ÁfricaEliminatórias da Copa

Mané converte outro pênalti decisivo contra o Egito e coloca Senegal em sua terceira Copa

Senegal e Egito foram mais uma vez divididos pela disputa de pênaltis. Dessa vez, Salah bateu, mas errou, e Mané cobrou o último para classificar Senegal

Entre Sadio Mané e Mohamed Salah, o melhor time está na Copa do Mundo. Como na Copa Africana de Nações, Senegal e Egito foram aos pênaltis e, também como na CAN, os senegaleses prevaleceram com a sua principal estrela acertando a cobrança decisiva. Após 1 a 0 com bola rolando, conseguiram carimbar o passaporte com 3 a 1 a partir da marca do cal e estarão no Mundial pela terceira vez na história.

Ao mesmo tempo que a classificação sela um começo de ano fantástico para Senegal, a decepção é profunda para o Egito, sem o título continental e sem a vaga na Copa do Mundo, em duas disputas de pênaltis contra o mesmo adversário. Também grande é a frustração de Salah. Lesionado às vésperas do torneio russo, não terá um Mundial em condições normais para disputar no auge da sua carreira.

Mas olhando principalmente para este duelo, é difícil não considerar que a equipe mais qualificada avançou. Egito teve um gol contra aos quatro minutos do primeiro jogo e depois praticamente apenas se defendeu durante os outros 206, com uma outra jogada de bola parada ou inspirada por Salah. Embora tenha tido dificuldades para furar o ferrolho defensivo de Carlos Queiroz, Senegal se impôs.

E poderia ter selado a vaga antes dos pênaltis não fosse o goleiro Mohamed El Shenawy. Queiroz teve justificada a sua escolha por não manter a titularidade de Gabaski, que havia se destacado na CAN o substituindo. El Shenawy fez nove defesas durante a partida, sendo três milagres no começo da prorrogação para forçar a disputa de pênaltis.

Mantendo o técnico da Copa anterior, Aliou Cissé, Senegal fez um grande ciclo, chegando duas vezes à final da Copa Africana de Nações, com um título. Confirmou ser um dos melhores times africanos, provavelmente o melhor. Se o Catar não receberá Salah, terá um pacote de jogadores importantes que defendem Senegal, como o goleiro Edouard Mendy, eleito o melhor da última temporada, o zagueiro Koulibaly, do Napoli e, claro, Sadio Mané. Além de coadjuvantes como Idrissa Gueye, Abdou Diallo e Cheikhou Kouyaté.

Essa espinha dorsal não conseguiu vaga nas oitavas de final do Mundial da Rússia, em um grupo muito equilibrado, porque levou dois cartões amarelos a mais do que o Japão, mas estará pronta para incomodar bastante no Catar.

O jogo

Se o Egito conseguiu um gol cedo no jogo de ida, Senegal fez o mesmo na volta. Cobrança de falta da esquerda, aos três minutos, foi cortada por Rami Rabia para o meio da área. Boulaye Dia brigou entre os marcadores e conseguiu tocar ao fundo das redes. Empatar o confronto tão rapidamente deu tranquilidade aos donos da casa, que dominaram o primeiro tempo.

O Egito teve 38% de posse de bola na etapa inicial, apenas uma finalização, para fora, e trocou cerca de 100 passes, com aproveitamento baixo, de 60%. Mais de um quarto desses passes foram lançamentos. Os números mostram um time que apenas se defendeu e tentou esticar de qualquer jeito quando recuperava a bola. O jogo mostrou isso também.

No outro lado, Senegal tentava, um pouco mais solto do que na primeira partida. El Shenawy fez boa defesa em batida de Nampalys Mendy de fora da área, Mané fez grande jogada pela esquerda e, após arrancada, o cruzamento de Bouna Sarr foi cortado na marca do pênalti na hora certa.

Ciente que estava brincando com fogo, o Egito retornou com mais iniciativa do intervalo. Teve uma boa oportunidade pela esquerda, que Mendy precisou sair do gol para abafar. Senegal respondeu com contra-ataque de Dia, travado dentro da área. Pediu pênalti, mas a arbitragem não lhe deu bola.

A entrada de Zizo, aos 25 minutos, no lugar de Trezeguet deu nova vida ao ataque do Egito. Ele apareceu na entrada da área para cabecear com firmeza um ótimo cruzamento de Salah e não acertou o ângulo de Mendy por pouco. Depois, recebeu pela esquerda, conseguiu o drible e bateu com perigo no canto mais próximo.

Mas a chance mais clara foi de Senegal. Mané passou nas costas da defesa para Ismaïla Sarr. Cara a cara com El Shenawy, tentou o toque colocado no outro canto, mas tirou demais e bateu para fora. O auxiliar assinalou impedimento, mas, no replay, a posição parecia legal. Se fosse gol, o assistente de vídeo revisaria.

O começo da prorrogação foi o momento de El Shenawy brilhar. Ele fez três maravilhosas defesas para garantir a disputa de pênaltis. Primeiro, espalmou uma cabeçada forte de Cissé, após cobrança de escanteio. Dois minutos depois, Mané fez a jogada pela esquerda e cruzou rasteiro, na boca do gol. A bola passou por todo mundo e chegou a Sarr na segunda trave. Bateu de chapa, e El Shenawy se jogou para defender em cima da linha. Também faria defesa dupla contra Cissé – uma delas à queima-roupa.

Criando o ambiente de uma casa noturna, os torcedores de Senegal não economizaram no laser verde para tentar atrapalhar os egípcios. E parece que funcionou. Os visitantes bateram quatro pênaltis ruins, e apenas um deles entrou. Kalidou Koulibaly abriu os trabalhos acertando o travessão, e Salah, que não chegou a cobrar na final da Copa Africana de Nações, isolou. Ciss parou em El Shenawy e Zizo, com paradinha, chapou para fora.

A quinta batida foi a primeira a entrar. Ismaila Sarr se redimiu (só um pouco) dos dois gols perdidos. Al Sulaya foi o único a converter para o Egito, mas com um chute alto que pegou na parte de baixo da trave e pingou dentro do gol. Dieng teve tranquilidade para fazer 2 a 1. Mostafa Mohamed deu uma bica no meio e parou nas pernas de Mendy.

Sadio Mané encheu o pé no meio do gol e colocou Senegal na Copa do Mundo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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