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Voando baixo, Alexandre Pato é o termômetro das últimas vitórias do São Paulo

O São Paulo tem oscilado bastante nas últimas semanas. Entre boas partidas e atuações para esquecer, o Tricolor não consegue se firmar no G-4 do Brasileirão, por mais que permaneça firme na briga. No entanto, o time de Juan Carlos Osório deu um passo fundamental rumo às semifinais da Copa do Brasil nesta terça. E muito graças a sua referência ofensiva. Alexandre Pato vive ótima fase, embora também não venha sendo tão regular assim. Ainda assim, a maioria das vitórias recentes dos são-paulinos dependeram da participação do camisa 11. Como nesta quarta-feira, em que o atacante abriu o caminho para a vitória por 3 a 0 sobre o Vasco, no Morumbi. Com direito a um verdadeiro golaço para inaugurar o placar.

Os números de Pato são bastante expressivos. Sete das últimas oito vitórias do São Paulo contaram com ao menos um gol do atacante. E, quando passou em branco, ao menos contribuiu com uma assistência na vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta. O camisa 11 balançou as redes 11 vezes nas últimas 17 partidas, média expressiva. Já na Copa do Brasil, os números melhoram ainda mais, com quatro tentos nas três partidas que o Tricolor fez no torneio – entrando apenas nas oitavas de final, por conta da participação na Libertadores. Importante ressaltar, principalmente, o encaixe do jogador em uma equipe ainda em construção. Para quem rodou por diferentes lados do ataque nos últimos anos, Pato demonstra um enorme conforto e confiança na ponta esquerda. Seu rendimento por ali tem sido excepcional.

A partida contou com amplo domínio do São Paulo durante o primeiro tempo. O Vasco chegou ao Morumbi para jogar na defesa, deixando a bola sob controle dos paulistas. Porém, o time de Jorginho conseguia amarrar bem as ações ofensivas, com Martín Silva brilhando quando necessário. Só que a estratégia saiu pela culatra quando Pato pôde avançar com liberdade e soltar a bomba de fora da área, sem qualquer chance para o goleiro uruguaio. Um golaço, que ainda bateu uma marca histórica: foi o tento de número três mil do clube em seu estádio.

A vantagem aumentou a confiança do São Paulo, que passou a encontrar mais espaços. Aos 36, veio o segundo gol. Ganso serviu Luis Fabiano na área, em lance que Martín Silva salvou no primeiro momento. Contudo, a sobra caiu justamente nos pés de Pato, que não desperdiçou. E o terceiro só não veio porque o goleiro uruguaio operou mais uma grande defesa, barrando Michel Bastos em jogada no mano a mano.

Durante o segundo tempo, Luis Fabiano passou a se sobressair. O centroavante já fazia boa atuação, participando bastante. E, depois de desperdiçar grande oportunidade logo nos primeiros minutos, deixou o seu aos 30, logo após boa jogada de Wilder Guisao pela ponta direita. Mesmo sem ser tão agressivo, o São Paulo tinha o jogo sob seu controle, neutralizando o Vasco na intermediária. Outra vez, Breno esteve entre os destaques do time, garantindo a proteção na cabeça de área.

Pouco depois de marcar, entretanto, Luis Fabiano precisou deixar o campo, com suspeita de fratura. E como Osório já tinha feito as três substituições, o Tricolor terminou a partida com dez. Motivo suficiente para o Vasco se soltar mais em campo e tentar reduzir o prejuízo para o reencontro no Rio de Janeiro. Não deu. Os são-paulinos até tomaram um pouco de sufoco, mas Rogério Ceni apareceu bem para fazer duas defesas importantes e segurar a vantagem ampla no placar – importante também por não tomar gols em casa.

O resultado dá tranquilidade para o São Paulo na sequência da semana, já que tem jogo vital na próxima rodada do Brasileiro. Os tricolores recebem o Palmeiras no Morumbi, em duelo valiosíssimo para o G-4. Já o Vasco, que via a Copa do Brasil mais como um bônus em meio à luta para não cair no Brasileiro, terá o clássico contra o Flamengo pela frente. Exceção feita à perda de Luis Fabiano, a situação dos são-paulinos é bastante cômoda. Dá até para pensar em descansar alguns jogadores para o reencontro com os vascaínos. Mas não Alexandre Pato. Ultimamente, o atacante se faz uma das garantias para as vitórias tricolores.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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