O Remo anunciou sua nova camisa três na última quarta-feira com uma homenagem a um momento histórico: a Cabanagem. A camisa deixa de lado o tradicional azul do clube para adotar o vermelho nesta terceira camisa, em homenagem à bandeira do Pará. A camisa é fabricada pela Kappa e foi feita em conjunto com o departamento de marketing do Remo, que tinha como objetivo valorizar a cultura local.

“Encarnados na trajetória de diversos atletas, como Periçá, o Rei da Amazônia orgulha-se do povo paraense, de sua história, de suas conquistas, do time do povo e de suas lutas diárias. Assim, homenageia os 185 anos da Revolução Cabana”, diz o comunicado que anuncia o novo uniforme.

A camisa faz uma homenagem ao Pará e à população local com um vermelho Bordeaux, que representa o sangue cabano derramado naquele violento conflito.  A ideia é valorizar o regionalismo e, por isso, tem detalhes marajoaras na frente. A gola da camisa é em V, com detalhes em dourado.

A manga da camisa tem os anos de início e fim da Cabanagem, junto ao escudo do clube. As costas trazem um mapa do Brasil com destaque para o então Grão-Pará, com a inscrição “O espírito Guerreiro Clube do Remo”. Traz ainda um selo de 115 anos do clube, chamado também de Rei da Amazônia. A coleção também tem a camisa branca, que será usada pelos goleiros, com os mesmos detalhes.

“Certamente é uma das camisas mais lindas e representativas do mundo. O contexto valoriza nossa história, nossa gente. O espírito da Cabanagem é o espírito aguerrido do Clube do Remo”, diz Renan Bezerra, diretor de marketing do Remo.

A camisa estará à venda a partir do dia 15 de agosto em todas as lojas do Remo, com preço sugerido de R$ 220. Os sócios do clube recebem desconto para compra da camisa.

O que foi a Cabanagem?

A Cabanagem foi uma revolta ocorrida no período do Império, de 1835 a 1840, na então Província do Grão-Pará, onde atualmente é o estado do Pará, mas que incluía também os estados de Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia. Com a independência do Brasil ainda muito recente, em 1822, a província tinha mais contato com Lisboa e o governo português do que com o governo central brasileiro, no Rio de Janeiro.

Foi a junção de interesses econômicos da elite, que queriam mais poder político, em um cenário de descaso do príncipe-regente. Somou-se a isso a insatisfação dos cabanos, que queriam melhores condições de vida e de trabalho, já que naquela época viviam um sistema de trabalho de semiescravidão.

Era uma época de muitas insurgências no Brasil, com movimentos que queriam se separar do poder central, diversas vezes criticados por abandonar os territórios como a Província do Grão-Pará. Foi durante essa época que surgiram movimentos de insurreição como a Farroupilha (1835 a 1845), Balaiada (1838 a 1841) e Sabinada (1837 a 1838).

O exército brasileiro foi enviado diversas vezes ao local para sufocar os rebeldes, formados por índios, mestiços e pobres que viviam amontoados em cabanas de barro à beira dos rios, de onde veio o nome dado ao movimento.

Mesmo com o massacre, alguns dos revolucionários conseguiram fugir para a floresta, o que fez com que os ideais da Cabanagem sobrevivessem. Estima-se que cerca de 30% a 40% da população de 100 mil habitantes do Grão-Pará naquela época tenha morrido devido aos conflitos. O massacre do exército brasileiro sobre os revoltos praticamente exterminou nações indígenas da época, como os murá e os mauê. As principais vítimas foram populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas, mas também membros da elite local.

O pensamento da Cabanagem prevaleceu na população, a ponto de ter sido construído o Memorial da Cabanagem, em 1985, desenhado por Oscar Niemeyer. Abriga os restos mortais de líderes da revolta. Embora seja um pedaço importante da memória e da história, o museu é constantemente vandalizado. Em dezembro de 2019, foi reinaugurado ao público.