Copa do Mundo 2026

Argélia 3 x 3 Áustria: ‘Jogo de comadres’ dura pouco, e empate frenético classifica as duas seleções

Resultado que interessava aos dois ganha contornos inesperados e elimina o Irã da Copa do Mundo

O empate por 3 a 3 entre Argélia e Áustria, neste sábado (27), em Kansas City, começou cercado por desconfiança. Afinal, antes da bola rolar, um empate bastava para colocar as duas seleções na fase de 16 avos de final da Copa do Mundo. O cenário alimentou as inevitáveis comparações com um possível “jogo de comadres”, mas a história foi bem diferente.

Depois de um início morno e estudado, a partida ganhou ritmo, intensidade e incríveis seis gols. Sempre que uma equipe saía na frente, a outra respondia pouco depois, construindo um duelo movimentado que agradou quem esteve no estádio e, no fim das contas, terminou beneficiando os dois lados.

Com o resultado, a Áustria avançou na segunda colocação do Grupo J, com quatro pontos. A Argélia também somou quatro, mas garantiu vaga como uma das melhores terceiras colocadas da competição — possibilidade criada pelo novo formato da Copa do Mundo, agora disputada por 48 seleções. O principal prejudicado foi o Irã, que acabou eliminado da disputa por um lugar no mata-mata.

Argélia x Áustria: como foi o jogo?

Foi um primeiro tempo físico e de muitos erros técnicos. Superior, a Áustria tomou a iniciativa e demonstrava mais interesse que os argelinos. Não à toa, abriu o placar. Alaba descolou belo lançamento para Arnautovic, que dominou meio caindo e tocou na saída de Benbot.

O gol austríaco melhorou a partida e fez a Argélia “acordar” — afinal, com a derrota, a seleção africana estava eliminada da Copa. As Raposas do Deserto adiantaram suas linhas, pressionaram o adversário e conseguiram o empate antes do intervalo. Rafik Belghali limpou dois jogadores em linda jogada individual e encheu o pé para deixar tudo igual.

No segundo tempo, o “jogo de comadres” parecia ter voltado. Mas só parecia mesmo. Bastou a Áustria acelerar um pouco para ficar à frente do marcador. Laimer recebeu lançamento na intermediária pela direita, chegou na linha de fundo e cruzou rasteiro nas costas de Gregoritsch, mas perfeita para Sabitzer bater de primeira no canto de Benbot.

E não é que o roteiro da etapa inicial se repetiu? Obrigada a reagir, a Argélia novamente foi buscar o empate. Na hora certa e lugar certo, Riyad Mahrez aproveitou cruzamento de Aouar e, livre de marcação, empurrou para o gol vazio.

A partir daí, as duas seleções davam a entender que ninguém queria nada com o jogo. Até que Mahrez apareceu nos acréscimos para virar o confronto. Um 3 a 2 que soava como um punhal e deixava os austríacos fora da Copa. A vantagem argelina, porém, durou poucos segundos.

No lance seguinte — o último da partida –, o inesperado aconteceu mais uma vez. Sabitzer chegou na linha de fundo pela esquerda e cruza para Gregoritsch na segunda trave. Sem ângulo, ele optou por escorar de cabeça para trás e encontrar Kalajdzic, que entrou logo depois do gol da Argélia. O camisa 14, no primeiro toque na bola, cabeceou no contrapé do goleiro e deu números finais ao insano duelo.

Arnautovic celebra gol pela Áustria
Arnautovic celebra gol pela Áustria (Foto: Armin Rauthner / GEPA pictures / Imago)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Argélia x Áustria: Por que se falava em “jogo de comadres”?

A expressão passou a circular antes mesmo do apito inicial por causa da combinação de resultados que envolvia o Grupo J. O cenário era simples: qualquer vitória classificaria quem saísse vencedor e eliminaria o adversário. Já um empate colocaria tanto Argélia quanto Áustria no mata-mata, deixando o Irã sem chances de avançar como um dos melhores terceiros colocados.

Esse contexto naturalmente gerou desconfiança. Afinal, havia um resultado que atendia aos interesses de ambos. Durante alguns momentos da etapa complementar, principalmente quando o placar marcava igualdade e as equipes diminuíram o ritmo, a impressão de que ninguém queria correr riscos voltou a aparecer.

Só que ela durou pouco. A Áustria acelerou, retomou a vantagem e obrigou a Argélia a sair novamente para o jogo. Os africanos responderam quase de imediato, transformando um duelo cercado por suspeitas em uma partida aberta e movimentada, com chances para os dois lados até os minutos finais.

No fim, o empate acabou acontecendo, mas muito mais pela capacidade das duas seleções de responderem aos golpes sofridos do que por qualquer acomodação em campo.

O que esperam Argélia e Áustria no mata-mata?

A classificação veio para as duas seleções, mas os caminhos reservados para cada uma prometem graus de dificuldade diferentes.

Vice-líder do Grupo J, a Áustria terá pela frente a Espanha, líder do Grupo H e uma das equipes de melhor desempenho na primeira fase. Atual campeã da Eurocopa, a seleção espanhola chega ao mata-mata cercada de favoritismo e representa um enorme desafio para a equipe comandada por Ralf Rangnick.

A Argélia, por sua vez, encara a Suíça, primeira colocada do Grupo B, que superou Canadá, Bósnia e Catar para terminar na liderança da chave. Embora também seja um confronto complicado, o caminho dos argelinos, em tese, parece um pouco mais acessível.

Depois de um empate que começou envolto em desconfiança e terminou em ritmo frenético, tanto austríacos quanto argelinos agora voltam as atenções para a fase decisiva da Copa. A partir daqui, qualquer erro significa despedida do Mundial.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo