Chico Anysio foi o comediante mais popular do Brasil durante quase 40 anos e também era chamado para meter a colher quando o assunto era futebol. Tinha em Coalhada, jogador de futebol, um de seus principais personagens. Perna de pau com discurso de craque na ponta da língua, vivia se defendendo das críticas que recebia, prática popularizada e difundida no futebol profissional brasileiro.

Com uma diferença, porém. Coalhada era marrento. Os boleiros ruins atuais são autênticos, ousados, têm personalidade. O mundo se ressemantizou, mas no fundo algumas coisas do presente se parecem muito com algumas coisas do passado.

Na vida real, Chico se identificava  mais com três times: o Ferroviário-CE, time de seu estado, o Palmeiras, primeiro clube pelo qual torceu, e o Vasco, de quem foi mais próximo e a quem ajudou com shows beneficentes na época em que o clube estava na Série B.

Mais do que isso, Anysio foi fã de vários outros clubes, e defendia o “vira-casaquismo” como uma prática social. Chegou a torcer para o América e para o Flamengo nos anos 50, e trocava toda vez que julgava que o clube querido fazia alguma sacanagem com alguém.

Articulado, demonstrava bom conhecimento sobre o tema e era próximo de vários jogadores, como Junior e Falcão. Comentou a Copa do Mundo de 1990 pela TV Globo e era presença frequente em programas esportivos, sempre contando alguma história interessante de craques de antigamente. 

Uma das opiniões mais marcantes dele era sobre Maradona. “Não sei nem se ele foi o melhor da história da Argentina, se foi superior a Labruna ou Di Stéfano”. Combativo, ajudou também a revista “Placar” quando foi publicada a matéria sobre a Máfia da Loteria Esportiva em 1982 e buscou estar próximo do futebol até o fim da própria vida, na realidade e na ficção.