Brasil

Zinho aproveitou a alegria de campeão para dar uma baita lição de vida em rede nacional

O momento era de extravasar. Os jogadores e os membros da comissão técnica do Vasco comemoravam o bicampeonato carioca no gramado do Maracanã, após a cerimônia de premiação e a volta olímpica. Foi quando Zinho, auxiliar técnico cruzmaltino, concedeu uma entrevista ao vivo para o programa Troca de Passes, do Sportv. Mais do que falar sobre a vitória, o ex-meia deu um depoimento de vida. Uma mensagem de enorme força, que vale por si, independente do contexto. O vídeo pode ser assistido. Abaixo, a transcrição completa:

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“É meu primeiro título como auxiliar técnico, é meu primeiro título após a carreira de jogador e o primeiro com meu filho, que nunca tinha me visto ser campeão. Eu só conto as histórias para ele lá no ‘museuzinho’. Ele vê os troféus e vou explicando, tem a história do Zinho lá que eu vou contando para ele.  Mas hoje ele vivenciou comigo, né. Fui campeão no Nova Iguaçu, meu time do coração lá da Baixada, mas ele tinha oito meses. Hoje não, ele deu a volta olímpica comigo. Por isso a medalha está no peito dele”.

“A minha mãe partiu. Você me lembrou de um fato que foi triste, por que foi aqui. Neste estádio aqui, naquele jogo contra Uruguai em 1993, eu saí direto para o hospital. Minha mãe faleceu naquele dia. Hoje é Dia das Mães. Mas eu tenho uma esposa, com quem eu sou casado há 28 anos, e ela me deu três bênçãos – uma delas é o Heitor [aponta para o menino ao lado]. Tem tristeza, tem momentos difíceis que muita gente não sabe. Na segunda-feira, o Brasil comemorava a classificação para a Copa de 1994, mas eu estava no cemitério enterrando a minha mãe. São momentos difíceis na sua vida. Quando você tem a família, esposa, filhos, amigos, você vai superando. Hoje eu estou aqui sorrindo, eu já saí daqui chorando. Hoje eu estou comemorando com o meu filho no Dia das Mães, mas já saí chorando porque perdi a minha mãe. E foi aqui, saindo deste estádio”.

“Eu sou grato a Deus por tudo, a vida é assim. O importante é a gente ter sentimento. Hoje a gente vive um momento muito ruim neste país. O futebol é essa paixão e essa emoção, mas através do futebol a gente pode falar coisas porque muita gente está escutando. A gente vive um momento difícil, cara. Então isso aqui é importante: pai, filho, família, amor. Está faltando isso neste país. Neste mundão que só vive de guerra, de briga. Chega aqui, beijar esse moleque [beija o filho], dar a vida por esse moleque. Vejo aí pais brigando, mães. Hoje é o Dia das Mães, então abraça a tua família, cara, dá um beijo no teu pai e na tua mãe. Família é a base de tudo!”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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