Futebol brasileiro

[Vídeo] Nos 15 anos sem Didi, 15 minutos de lances impressionantes de um verdadeiro gênio

Imagine jogar futebol com uma bola da década de 1950. O material era pesado, as costuras atrapalhavam, as deformações eram constantes. Imagine, então, fazer com essa bola aquilo tudo que Didi fazia. Lançamentos que atravessavam o campo, domínios perfeitos, passes milimétricos. E até uma maneira própria de bater faltas, aprimorando um efeito que não se vê hoje em dia nem com as bolas ultratecnológicas. O meio-campista era um gênio. Um maestro como poucos, com a elegância da cabeça erguida e dos movimentos calmos. Um relojoeiro que fazia os ponteiros do jogo serem ajustados por seus pés. E que, assim, exerceu papel essencial para o Brasil conquistar seu primeiro título mundial em 1958.

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A Bola de Ouro na Copa do Mundo é o ápice de uma carreira gloriosa. Mas que também possui tantos outros capítulos fulgurantes em suas quase 70 partidas pela Seleção. Ou em seu início de carreira pelo Fluminense, triunfando na Taça Rio. Ou como líder do grande esquadrão do Botafogo, servindo de referência entre tantos craques. Ou mesmo na passagem apagada pelo Real Madrid, que, de qualquer forma, valeu a aposta daquele que é considerado o maior time do Século XX. Por seu talento, Didi já seria uma lenda. No entanto, os numerosos feitos elevam ainda mais a sua importância no futebol.

Alguém que via o jogo como pouco e, por isso mesmo, tornou-se também um grande técnico. Que antevia os rumos do futebol, como deixou expresso em entrevista ao Jornal da Tarde, em 2000: “É possível montar um time com 11 jogadores muito habilidosos, aptos a fazer qualquer função em campo. Todos atacando, todos defendendo, com muita rotação. Tenho certeza que a partir de 2005 esse esquema vai começar a prevalecer. Vai dominar esse século. Não dá mais para ter jogador parado em uma posição. Tem de ter rotação e cobertura, tudo muito bem treinado. Tudo com muita velocidade e qualidade de passe”.

Didi não pôde ver as revoluções. Faleceu há exatos 15 anos, em 12 de maio de 2001, quando tinha 72 anos de idade. No entanto, deixou um enorme legado, por vezes ainda a ser descoberto. As imagens, mesmo raras, são extremamente impressionantes. Evidenciam um craque que, independente das diferenças de ritmo do jogo, parecia pensar anos-luz à frente de seus adversários. Aulas de futebol.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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