa do Mundo: a vez em que entrevistou, às vésperas da decisão, o primeiro brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo. A jornalista, na época apresentadora do Jornal das Sete no Rio de Janeiro, estava em viagem pela Europa e pela África. A pedido de Armando Nogueira, responsável pelo jornalismo na Globo, tentou falar com Arnaldo Cézar Coelho antes do Itália 3×1 Alemanha Ocidental que decidiu o Mundial de 1982. E cumpriu sua missão, ao quebrar o isolamento do árbitro no hotel em que estava hospedado em Madri.

Arnaldo concedeu a entrevista a Glória Maria, em matéria veiculada pelo Jornal Nacional. Boas histórias não faltaram ao longo da vida da jornalista. E tantas delas foram compartilhadas magistralmente com uma parcela enorme do país.

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Neste link, é possível conferir o relato de Glória Maria sobre o episódio na Copa de 1982, em conversa com a Globo News. Relata inclusive como ficou amiga de Arnaldo Cézar Coelho. Abaixo, o trecho do livro “A Regra É Clara”, em que o ex-árbitro conta a mesma história.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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