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Vinícius Júnior sai como vencedor desta data Fifa ao ganhar espaço na Seleção

Inicialmente preterido por Tite, Vinícius Júnior foi convocado por causa de lesão de Firmino, entrou nos dois jogos, foi bem e ganha um espaço merecido

O Brasil não venceu a Argentina, mas houve vencedores no jogo. Um deles foi Vinícius Júnior. O atacante foi escolhido por Tite para substituir Neymar, o melhor jogador da equipe, que ficou fora do clássico. O atacante foi bem, mostrou personalidade e teve uma atuação que o coloca em uma boa situação na disputa por vaga na Copa do Mundo de 2022 pela seleção brasileira. O técnico Tite, que não o tinha convocado inicialmente, se rendeu ao jogador.

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Tite tinha errado ao não convocar Vinícius Júnior, que vive o melhor momento da carreira, consolidado como titular do Real Madrid e se destacando com constância no clube. Só foi chamado quando Roberto Firmino, do Liverpool, se machucou. Foi a chance do técnico corrigir o erro que tinha cometido ao não convocar o jogador.

Em geral, as opções do técnico por convocar ou não jogadores envolvem um pouco de lado pessoal. Nomes como Gabigol e Hulk já foram muito pedidos – eventualmente ainda são – e a convocação de cada um deles não é exatamente uma unanimidade. Há boas discussões sobre isso. A ausência de Vinícius Júnior na última lista é uma delas, mas pareceu ainda mais grave, considerando que Vinícius Júnior joga no Real Madrid, um clube que atua em um nível alto.

Aqui vale mais uma ressalva. O futebol brasileiro tem um ótimo nível, mas é sim abaixo dos principais clubes europeus. Mesmo um jogador que atua no Flamengo não está no mesmo nível competitivo de clubes do mais alto nível europeu, como os jogos dos principais clubes da Champions League. Isso não impede que os jogadores que atuam no Brasil cheguem à seleção e se firmem, e nem deve ser qualquer impeditivo. O próprio Gabigol e até mesmo Hulk devem ser considerados pelo técnico. Mas se eles estivessem fazendo o mesmo pelo Real Madrid ou Chelsea, seria mais difícil de não dar chance.

Inicialmente, Tite considerou que Raphinha e Antony eram concorrentes diretos de Vinícius Júnior e os dois primeiros tinham ganhado mais espaço nas convocações anteriores. É perfeitamente compreensível que os dois tenham ganhado espaço, mas era preciso dar espaço a Vinícius para saber se ele renderia na Seleção como vinha fazendo no clube. Seria um desperdício não fazer isso.

Desta vez, Vinícius Júnior aproveitou bem a chance. Contra a Colômbia, na Neo Química Arena, o atacante foi o primeiro escolhido por Tite para entrar em campo e melhorou o time. Em San Juan, contra a Argentina, teve muita personalidade, ótima atuação e ainda deu uma carretilha na linha de fundo, em um lance praticamente perdido, para criar uma jogada que virou finalização. Fazer o que ele fez com um 0 a 0 no placar, fora de casa e contra a Argentina exige uma personalidade grande. E o lance virou uma chance de gol.

Vinícius é um dos jogadores mais rápidos e habilidosos do mundo. Tem uma capacidade de trabalhar em espaços pequenos, é ótimo para puxar contra-ataques e também para tentar romper defesas adversárias com dribles e movimentação. A finalização melhorou, mas ainda é um ponto fraco que precisa ser aprimorado. De qualquer forma, jogos como os que viveu contra Colômbia e Argentina dão confiança ao jogador. Confiança é sempre importante em um contexto onde a disputa é tão acirrada, como no ataque da Seleção, especialmente para esse tipo de jogador, os pontas.

Com as duas boas atuações, Vinícius Júnior ganha espaço na seleção brasileira. E já não era sem tempo. Ele tem muito a contribuir e pode adicionar muito à equipe. Se como titular ou não, aí é algo a se analisar de acordo com a ideia de jogo, mas é no mínimo para ser uma opção importante, como foi nesta data Fifa: primeiro a entrar contra a Colômbia, titular contra a Argentina com a ausência de Neymar.

Pensando no elenco que levará ao Catar, Tite certamente terá Vinícius Júnior em alta conta, maior do que tinha antes desses jogos. Sabemos como o treinador valoriza muito o desempenho que os jogadores têm nos treinamentos e nos jogos com a camisa do Brasil, às vezes até mais do que nos clubes. Por isso, Vinícius Júnior certamente ganhou espaço, merecidamente, por tudo que fez em campo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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